Hipnotizando Maria (por Richard Bach)

agosto 14, 2015

Mas há muito que fazer na aviação, fora pilotar caças e aviões comerciais. Há os voos fretados, os voos corporativos e o negócio dos voos panorâmicos; há a pulverização de plantações, os shows de acrobacias aéreas, o monitoramento de dutos e as fotografias aéreas; há o transporte de aeronaves a fazer; há os banners aéreos para puxar, os planadores para puxar, os paraquedistas para levar lá nas alturas e depois soltá-los no céu; há as corridas aéreas, os voos com equipes de televisão, os voos para reportagens sobre as condições de trânsito, os voos policiais, os testes de avião, pilotar aviões de carga e mambembar velhos biplanos por campos de feno. E o ensino, lógico; há sempre gente nova chegando com o mesmo objetivo de voar por sua conta… sempre existe a instrução de voo.

Ele fizera tudo aquilo ao longo da vida. Nos últimos anos se tornara instrutor de voo, e dos bons, segundo o provérbio de que os melhores instrutores se conhecem só pela cor do cabelo. Não que ele fosse um cara da velha guarda, saiba você, nem que não tivesse mais nada para aprender. Só tinha reunido naquelas décadas sua cota de horas de voo, que agora chegavam a doze mil. Não era um tempo nem enorme, nem pequeno. O suficiente para Jamie Forbes aprender a humildade.

Por dentro, porém, ele continuava sendo aquele garoto louco para pilotar qualquer coisa em que pudesse pôr as patinhas.

Era assim que as coisas continuariam a ser, sem interessar a ninguém, não fosse o que aconteceu em setembro passado. O que ocorreu então pode não importar para algumas pessoas; para outras, mudará sua vida da mesma forma como mudou a minha.

– Acho que ele morreu!

Era a voz de uma mulher pelo rádio.

– Alguém aí está me ouvindo? Acho que meu marido morreu!

A transmissão dela estava a 122,8 megaciclos, a frequência Unicom dos aeroportos pequenos; sua voz era alta e clara: não devia estar muito longe dali.

Ninguém respondeu.

– Alguém me ajude, ele morreu!

Ele apertou o botão do microfone.

– Pode ser, senhora – disse Jamie Forbes –, mas também pode ser que não. A senhora consegue pilotar esse avião sem ele.

– Não, nunca aprendi! Juan está caído perto da porta, ele não está se mexendo!

– É melhor nós pousarmos logo, então – disse ele, escolhendo o “nós” porque já estava pensando no que ela diria em seguida.

– Não sei pilotar um avião!

– Certo – disse ele –, então nós dois vamos pousar esse avião juntos.

Fonte: livro “Hipnotizando Maria”, de Richard Bach. Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, Consulte o livro ou entre contato conosco.

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Hipnotizando Maria (por Richard Bach)

novembro 28, 2014

Após orientar uma mulher a pousar em segurança seu avião depois que o marido perde a consciência, o instrutor de voo Jamie Forbes segue caminho sem se sentir impressionado com o seu próprio ato… Afinal, instrutores de voo orientam os alunos todos os dias.

Somente depois que a mulher relata aos repórteres que um estranho apareceu em um avião ao lado do seu e a hipnotizou para que ela conseguisse executar o pouso (e depois que ele encontra seu próprio orientador desconhecido), é que o instrutor de voo resolve o mistério maior: a forma como cada um de nós cria, passo a passo, o que aparenta ser o mundo físico ao nosso redor.

Os maiores mistérios são aqueles cujas respostas se encontram diante de nossos olhos.

As melhores soluções são aquelas para as quais, de repente, nos damos conta de que sempre soubemos a resposta.

 

Criamos nossa própria realidade? Ou apenas nossas próprias aparências?

Hipnotizando Maria_Richard Bach_Integrare Ed

Fonte: livro “Hipnotizando Maria”, de Richard Bach. Integrare Editora

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Hipnotizando Maria…! Richard Bach

julho 5, 2013

Aconteceu a uma hora de North Platte, vinte minutos a norte de Cheyenne.

– Acho que ele morreu!

            Era a voz de uma mulher pelo rádio.

– Alguém aí está me ouvindo? Acho que meu marido morreu!

            A transmissão dela estava a 122,8 megaciclos, a frequência Unicom dos aeroportos pequenos; sua voz era alta e clara: não devia estar muito longe dali.

            Ninguém respondeu.

 

– Você consegue fazer isso, senhor Forbes. – Soava calma e paciente, aquela voz inesquecível, com um toque sulino.

– Senhor Dexter? – disse ele em voz alta, atônito. Era seu instrutor de voo de quarenta anos atrás, uma voz que ele jamais iria esquecer. Ele lançou um olhar rápido para o espelho, checando o assento de trás. Estava vazio, é claro.

            Não havia outro som a não ser o do motor barulhento e suave que seguia em frente.

– Alguém me ajude, ele morreu! Ele apertou o botão do microfone. – Pode ser, senhora – disse Jamie Forbes –, mas também pode ser que não. A senhora consegue pilotar esse avião sem ele.

– Não, nunca aprendi! Juan está caído perto da porta, ele não está se mexendo!

– É melhor nós pousarmos logo, então – disse ele, escolhendo o “nós” porque já estava pensando no que ela diria em seguida.

– Não sei pilotar um avião!

– Certo – disse ele –, então nós dois vamos pousar esse avião juntos.

É um acontecimento muito raro um passageiro assumir o controle quando o piloto está incapacitado. Sorte de todos eles que era um bonito dia para voar.

– Sabe como funcionam os controles, senhora? – perguntou ele. – Com os quais a senhora movimenta o manche e estabiliza as asas?

– Sim. Aquilo tornou tudo mais fácil. – Só mantenha as asas estabilizadas, por ora.             Ele lhe perguntou quando e onde eles haviam decolado e para onde estavam indo, virou para leste e, bingo, um minuto depois viu um Cessna 182 abaixo a dez horas, um pouco mais à frente da asa esquerda do T-34.

– Vamos virar só um pouco para a direita – disse ele. – Estamos vendo a senhora.

Se o avião não se virasse, ele não a veria de jeito nenhum, mas fez uma aposta e ganhou. As asas se inclinaram.

Ele mergulhou na curva feita por ela e saiu ao seu lado, deslizando em uma formação a cinquenta pés de distância.

– Se olhar para a sua direita… – disse ele. Ela olhou, e ele acenou para ela. – Tudo vai ficar bem agora – continuou ele. – Vamos fazer vocês chegarem ao aeroporto e em terra firme.

– Não sei pilotar!

 

            Quando ela disse aquilo, as asas se inclinaram mais, na direção dele.

            Ele se inclinou com ela, dois aviões fazendo uma curva juntos.

– Isso não será nenhum problema, senhora – disse ele. – Sou instrutor.

– Graças a Deus – disse ela, fazendo o avião se inclinar ainda mais.

– Melhor virar esse manche para a esquerda – falou ele. – Não muito, é só virar um pouco com firmeza e suavidade para a esquerda. Isso estabilizará o voo de vocês.

            Ela olhou para a frente, virou o manche e as asas do Cessna se estabilizaram.

– É isso aí! ́ – disse ele. – Tem certeza de que nunca pilotou antes?

            A voz dela veio mais calma: – Já vi Juan pilotando. – Bom, a senhora prestou mesmo atenção. Ele descobriu que ela sabia onde ficava o acelerador de mão e os pedais do leme, e conseguiu fazer com que virasse o avião para a esquerda até seguir na direção do aeroporto de Cheyenne.

– Qual o seu nome, senhora? – Estou com medo – disse ela. – Não vou conseguir!

– Está brincando comigo. A senhora já está pilotando esse avião há cinco minutos e está se saindo muito bem. É só relaxar, ficar tranquila, fingir que é a comandante de uma companhia aérea.

– Fingir que sou o quê?

            Ela tinha ouvido, mas não pôde acreditar no que aquela pessoa dizia.

– Esqueça tudo, menos que a senhora é a comandante de uma companhia aérea, a primeira mulher comandante que essa empresa já contratou, e que pilota há anos e anos. Está completamente à vontade nesse avião, feliz da vida. Pousar um Cessnazinho em um dia lindo como esse? Brincadeira de criança!

            Esse homem está doido, pensou ela, mas ele é instrutor.

– Brincadeira de criança – repetiu ela.

– Isso mesmo. De qual brincadeira de criança a senhora gostava mais?

            Ela o olhou pela janela direita do Cessna, com um sorriso confuso e perturbado; estou prestes a morrer e ele vem me perguntar de brincadeira de criança? De todos os resgatadores possíveis, eu dou de cara com um maluco? – Pular corda?

            Ele sorriu de volta. Ótimo. Ela sabe que sou pirado, então agora precisa ser a sã da história – e isso significa manter a calma.

– Brincadeira de pular corda.

– Meu nome é Maria. – Como se ela soubesse que aquilo poderia fazê-lo voltar ao normal.

            O aeroporto de Cheyenne despontou, uma faixa no horizonte. A quinze milhas de distância, sete minutos de voo. Em vez de escolher um dos aeroportos menores mais próximos, ele decidira pousar em Cheyenne por ter pistas compridas e ter ambulância.

– Por que não tenta empurrar esse acelerador de mão, Maria? A senhora vai escutar o motor; o barulho dele vai ficar mais alto, como já sabe, e o avião começará a subir, bem devagar. Empurre-o todo, agora, e vamos praticar uma subidinha aqui.

            Ele queria lembrá-la da subida, é claro, para o caso de ela voar baixo demais na aproximação para o pouso. Queria que ela soubesse que estava segura nos céus e que empurrar o acelerador de mão seria a maneira de voltar a subir, quando ela quisesse.

– A senhora está indo bem, comandante – disse ele. – É uma pilota inata.

Então ele fez com que ela puxasse o acelerador de mão, e os dois desceram juntos até a altitude de tráfego.

 

            A mulher ao seu lado olhou-o de seu avião.

            Dois aviões quase se tocando no ar… e entretanto não havia nada que ele pudesse fazer para pilotar o avião por ela. A única coisa que tinha eram palavras.

– Estamos quase lá – disse-lhe ele. – Maria, a senhora está pilotando superbem. Só vire na minha direção de leve, por uns dez segundos mais ou menos, depois volte a estabilizar as asas.

            Ela apertou o botão do microfone, mas não disse nada. O avião se inclinou para a direita.

– Está indo bem. Vou falar com a torre de comando em outro rádio. Não se preocupe, ficarei na escuta com a senhora neste aqui, também. Pode falar comigo na hora em que quiser, certo?

            Ela fez que sim.

            Ele ligou o rádio número dois na frequência de Cheyenne e chamou a torre.

– Alô, Cheyenne, aqui é o Cessna 2461 Echo.

O número da aeronave estava pintado na lateral do avião dela. Ele não precisava fornecer o seu próprio número.

– Seis Um Echo, prossiga.

– Seis Um Echo é um voo com duas pessoas que está em aproximação para pouso oito milhas a norte.

– Positivo, Seis Um Echo. Autorização para aterrissagem à esquerda na Pista Nove.

– Positivo – respondeu ele. – E o Seis Um Echo é um Cessna 182, piloto incapacitado. A passageira está pilotando o avião; estou voando ao seu lado, ajudando.

            Houve um silêncio. – Repita, Seis Um Echo. O piloto está o quê? – O piloto está inconsciente. A passageira está pilotando a aeronave. – Positivo. Pouso liberado em qualquer pista.

            Está declarando uma emergência? – Negativo. Vamos usar a Pista Nove. Ela está indo bem, mas não custa deixar de prontidão uma ambulância para o piloto e um caminhão de bombeiros. Deixe os veículos atrás da pista de pouso, certo? Não queremos que ela se distraia com equipamentos seguindo ao seu lado durante a aterrissagem.

– Positivo, vamos manter os equipamentos atrás da aeronave. Atenção: todas as aeronaves na área de Cheyenne saiam, por favor, da área de tráfego do aeroporto, temos uma emergência.

– Ela está em Unicom, Torre, dois-dois-oito. Vou continuar falando com ela nessa frequência, mas escutando a sua.

– Positivo, Seis Um Eco. Boa sorte.

– Não é necessário. Ela está indo bem. Ele voltou a sintonizar o rádio de novo em Unicom. – O aeroporto está aí à sua esquerda, Maria – disse ele. – Vamos fazer uma curva grande e suave para alinhar com a pista. Bem suave, sem pressa. Isso é fácil para você.

            Eles executaram um enorme padrão de pouso, com pequenas curvas vagarosas; o instrutor falava com ela o tempo todo.

– Bem, aqui, a senhora pode puxar o acelerador de mão, levar o manete abaixo da linha do horizonte, como fizemos antes, em uma descida bem fácil. O avião adora isso.

            Ela assentiu. Se esse homem está tagarelando que os aviões adoram coisas, então provavelmente isso que estamos fazendo não é tão perigoso assim.

– Se não gostar dessa aproximação – disse ele –, nós podemos voltar a subir e fazer aproximações o dia todo, se quiser. Só que essa aqui está me parecendo ótima. A senhora está indo muito bem.

            Ele não lhe perguntou quanto combustível ela ainda tinha.

            As duas aeronaves foram suavemente para a esquerda, rumo à aproximação final; a pista corria bem à frente, concreto largo com sete quilômetros de comprimento.

– O que vamos fazer é tocar o chão de um jeito bem suave; vamos colocar uma roda de cada lado dessa linha branca comprida que está no meio da pista. Ótimo, comandante. Acelere só um pouco mais, empurre o acelerador de mão para a frente mais ou menos um centímetro…

Ela estava calma e reagindo bem agora.

– Traga esse acelerador para trás só um pouquinho. Por falar nisso, a senhora é uma piloto fantástica. É suave nos controles…

            Ele se afastou alguns metros da asa dela enquanto os aviões desciam na direção do solo.

– Segure aí; voe direto para baixo em direção a essa linha do meio… pronto, muito bem. Relaxe, relaxe… mexa os dedos dos pés. A senhora está voando como um piloto veterano. Agora traga o acelerador um centímetro para trás… Leve o manche também para trás, uns oito centímetros. Ele vai parecer meio pesado, mas é assim mesmo que tem de parecer. Está lindo, a senhora fará um pouso fantástico.

            As rodas estavam a um metro e meio da pista… um metro.

– Mantenha o nariz do avião para cima como está agora, e vá levando esse acelerador todo para trás, todo para trás.

 

            As rodas tocaram a pista, uma fumaça azul de borracha saiu dos pneus.

– Perfeito – disse ele –, pouso perfeito. Agora pode soltar o manche, a senhora não precisará dele no solo. Manobre o avião com os pedais e deixe que ele siga até parar, aí mesmo na pista. Uma ambulância estará ao seu lado daqui a pouco.

            Ele puxou o seu próprio acelerador de mão e o T-34 passou de rasante pelo avião dela, subindo.

– Ótimo pouso – disse ele. – A senhora é uma pilota e tanto.

            Ela não respondeu.

            Ele viu por sobre o ombro a ambulância correr pela pista atrás dela. O veículo desacelerou quando o avião desacelerou, depois parou, com as portas abertas. O caminhão de bombeiros, vermelho e quadrado, veio rodando atrás, desnecessário.

            Enquanto a torre de controle tinha o suficiente para se ocupar, ele não disse mais nada. Em menos de um minuto o seu avião estava fora de vista, rumo a North Platte.

 

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Fonte: livro “Hipnotizando Maria” de Richard Bach – Integrare Editora

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Coincidências existem?

setembro 9, 2011

Oito e meia da manhã, o café do aeroporto estava cheio. Ele encontrou um lugar, abriu o cardápio.

– Tudo bem se eu me sentar à sua mesa?

Jamie Forbes ergueu o olhar para ela, uma dessas pessoas de que você gosta no minuto em que bate o olho.

– Sente aí – disse ele.

Ela colocou uma mochila ao seu lado.

– É aqui que se aprende a pilotar?

– Não – respondeu ele, apontando para o céu pela janela.

– Você aprende a pilotar lá em cima.

Ela olhou e assentiu.

– Sempre disse que um dia iria aprender. Aprender a pilotar. Prometi a mim mesma, mas não transformei a promessa em realidade.

– Nunca é tarde – disse ele.

– Ah… – fez ela, com um sorriso melancólico. – Acho que para mim é. – Ela estendeu a mão. – Dee Hallock.

– Jamie Forbes.

Os dois olharam para o cardápio. Algo leve, só um lanchinho, pensou ele. Suco de laranja e torrada seriam uma opção saudável.

– Você está em viagem – comentou ele.

– Sim. Pegando carona. – Ela colocou o cardápio de lado e, quando a garçonete chegou, pediu: – Chá e torrada, por favor. De hortelã e com pão integral.

– Sim, senhora – disse a garçonete, memorizando o pedido fácil, e depois se voltou para ele.

– Chocolate quente e torrada de centeio. Carona?

– Você vai pilotar hoje – comentou a garçonete. – Não devia fazer um pedido tão leve, nesta manhã.

– Leve é bom – disse ele.

Ela sorriu e saiu para servir outra mesa, com os pedidos dos dois na cabeça.

– Você está pegando carona em carros ou aviões? – quis saber ele.

– Não tinha pensado em aviões – respondeu Dee. – É possível fazer isso?

– Pedir não dói. Mas é melhor tomar cuidado.

– Por quê?

– Aqui é região de montanha. Alguns aviões não voam tão bem quanto outros, bem alto, com passageiros.

Quarenta e poucos anos, pensou ele. Executiva. Por que está pegando carona?

– Respondendo à sua pergunta – disse ela –, estou testando uma hipótese.

Cabelos castanho-escuros, olhos castanhos, aquela beleza magnética que a curiosidade e a inteligência trazem ao rosto de uma mulher.

– Minha pergunta?

– Por que ela está pegando carona?

Ele piscou.

– Tem razão. Eu estava pensando em algo desse tipo.

Qual é sua hipótese?

– Não existem coincidências.

Interessante, pensou ele.

– Que tipo de coincidências não existem?

– Sou uma exploradora das oportunidades iguais – respondeu ela. – Não importa de que tipo. Você e eu, por exemplo; não me surpreenderia se nós dois tivéssemos um amigo importante em comum. Não me surpreenderia se houvesse um motivo pelo qual estamos nos encontrando. Nem um pouco.

Ela o olhou como se soubesse que havia mesmo.

– É claro que não temos como saber – disse ele.

Ela sorriu:

– A não ser por coincidência.

– Que é algo que não existe.

– É o que estou descobrindo.

Busca bacana, pensou ele.

– E está descobrindo mais coincidências por quilômetro nas estradas do que no seu escritório?

Ela assentiu.

– Não acha isso perigoso, pegar carona? Uma mulher atraente pedindo para ser apanhada por qualquer um na estrada?

Risada de isso-é-impossível.

– Eu não atraio o perigo.

Aposto que não, pensou ele. Tem tanta confiança assim em você mesma ou é apenas ingênua?

– A sua hipótese está se confirmando?

– Ainda não estou pronta para chamá-la de lei, mas acho que, pelo menos, logo mais será minha teoria.

Ela havia sorrido ao comentar sobre atrair o perigo; ele ainda não entendera aquilo.

– Eu sou uma coincidência? – perguntou ele.

– Jamie é uma coincidência? – disse ela, como se estivesse falando com alguém que ele não pudesse ver. – Claro que não. Vou lhe contar depois.

– Acho que você é uma coincidência – disse ele. – E não tem nada de errado nisso. Eu lhe desejo sorte em sua viagem.

– Não houve nenhuma palavra nesta mesa que significasse algo para você? – quis saber ela. – Nada que o tenha transformado até agora?

– “Até agora” é o termo operativo – disse ele. – Diga algo capaz de me chocar, moça, algo desconhecido para mim, que possa mudar minha vida, e concordarei que você não é uma coincidência.

Ela pensou a respeito, com um sorrisinho.

–      Vou lhe dizer uma coisa – falou. – Sou hipnotizadora.

Fonte: Trecho do livro “Hipnotizando Maria”, de Richard Bach

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