Um mito em relação a liderança: Um líder tem que ser carismático (por Cesar Souza)

março 18, 2015

Liderança não é sinônimo de carisma, nem de falar bem, muito menos de extroversão e simpatia. São crenças improcedentes. Se uma pessoa tem carisma, ótimo, isso facilita o exercício da liderança. Mas, se não tem, não está impedida de liderar. O carisma pode até alavancar o líder, mas não substitui outras formas necessárias. O líder eficaz precisa ter conteúdo. Afinal de contas, “saco vazio não para em pé por muito tempo”. Pois é, líder vazio, só cheio de carisma, tem um prazo de validade limitado.

Lembro‑me dos inúmeros lideres competentes, nos quatro continentes, cujo grau de carisma não é muito elevado. Mas isso não os impediu de exercer a liderança de forma eficaz. Até pessoas tímidas podem ser lideres eficazes quando sabem construir com suas equipes o rumo a seguir, têm coragem para tomar decisões difíceis e cercam-se de profissionais que os complementam, inclusive para compensar seu baixo nível de carisma quando as circunstâncias exigem. Ah, quanta gente perde a chance de exercer liderança porque se julga tímida e pouco carismática… Precisamos fugir dessa armadilha mental!

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Fonte: livro “A NeoEmpresa – o futuro da sua carreira e dos negócios no mundo em reconfiguração”, de César Souza – Integrare Editora

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A raiz da timidez! Por Içami Tiba

março 20, 2013

Conforme o filho vai crescendo, os pais mostram-lhe o que ele deve ou não fazer. Aos poucos, vão concedendo algumas permissões. Quando estas faltam, e no seu lugar há censuras sucessivas, críticas e reprovações às suas iniciativas, a criança pode crescer sentindo-se tão “proibida”, a ponto de ela mesma proibir-se de fazer algo. Daí resulta a timidez, um transtorno no comportamento do ser humano.

 

“A criança hipersaciada também pode tornar-se tímida. Afinal, os pais hipersolícitos atendem a todas as suas vontades, e ela não aprende a se virar sozinha.”

 

Basta a ela sentir-se desacompanhada dos pais, em ambiente diferente ou diante de qualquer pessoa estranha, que logo se vê atacada pela timidez. A timidez é antinatural. o primeiro sinal de contato – isto é, de manifestação de relacionamento – do bebê com o mundo é o sorriso. O adulto desarma-se diante do sorriso de uma criança, pois sabe que não existem segundas intenções. Trata-se apenas de um sorriso. Pura expressão de alegria.

            Uma criança sorridente é uma criança simpática, o orgulho dos pais. Por volta do oitavo mês de vida, quando passa a não querer ir para o colo de estranhos, torna-se antipática. Alguns pais não admitem essa reação, forçando o bebê a aceitar a pessoa que lhe é estranha, como se fosse seu amigo íntimo. É assim que começa o mecanismo de auto-repressão da criança. Cada vez que os pais a reprovam por não aceitar alguém, ela mesma a aciona, reprimindo suas defesas naturais para receber a aprovação dos pais. E assim deixa de ser espontânea. A timidez é a perda da espontaneidade.

            A criança aprende fazendo tentativas. Erros e acertos são fundamentais. Se os pais não aceitarem os erros, criticando duramente o filho, ele próprio deixará de aceitar seus erros, perdendo, então, a liberdade de arriscar. Resta-lhe a obrigação de acertar sempre.

          Acertar é agradar aos pais. Logo, esse acerto é subjetivo, pois depende do critério que os pais utilizam para aprovar ou não a atitude dos filhos. A timidez é a perda da liberdade de tomar iniciativa.

 

“Uma educação severa, em que o erro é castigado e o acerto nem sempre é premiado, gera pessoas tímidas. Portanto, a timidez pode ser resultado de pais muito exigentes.”

 

Quando a repressão é muito grande, a criança amolda-se e sofre calada. Caso não se adapte à repressão, ela seleciona ambientes em que pode ficar quieta e nos quais pode bagunçar. Essa é a explicação para aquelas crianças tímidas na escola e superbagunceiras em casa ou tremendamente obedientes em casa e indisciplinadas fora dela. Elas obedecem parcialmente à repressão na presença dos repressores. Na ausência deles, passam a reprimir os outros, a “delinquir”. E o método da gangorra: de um lado senta a timidez, do outro, a delinquência.

 

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Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Eu e minha timidez

setembro 16, 2011

Posso falar sobre timidez com autoridade — fui um menino que, quando brincava de Liga da Justiça, queria ser o Homem Invisível.

Nos primeiros anos do colégio, época em que as meninas e as espinhas aparecem ao mesmo tempo, eu sofri tanto com a timidez que muitas pessoas achavam que eu seria uma espécie de eremita urbano. Felizmente essa profecia não se realizou. É bem verdade que a maioria dos adolescentes apresenta algum grau de timidez, que desaparece no início da vida adulta, notadamente após os 20 anos, mas o meu era maior do que o de= meus colegas.

 Lembro de vários episódios em que a timidez me fez passar por maus bocados. Certa feita, eu e meus amigos estávamos impressionados com a beleza de uma garota nova na escola, mas ninguém tinha coragem de chegar perto. Até que aconteceu o improvável: um dia ela perguntou o meu nome. Logo o meu nome!

Juro que eu levei um tempo para lembrar como me chamava. E, quando falei, saiu aquela voz de adolescente, meio grossa, meio fina. Foi então que eu desejei ser tragado pela terra, por um poço negro e sem fundo. Ela, com toda a naturalidade, me perguntou se eu sabia como conseguir um livro, onde era a biblioteca, coisas assim. Era tudo o que ela queria — uma informação. Aí eu retomei o controle, porque sabia as respostas, mas depois fiquei horas pensando sobre o choque térmico provocado pela timidez. O frio glacial que se apoderou de meu coração quando ela falou comigo transformou-se em um calor infernal quando eu tive de responder.

Passado o susto, surgiu um calorzinho morno e aconchegante, em que eu me senti confortável, fora de perigo, ainda que me chamasse de idiota mil vezes. E a vida foi passando, entremeando embaraços com superações. No fundo, uma história comum.

A timidez é como uma barreira que nos afasta do mundo circundante, impedindo que nossos pensamentos e sentimentos sejam exteriorizados.

O tímido prefere não se expor porque teme desproporcionalmente a crítica, e o faz por dois motivos: se a crítica for severa, irá confirmar as suspeitas de sua inferioridade; se for favorável, colocará em cheque sua autocrítica. Portanto, não há saída.

Pode ser que a timidez não impeça a pessoa de se desenvolver, trabalhar, produzir e se realizar. Mas que prejudica a qualidade da vida, isso lá, prejudica. A vida é um processo de interação constante do indivíduo com o meio em que está inserto; quanto melhor for a qualidade dessa interação, maiores o conforto, a troca e o aprendizado. Qualquer barreira que isole a pessoa do convívio social provoca fissuras em seu desenvolvimento e compromete sua felicidade. Imagine viver em um pátio separado do resto da cidade por um muro alto, que impede a comunicação, apesar de não impedir que você perceba a vida que existe lá fora. Pois a timidez é esse muro.

Mas calma, nem tudo está perdido. Primeiro temos de saber que todas as pessoas têm algum muro. Pode ser mais alto ou mais baixo, mas não há quem não revele o desejo de que alguma coisa fosse diferente em si ou em sua relação com o mundo. Depois, é importante frisar que o tal muro pode ser retirado, ainda que com algum esforço. Com que ferramentas?

Veremos!

Fonte: Trecho do livro “Caminhos da Mudança”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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