A importância do nada

junho 1, 2012

Quando penso na nossa incapacidade de ficar no nada (na qual me incluo), dois pontos em especial me chamam atenção. Primeiro: nós, seres humanos, seres pensantes, precisamos dar significado às coisas, dar um sentido a partir de nosso próprio olhar. O sentido que passa pela nossa história de vida, por nossos registros.

Nosso cérebro desde cedo é bombardeado por estímulos e se acostuma a ficar sempre em funcionamento.

Ao perdermos a capacidade de ficar no nada, abandonamos alguns aspectos positivos da vida. Perdemos aquilo que alguns chamam de “ócio criativo”, aquele espaço de não fazer nada, onde surgem ótimas ideias, respostas ou insights. Perdemos também algo muito importante para o nosso desenvolvimento pessoal: a capacidade de ouvir nossos próprios barulhos, nossos diálogos internos, nossas emoções mais íntimas, nossas sensações, nossos mais secretos pensamentos.

Muitas vezes esses barulhos internos podem ser ensurdecedores, angustiantes e insuportáveis. Mas é necessário parar e ouvir para se dar conta de que algo não está bem, para poder então se acalmar e, dentro do possível, se harmonizar. Se harmonizar não significa que nossos sons internos precisem entoar uma bela melodia.

Para isso, o “nada” pode ser um grande aliado, um facilitador. Pode não parecer muito tentador, mas não tenho dúvidas do quão enriquecedor pode ser. Quando convivermos melhor com ele, talvez possamos também lidar de modo mais tranquilo com nossas emoções, sem precisar descobrir a razão por que amamos tal pessoa e não outra, por que nos sentimos bem ao ouvir o som do mar, por que nos sentimos tristes de vez em quando, por que nos emocionamos com uma música ou diante de um jardim florido. Poderemos sentir e ponto, sem entrar na espiral de hipóteses que nos enlouquecem e nos afastam de nós mesmos.

 

Fonte: livro “Mulher sem Script”, de Natércia Tiba – Integrare Editora

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Mulher sem Script

maio 9, 2012

Quero ter uma vida própria, um trabalho,

algo que me realize,

mas não quero ter que provar pra ninguém

do que sou capaz.

Eu sei do que sou capaz, e é isso que importa!

Sou capaz de amar incondicionalmente,

viver intensamente.

Sou capaz de ser elegante e

seguir regras de etiqueta.

Mas sou também capaz de quebrar as regras

sem ferir ninguém.

Sou capaz de sentir o mundo pulsando

em minhas veias,

sentir e chorar as dores do mundo.

As minhas próprias dores?

Sou capaz de chorar compulsivamente!

Minhas alegrias?

Posso gargalhar alucinadamente!

Sou capaz de me adaptar

às novas regras ortográficas,

mas quando estou emocionada

quebro todas elas sem culpa!

Quero sair de Havaianas quando meus pés

estiverem cansados dos saltos.

Parar de contar calorias, devorar um chocolate

e ser feliz mesmo assim.

Quero sair com cabelos ao vento,

deixar o rímel borrado ao chorar.

Maquilar-me lindamente ou sair de bobes se precisar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fonte: trecho do livro “Mulher sem Script”, de Natércia Tiba – Integrare Editora

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Por uma relação mais saudável

maio 7, 2012

Muitas relações entre marido e mulher, primos e amigos íntimos acabam chegando a um ponto de intimidade que surge o risco da falta de respeito. É fácil perceber isso. Vamos observar um casal hipotético que está numa locadora escolhendo um DVD para assistir. Resumidamente, descrevo três posturas distintas:

Claro que essa é uma paródia, porém não deixa de ter um fundo de verdade. Apesar de não ocorrer com todos os casais, é mais comum do que se pode pensar.

Diante dessa situação, a pergunta que me faço é:

Será que nos damos conta de quando isso começa a acontecer nas relações ou só percebemos quando os limites de respeito já estão em muito ultrapassados? Não sou defensora da ideia de que devemos ter cerimônia nas relações mais próximas. Ao contrário, acho a intimidade algo muito gostoso, mas, para que seja saudável e construtiva, deve incluir “cuidado”.

 

Fonte: trecho do livro “Mulher sem Script”, de Natércia Tiba – Integrare Editora

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Waffles

dezembro 14, 2011

Jennifer, 11 anos, acorda, arruma a cama, dá uma olhada ao redor do quarto para verificar se tudo está no devido lugar e dirige-se à cozinha para preparar seu café da manhã. Examina o que há no freezer para comer, apanha um pote de waffles congelados e conta quantos ainda restam — seis.

“Vou comer três waffles agora e três amanhã de manhã”, pensa Jennifer consigo mesma. Põe então três waffles para tostar e em seguida senta-se para tomar seu café-da-manhã.

Algum tempo depois, sua mãe e seu irmão de 5 anos, Adam, entram na cozinha. A mãe pergunta ao menino o que ele gostaria de comer no café da manhã. “Waffles”, responde Adam. Assim, ela abre o freezer para apanhálos.

Porém, Jennifer, que estava até então ouvindo tudo atentamente, dá vazão à sua raiva.

— Ele não pode comer esses waffles que estão aí! — grita Jennifer, enrubescendo rapidamente.

— Por que não? — pergunta a mãe, já com a voz alterada e a pulsação acelerada, tentando a todo custo entender o comportamento da filha.

— Porque eu é que vou comê-los amanhã de manhã! — berrou Jennifer, saltando da cadeira.

— Mas o seu irmão também quer, e hoje! — berrou a mãe em resposta.

—    Ele não pode comê-los! — gritou Jennifer, agora encarando a mãe.

A mãe, precavida contra as agressões físicas e verbais das quais sua filha é capaz nesses momentos, e já desesperada, pergunta ao filho se há alguma outra coisa que ele gostaria de comer.

— Eu quero waffles… — choraminga Adam, escondendo-se atrás da mãe.

 

Jennifer, extremamente frustrada e agitada, empurra a mãe, tirando-a do caminho, apodera-se do pote de waffles congelados, bate com força a porta do freezer, lança ao chão uma das cadeiras da cozinha, agarra o prato de waffles torrados e sai dali para o seu quarto batendo o pé, evidentemente irritada. Seu irmão e sua mãe começam a chorar. A verdade é que essa mãe não está sozinha; existem por aí milhares de Jennifer. Os pais de crianças como ela com freqüência descobrem que as estratégias que normalmente são efi cazes para modelar o comportamento de outras crianças — como explicar, ponderar, tranqüilizar, acalentar, insistir, ignorar, recompensar e punir — não têm o mesmo resultado. Mesmo os medicamentos comumente prescritos em geral não promovem uma melhora satisfatória.

Se você tem um filho ou uma filha como Jennifer, provavelmente sabe bem como os pais se sentem frustrados, confusos, irritados, tristes, culpados, completamente desarmados, esgotados e desanimados.

Essas crianças têm qualidades maravilhosas e um tremendo potencial. Na maioria das vezes, suas habilidades cognitivas usuais desenvolveram-se em um ritmo normal. Contudo, a infl exibilidade e a baixa tolerância a frustrações na maior parte do tempo obscurecem seus traços positivos, causando nelas e nas pessoas ao redor imenso sofrimento. Não há nenhum outro grupo de crianças tão mal compreendido. Seus pais normalmente são pessoas afetivas, atenciosas e bem-intencionadas, mas com freqüência se sentem culpados por não serem capazes de ajudar os filhos.

Fonte: trecho do livro “Criança Explosiva”, de Ross W. Greene – Integrare Editora

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Crianças Explosivas: quem são?

junho 29, 2011

Uma das situações familiares difíceis de lidar é quando um dos filhos tem o perfil de “criança explosiva”. Nestas situações em geral a relação familiar sofre um enorme desgaste, a criança recebe vários rótulos como rebeldes, mimados, manipuladores, mal-educados, exibidos e desafiadores.

Esses rótulos atingem não só a criança, obscurecendo suas qualidades, mas também os pais, que se sentem frustrados, confusos, irritados, tristes, culpados, impotentes, esgotados e desanimados. Estes rótulos ainda os colocam no lugar de pais incompetentes e em geral cria um abismo de incompreensão entre os pais e o filho “explosivo”.

O que é então “a criança explosiva”?

A criança explosiva é aquela que reage às situações com extrema inflexibilidade e pouquíssima tolerância à frustração. Ela reage às mudanças e pedidos simples com extrema rigidez, agressões físicas e verbais e tem uma enorme dificuldade em avaliar as consequências de suas atitudes quando se sentem frustradas.

 

Fonte: trecho do prefácio de Natércia Tiba para o livro “A Criança Explosica – Uma nova abordagem para compreender e educar crianças cronicamente inflexíveis e que se frustram facilmente”, de Ross G. Greene


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