Por que eu te amo? Por Alfredo Simonetti

julho 3, 2013

Por que nos apaixonamos por uma determinada pessoa? Pelo que ela é, pela sua essência – responderíamos de pronto, levados pelas ilusões do amor romântico. Mas é bem pouco provável que seja por isso.

            Em primeiro lugar, a paixão é rápida; quando vem é quase instantânea, e para se conhecer a essência de uma pessoa, se é que isto é possível, leva-se muito tempo. Aliás, quando depois de longo tempo de convivência chegamos mesmo a conhecer a fundo o outro muitas vezes nos surpreendemos com o que encontramos e, assustados, reclamamos: “mas você é isso ?”, “nunca imaginei que você fosse capaz disso”.

            O que causa a paixão são pequenas coisas, um detalhe do jeito da pessoa nos captura num enlaçamento vertiginoso. A psicanálise propõe que a pulsão é sempre parcial, e Roberto Carlos está certo ao cantar “… detalhes tão pequenos de nós dois…” Roland Barthes, no livro Fragmentos de um discurso amoroso , descreve este arrebatamento tão claramente que melhor é passar logo a palavra para ele:

 

No mundo animal, o que dá partida à mecânica sexual não é o indivíduo em todos os detalhes, mas apenas uma forma, um fetiche colorido do outro, que ‘me’ toca bruscamente. É a voz, a queda dos ombros, a silhueta esbelta, a quentura da mão, o jeito de sorrir. Posso me sentir atraído por uma pose ligeiramente vulgar, feita para provocar, por trivialidades sutis e móveis, que passam rapidamente pelo corpo do outro: um jeito rápido mas expressivo, de afastar os dedos, de abrir as pernas, de mexer os lábios carnudos ao comer, de se ocupar de algo muito prosaico, de tornar o corpo idiota por um segundo.

 

Quem diria que escolhemos a pessoa com quem queremos viver o resto de nossas vidas de maneira tão prosaica? Pois é… E mais: encantamo-nos com um detalhe da pessoa, mas casamos com a pessoa inteira, com todas as suas outras partes de que não gostamos, e às vezes nem conhecemos. Sem dúvida esta é uma das muitas causas do nó no casamento.

 

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Fonte: livro “O nó e o laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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Da paixão ao amor

novembro 5, 2012

A passagem da paixão ao amor é da ordem do tropeço: é sempre desconcertante descobrir que as coisas mudaram. Por mais que se saiba que isso costuma acontecer na maioria dos relacionamentos, quando as coisas esfriam um pouco ou se tornam muito complicadas, os amantes se surpreendem: “Hum? Como assim? O que é que aconteceu com a gente?”. Este é um momento importante, é um momento de decisão.

Pode ser um ponto final, ou então um ponto de mutação. Às vezes a relação termina aí, mas, muitas vezes, é exatamente nessa hora que acontece uma transformação, uma mudança para outro tipo de relacionamento.

As coisas podem não ser mais como antes, mas cada instante tem seus encantos, e cabe aos amantes ir além dos desencantos do fim da paixão e descobrir as trilhas do novo amor.

O amor pode não ser paixão, mas tem a ver com ela, não é a ausência dela: existem no amor momentos de paixão, só que mais calma e mais duradoura.

Paixão, por definição, é sentimento em ápice, é como uma montanha, vai subindo, subindo até um pico lá no alto, e depois vai descendo, descendo, e finda. Um gráfico da paixão é agudo, intenso, mas também é breve e com final certo: termina. Por outro lado, o gráfico do amor lembra mais uma cordilheira, uma cadeia de montanhas entremeadas de vales, planícies e platôs, é longo, flutuante e de final aberto: não é tão certo o que vai acontecer.

 

Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso” de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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Sobre as famosas “DRs”: são mesmo necessárias no relacionamento?

outubro 5, 2012

No campo do casamento, parece que não há muito jeito, ou o casal discute minimamente a relação, ou vai acabar discutindo intensamente na relação. Quem olha de fora e vê um casal discutindo irritada e raivosamente sobre pequenas bobagens, sobre assuntos sem importância não vê – e o casal na maioria das vezes também não vê – que o sofrimento é outro.

Geralmente há algum tema ou algum sentimento que foi evitado, ou que não foi resolvido, que não foi dito, mas que insiste em retornar por outros caminhos. Não é assim mesmo que acontece no dia a dia do casamento? Pense na última discussão que você e seu cônjuge tiveram, veja se foi mesmo em torno do verdadeiro problema, será que foi? Ou foi apenas uma maneira momentânea de descarregar a irritação? O que você acha?

É preciso esclarecer, desde já, um equivoco muito comum sobre essa questão de conversa amorosa. Enganase quem pensa que “discutir a relação” serve para resolver problemas. Não é nada disso, resolver problemas é motivo para reuniões – e olhe lá. Não se discute a relação para trocar informação ou resolver problemas (os problemas são só o pretexto). Discute-se a relação para criar um sentimento de ligação, para se sentir ouvido, sentir-se amado, pedir garantias, desfazer e às vezes fazer fantasias, e coisas assim. Discutir a relação não é uma transação cognitiva, é uma transação afetiva, uma espécie de relação sexual não corporal, não no sentido do prazer evidentemente, mas no sentido da intimidade, do envolvimento, do enlaçamento.

Certa vez um paciente me disse que agora, depois

de anos de casamento, ele estava aprendendo

a conversar com sua mulher, e explicou:

“Agora eu consigo escutar o que ela tem para

dizer sem querer ficar resolvendo tudo”. É essa

a arte da conversa amorosa.

Existem pessoas e casais que conseguem afrouxar o nó em silêncio, mas estes são alguns poucos sortudos, já que a maioria de nós tem mesmo de recorrer à palavra, esse instrumento tão frágil e tão confuso. Acontece que não é uma coisa simples este negócio de falar-no-amor, algumas pessoas não gostam, e não querem nem saber da história de discutir a relação, outras não sabem como fazer isso, enquanto outras têm muita ilusão, e outras ainda parecem que só sabem fazer isso.

Por causa dessas dificuldades, e numa tentativa de transformar “a briga” em “um diálogo” este livro apresenta algumas ideias sobre como começar uma conversa, onde pode ser melhor conversar, quando conversar e quando adiar; e também sobre o que conversar e se convém ou não evitar algum tema, e finalmente sobre como terminar um conversa, se é que existe tal coisa em um casamento.

 

Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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O companheiro e a Vida

julho 6, 2012

Em um casamento, considero que haja três possibilidades de parceria. A 1ª é quando o casal tem um projeto comum; a 2ª é quando um se engaja no projeto do outro; e a 3ª é quando ambos têm seus projetos próprios, mas um colabora com o projeto do outro.

 

 

Companheiros compartilham o mesmo pão e não importa se o pão é fresco, macio e abundante; ou se está endurecido, passado e escasso. Companheiros compartilham o que têm, o pão e os sonhos; o presente e o futuro.

 

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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Ah, as diferenças!!!

março 12, 2012

Como sem essas diferenças o amor e o casamento seriam muito tediosos, então as diferenças efetivamente servem para alguma coisa. Antes de tudo, são ideias bastante interessantes que abrem novas maneiras de se lidar com as dificuldades de relacionamento entre homens e mulheres, e também servem de matéria-prima para a conversa amorosa, como pretexto, como aquecimento para temas mais particulares e individualizados dentro da relação.

Acima de tudo, as diferenças são divertidas, e conseguem afrouxar um pouco a tensão dos nós, através do antagonismo, que mais aproxima do que afasta: de modo geral tanto os homens quanto as mulheres gostam de brincar com essas diferenças, e todos sabemos a importância das brincadeiras entre meninos e meninas, entre homens e mulheres .

 

Fonte: trecho do livro “O nó e o laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, Alfredo Simonetti  – Integrare Editora

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Homem se realiza, mulher se relaciona

julho 13, 2011

Os homens focalizam as realizações, pensam em termos de poder, são competitivos, funcionam no reino do sucesso e de seus correlatos como fraqueza e fracasso, são muito bons para resolver problemas, fazer coisas, alcançar objetivos e competir. Entretanto, naquelas situações da vida quando nada mais pode ser feito, quando não há com quem competir, quando não existe objetivo algum para ser alcançado, geralmente o homem se sente perdido e angustiado.

 Parece que a mulher suporta melhor essas situações, talvez porque, apesar de não haver nenhuma luta a ser travada, ainda há relações a serem vividas, e as mulheres são muito interessadas e eficientes em termos de relações humanas, de qualquer tipo. Os soldados vinham primeiro e conquistavam as novas terras, depois vinham as mulheres e a família para a colonização dos novos domínios.

 Se os homens precisam sentir-se conquistadores, donos da situação, poderosos, as mulheres não costumam ter problemas em conceder-lhes essa ilusão, essa aparência de poder, já que elas mesmas não precisam funcionar e responder ao impulso fálico que rege o mundo masculino.

 Parece que há vida e poder além do falo; os homens é que não descobriram isso, ou simplesmente nem chegam a entender os mistérios do poder contido no feminino. Este é um campo ainda não conquistado.

Fonte: Trecho do livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti


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