O vício em sofrer (por Dirce Fátima Vieira e Maria Luiza Pires)

abril 24, 2015

Os viciados em sofrimento sofrem sozinhos e remoem suas dores em silêncio, achando que não têm sorte, que tudo dá errado, que as coisas simplesmente não acontecem, que seu destino é sofrer.

Em consequência, eles têm a autoestima prejudicada. Sentem-se inseguros, desvalorizados, ansiosos. Sua postura de derrota e pessimismo muitas vezes os impede de se conectar com sua saúde psíquica e os distancia do sucesso pessoal e social.

No vício do sofrimento não existe uma droga concreta ou estímulo externo. O substrato é o próprio sofrimento, somado à atenção recebida dos outros como ganho secundário por essa atitude repetitiva assumida diante da vida. Hoje sabemos que alguns comportamentos compulsivos como: comer muito chocolate ou comida de forma exagerada, exercício físico, jogo, consumo, sexo, trabalho, internet e pequenos furtos são passíveis de tornarem-se vícios. Estes comportamentos funcionam da mesma forma como os viciados em alguma substância psicoativa – lícita ou ilícita. Todos estes casos e formas de vício são marcados pelo prazer momentâneo e por uma forma singular de se relacionar consigo e com o mundo.

Na experiência do vício em sofrimento o prazer é vivenciado como fugaz e seguido por uma sensação de frustração que remete consequentemente à falta, vazio ou carência inicial, caracterizando o ciclo de uma dependência, pois algo de essencial não foi preenchido ou reconfortado.

O ciclo do vício em sofrimento pode ser interrompido. Tal como em qualquer tratamento de abandono e superação de uma dependência, é necessário reconhecer e aceitar seu estado de submissão à adição para iniciar o processo de desconstrução da atitude.

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Fonte: livro “O Sofrimento como Vício: Entenda e Supere essa Dinâmica”, de Dirce Fátima Vieira e Maria Luiza Pires. Integrare Editora

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Os problemas de um déficit não diagnosticado

maio 2, 2012

Apesar de muito inteligente, Fernando teve dificuldades na escrita e na aprendizagem durante a infância por ser disléxico. Apresentava desatenção em sala de aula, notas baixas, repetência e carregou o rótulo de ser indisciplinado. Na adolescência, como se não bastassem os problemas escolares, ainda estava com sobrepeso, o que reforçava sua não aceitação.

Com o apoio e o esforço dos pais, conseguiu sofridamente se formar em administração de empresas. Mas já havia internalizado um sentimento de menos-valia, de ser pouco inteligente. Aos 34 anos, solteiro, era um indivíduo desadaptado ao seu meio e com baixa autoestima. Para compensar, como mecanismo de defesa, adotou uma postura prepotente na vida: de dizer e agir (mesmo sentindo o contrário) como se fosse o melhor, o mais legal, o mais bonito, o que sabe tudo, o mais destemido de todos. Queria sempre ter a namorada mais bela e nunca achava a atual boa o bastante justamente por estar com alguém como ele.

Essa postura muito competitiva acabava gerando mais conflitos nos seus relacionamentos, sociais e afetivos, e por isso mesmo o fazia sofrer. Para complicar teve uma coletânea de relações afetivo-sexuais sem conseguir realizar um dos seus projetos que era o de constituir uma família. Seus relacionamentos não iam adiante.

Fernando chegou à terapia deprimido, trabalhando sob forte estresse e pressão. Não conseguia valorizar suas qualidades: ser brincalhão, perspicaz, alegre e muito afetivo com as pessoas. A reflexão sobre seu núcleo familiar revelou que seus pais não conseguiram perceber seus distúrbios na infância (por falta do conhecimento) e, consequentemente, não aceitaram a limitação do filho, o que favoreceu a construção da atitude de sofrente. A percepção de seu vício – negar a menos-valia e, em um orgulho prepotente, inviabilizar relações afetivas gratificantes – permitiu a ele desconstruir essa personagem e iniciar uma nova jornada existencial.

 

Fonte: trecho do livro “O sofrimento como vício – Entenda e supere essa dinâmica”, de Dirce Fátima Vieira e Maria Luiza Pires – Integrare Editora

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A fé como justificativa para o sofrer

julho 15, 2011

Todas as religiões, de alguma forma, propõem uma conexão com o divino como algo natural e saudável para o equilíbrio humano. Os fiéis que creem nos dogmas e na existência de algo superior, ou mesmo na prática mística, testemunham suportar melhor as dificuldades e aceitar a morte com menor desespero.

No caso dos viciados em sofrimento, contudo, esses dogmas e crenças podem ser utilizados como justificativa para tal atitude. É o que se depreende da história de Marlene. Aos 40 anos, casada e com filhos, trouxe as queixas de ansiedade e de dores no estômago, mal-estar, insônia, perda de peso e depressão.

Já havia passado por vários médicos e tomado diversas medicações, sem apresentar melhora.

Marlene contou que levava uma vida regrada, com horários muito rígidos. Tinha um marido exigente. Em decorrência da educação familiar severa, sempre se colocava de forma submissa nos relacionamentos. Não conseguia sentir desejo sexual e não se permitia fazer aquilo que gostava. Sua rotina não previa espaço para lazer. Passava o dia cuidando dos outros. Sua vida pessoal e social era restrita. Bastante religiosa, ela seguia fielmente os ensinamentos de sua fé e realizava trabalho voluntário na sua igreja. Em um primeiro momento, a religião lhe trouxe certo alívio e explicação para o seu sofrimento. Mas com o passar do tempo, sua doutrina religiosa foi inconscientemente utilizada como mais uma maneira de se martirizar.

Complementava, assim, sua personagem de ser sofrente, justificando seus tormentos.

A certa altura, porém, ela foi encaminhada à psicoterapia. Nesse processo, descobriu, entre outras coisas, que o sofrimento estava presente desde sua infância, vivida em uma família desorganizada e frágil. Ao tomar consciência disso, compreendeu que lidava com sua religião de modo a alimentar seu sofrimento.

Por exemplo, muitas vezes, já exausta pelos afazeres de mãe e esposa, era procurada pela comunidade religiosa para ajudar alguém e trabalhar naquele ofício. Não conseguia dizer não. Pela sua crença, não poderia deixar de se sacrificar. E assim se desrespeitava.Também pela sua religião, o sexo era para procriação, daí não se sentia bem nas relações sexuais, porque não podia gostar de sexo. Como era viciada em sofrimento, não conseguia sentir prazer na vida. Nesse exemplo, procuramos mostrar como uma pessoa pode utilizar uma crença religiosa como a “droga” para o seu vício.

 

 

Fonte: Trecho do livro “O sofrimento como vicio – Entenda e Supere essa dinâmica”, de Dirce Fátima Vieira e Maria Luiza Pires


Harmonia em todas as áreas da vida. Mas… quais são elas?

maio 10, 2011

Ainda que você não seja um dependente do sofrimento, vale a pena aproveitar esta oportunidade de autoconhecimento. Para isso, olhe atentamente o esquema a seguir. Ele representa os vários compartimentos que constituem a vida de um ser humano.

Procure aplicar este esquema à sua vida. Os diversos compartimentos dela estão proporcionais? Se a resposta for sim, parabéns! Do contrário, não deixe que isso venha a ser um problema. Afinal, dessas realizações vêm o nosso equilíbrio e o nosso bem-estar biopsicossocial. Pergunte-se, apenas: o que posso fazer para mudar? E mãos à obra!

Fonte: trecho do livro “O Sofrimento como Vício – Entenda e supere essa dinâmica”, de Dirce Fátima Vieira e Maria Luiza Pires


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