janeiro 13, 2012

Shakespeare disse que “Nós somos feitos da mesma matéria que compõe os nossos sonhos!”. Com essa afirmação, ele confere um caráter de nobreza à qualidade humana de sonhar. Entretanto, se todos sonhamos, pois não se trata de uma prerrogativa e sim de uma qualidade, por que nem todos realizamos os nossos sonhos? É que os sonhos são como os deuses, só existem enquanto acreditamos neles, e é muito forte a tendência de as pessoas sonharem sonhos nos quais elas não crêem.

É aqui, neste átimo que separa a esperança do desespero, que reside a inteligência humana. O sonho precisa da inteligência para se realizar, senão ele vira frustração. Pensar estrategicamente é dedicar inteligência à realização de um ideal, e, para isso, é necessário começar transformando o sonho – algo etéreo – em um objetivo – algo mais denso –, e chegar ao plano de ação.

Quem não sonha e não tem objetivos claros tateia na escuridão da incerteza.

Eugenio Mussak

Fonte: trecho do livro “Pensamento Estratégico para Líderes de Hoje e Amanhã” Integrare Editora

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Eu e minha timidez

setembro 16, 2011

Posso falar sobre timidez com autoridade — fui um menino que, quando brincava de Liga da Justiça, queria ser o Homem Invisível.

Nos primeiros anos do colégio, época em que as meninas e as espinhas aparecem ao mesmo tempo, eu sofri tanto com a timidez que muitas pessoas achavam que eu seria uma espécie de eremita urbano. Felizmente essa profecia não se realizou. É bem verdade que a maioria dos adolescentes apresenta algum grau de timidez, que desaparece no início da vida adulta, notadamente após os 20 anos, mas o meu era maior do que o de= meus colegas.

 Lembro de vários episódios em que a timidez me fez passar por maus bocados. Certa feita, eu e meus amigos estávamos impressionados com a beleza de uma garota nova na escola, mas ninguém tinha coragem de chegar perto. Até que aconteceu o improvável: um dia ela perguntou o meu nome. Logo o meu nome!

Juro que eu levei um tempo para lembrar como me chamava. E, quando falei, saiu aquela voz de adolescente, meio grossa, meio fina. Foi então que eu desejei ser tragado pela terra, por um poço negro e sem fundo. Ela, com toda a naturalidade, me perguntou se eu sabia como conseguir um livro, onde era a biblioteca, coisas assim. Era tudo o que ela queria — uma informação. Aí eu retomei o controle, porque sabia as respostas, mas depois fiquei horas pensando sobre o choque térmico provocado pela timidez. O frio glacial que se apoderou de meu coração quando ela falou comigo transformou-se em um calor infernal quando eu tive de responder.

Passado o susto, surgiu um calorzinho morno e aconchegante, em que eu me senti confortável, fora de perigo, ainda que me chamasse de idiota mil vezes. E a vida foi passando, entremeando embaraços com superações. No fundo, uma história comum.

A timidez é como uma barreira que nos afasta do mundo circundante, impedindo que nossos pensamentos e sentimentos sejam exteriorizados.

O tímido prefere não se expor porque teme desproporcionalmente a crítica, e o faz por dois motivos: se a crítica for severa, irá confirmar as suspeitas de sua inferioridade; se for favorável, colocará em cheque sua autocrítica. Portanto, não há saída.

Pode ser que a timidez não impeça a pessoa de se desenvolver, trabalhar, produzir e se realizar. Mas que prejudica a qualidade da vida, isso lá, prejudica. A vida é um processo de interação constante do indivíduo com o meio em que está inserto; quanto melhor for a qualidade dessa interação, maiores o conforto, a troca e o aprendizado. Qualquer barreira que isole a pessoa do convívio social provoca fissuras em seu desenvolvimento e compromete sua felicidade. Imagine viver em um pátio separado do resto da cidade por um muro alto, que impede a comunicação, apesar de não impedir que você perceba a vida que existe lá fora. Pois a timidez é esse muro.

Mas calma, nem tudo está perdido. Primeiro temos de saber que todas as pessoas têm algum muro. Pode ser mais alto ou mais baixo, mas não há quem não revele o desejo de que alguma coisa fosse diferente em si ou em sua relação com o mundo. Depois, é importante frisar que o tal muro pode ser retirado, ainda que com algum esforço. Com que ferramentas?

Veremos!

Fonte: Trecho do livro “Caminhos da Mudança”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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O companheiro e a vida

julho 29, 2011

Certa vez Tom Jobim cantou: “Vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender, fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho…”.

Com todo respeito pelo maestro, acho que ele exagerou um pouquinho na última frase. Nela ele condiciona a felicidade a não se estar sozinho, entretanto, a recíproca pode ser igualmente verdadeira, ou seja, uma pessoa que irradia felicidade tem mais chance de ter alguém a seu lado.

Mas, posta esta ressalva, vamos dar um crédito ao Tom e concordar que, quando se tem alguém ao lado, tudo fica mais fácil, mais seguro, mais completo, mais divertido. Só que – e este condicional é importantíssimo – não pode ser qualquer “alguém”, tem de ser um “alguém” a quem se possa, sem medo de errar, chamar de companheiro, ou companheira.

Aliás, este assunto também foi tema da mitologia e da poesia, ou de ambas ao mesmo tempo. Uma das mais belas abordagens é aquela em que um anjo pergunta a Deus por que Ele havia criado os Homens com “aquele defeito”.

– Que defeito? – perguntou o criador, com brandura.

– Bem – disse o anjo –, eu reparei que as pessoas só têm uma asa, e não duas como nós, e sabemos que são necessárias duas para voar. Então parece que eles nasceram defeituosos.

– Acontece, querido anjo – explicou Deus com um sorriso compreensivo –, que cada homem e cada mulher têm, sim, duas asas, só que uma está consigo e a outra está em outra pessoa. Eu os fiz assim para que eles aprendessem a voar em pares e, assim, conseguissem chegar mais alto e também para que conhecessem os verdadeiros valores divinos, como o amor, o sonho e a felicidade. Além disso – continuou –, dessa maneira eles também aprenderão a respeitar e a cuidar uns dos outros. Qualquer pessoa que magoe outra poderá machucar sua outra asa, e assim ficará impedido de voar. Só pelo amor, nunca pelo ódio, se aprenderá a voar pela vida, aproveitando toda a maravilha que ela tem para oferecer.

 

 

Fonte: Trecho do livro “Preciso dizer o que sinto, de Eugênio Mussak – Integrare Editora

 

 

 


Eugenio Mussak, em “Papo de Líder” entrevista Içami Tiba

junho 27, 2011

Eugenio: Tiba, esse seu novo livro tem uma conotação interessante porque é dedicado a Pais e Educadores, considerando que os pais devem se comportar como educadores e, alem disso, a questão do educador, que encontramos em todos os lugares (inclusive nas organizações, nas empresas em que os líderes têm que se comportar como educadores). O título do livro é “Pais e Educadores de Alta Performance”. Isso me chamou atenção e gostaria que você me explicasse para todos entenderem o que você quer com isso: por que Pais e Educadores de Alta Performance?

 

Tiba: Porque a Alta Performance, em si mesma, é uma filosofia de vida, é a prática diária de fazer o melhor possível. Daí entra a conceituação do “o que é o melhor possível?”.

Normalmente, as pessoas não sentem falta do que elas não conhecem e aí, acreditam que o que estão fazendo é o melhor possível, sem se dar conta de que muitas vezes ele já repetiu isso. Ele entrou em uma rotina do “melhor possível” e isso já não é mais o “melhor possível”.    

 

Escute a entrevista completa aqui!

Fonte: Papo de Líder entrevista, em http://www.sapiensapiens.com.br/podcast-papo-de-lider/

 


Aprender é próprio da espécie humana. Mas, quem são os mentores?

junho 2, 2011

Essa fala de Içami Tiba nos alerta para o fato de que todos nós – mas principalmente as crianças – aprendemos com o ambiente em que estamos inseridos através da interação com as atitudes das pessoas e com os valores reinantes. Aprender é próprio da espécie humana, e cabe aos educadores direcionarem esse fantástico potencial para que não se desperdice na construção de maus hábitos e condutas que não agregam valor.

Há muitos séculos, Sócrates – provavelmente o primeiro grande educador – no alertou para esse fato, criando a expressão maiêutica, que, em grego, significa a arte de dar à luz. Segundo o filósofo, a função do mestre seria a de ajudar o conhecimento a nascer, o aluno a construir seu próprio saber. Para tanto, quem assume a função de educar – a mais nobre entre as tarefas humanas – assume, ao mesmo tempo, a imensa responsabilidade de influenciar mentes, almas e futuros.

Se a educação do jovem não for direcionada, acondicionada por saberes úteis e valores elevados, ele aprenderá de qualquer maneira, só que, neste caso, sem garantia de que estará sendo formado um cidadão digno, com sua performance orientada à produção do bem.

Por isso Tiba insiste que todos somos educadores – ou educacionistas, para usar uma expressão do senador Cristovam Buarque – e que não podemos deixar de investir em nossa qualificação para tal. Sua orientação terapêutica, como psiquiatra, é a de ajudar pessoas a se inserirem no processo permanente do desenvolvimento humano.

Ninguém passa pela vida sem aprender e sem ensinar. Trata‑se de um destino genético próprio de nossa espécie. Estamos condicionados a aprender e a ensinar, entretanto, essa missão precisa ser aprimorada constantemente, pois o conhecimento cresce exponencialmente, e os valores humanos devem ser polidos diariamente, para evitar que a poeira da luta pela sobrevivência social retire seu lustro.

O precioso deste livro é ser um cadinho intelectual, em que teorias e experiências, conceitos clássicos e conselhos práticos, se encontram e se fundem em uma mensagem final de grande profundidade e imensa utilidade. Apresentado de forma simples, sem sofisticação desnecessária – ao contrário, com uma linguagem clara e correta – Pais e Educadores de Alta Performance atinge o objetivo a que se propõe: tirar os temas da educação do ambiente acadêmico, hermético, e colocá-lo ao alcance de todos, especialmente daqueles que mais precisam aprimorar‑se enquanto educadores: os pais.

Ser de Alta Performance, na visão criativa do autor, é dar mais Passos Além do que ficar Marcando Passo. Pois foi o que ele fez com este livro, deu mais um Passo Além, para que seus leitores – e aqueles que serão influenciados por eles – possam dar o seu próprio passo, seguro e otimista. Aliás, otimista porque seguro, e seguro porque educado. Boa leitura!

 Eugenio Mussak – Educador e escritor

Fonte: trecho do Prefácio feito por Eugenio Mussak para o livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba

 

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Ai, que preguiça!

maio 16, 2011

Caro leitor, você tem três alternativas para dizer de quem é a frase acima: (a) de Macunaíma, o herói sem caráter do Mário de Andrade, que se nega a levantar da rede; (b) do seu sobrinho adolescente, quando recebe uma ordem expressa para arrumar o quarto; (c) de qualquer ser humano diante de uma tarefa que não lhe dá prazer ou que ele considera inútil.

Se você respondeu (d) todas as anteriores, parabéns! Você acertou. A preguiça é companheira de todos nós, e não apenas dos adolescentes e dos macunaímas da vida. Ela é comum, constante e diária. Ela é uma espécie de defesa contra a realização de trabalhos ou atividades, e ocorre porque temos um comando central que insiste em economizar energia. Esse mecanismo é uma herança de nossos ancestrais — na época deles, era muito difícil abastecer a despensa.

Quanto menos energia gastarmos, menos necessidade teremos de ir à luta, caçar ou saquear. E, como essas coisas têm lá seus perigos, é prudente evitá-las. É melhor ficar descansando, economizando energia para as necessidades vitais. Daí surge a tal da preguiça, sussurrando em nosso ouvido para que fiquemos quietinhos, fazendo, de preferência, absolutamente nada.

Atualmente não precisamos mais mobilizar grandes esforços físicos para obter alimento. Basta ir à geladeira ou, no máximo, ao supermercado. Desenvolvemos uma organização social que tem como virtude e objetivo facilitar a vida do ser humano. Temos ao alcance de nossas mãos — e de nosso dinheiro — as benesses da ciência, a tecnologia, os serviços prestados por profissionais que ganham para isso, a organização e os métodos que reduzem esforços, e assim por diante. É assombrosamente mais simples viver hoje do que na época de nossos avós, por exemplo (o que, para a História, não significa nada — é apenas um instante transcorrido).

Imagine a trabalheira que se tinha para, por exemplo, simplesmente viver, quando o Brasil foi descoberto. Como não havia refrigeração, os alimentos não podiam ser armazenados a não ser com a adição de especiarias, e por um período muito mais curto do que é possível hoje. A tecnologia de comunicação era o mensageiro, a de transporte era o lombo do animal, a de aquecimento era a lenha. Isso sem tentar explicar o que era viver sem água encanada e sem esgoto.

Certa vez, em Portugal, visitei o castelo em que vivia Dom João VI antes de mudar-se com a corte para o Brasil, fugindo de Napoleão. Foi quando conheci o verdadeiro trono, que lhe fazia uma imensa falta no Rio de Janeiro de 1808. É uma cadeira ornada, com os braços almofadados, as armas imperiais ostentadas no espaldar e — imagine só — um buraco no assento. É isso mesmo que você está pensando: trata-se de um “trono sanitário”, cujo recipiente inferior, após o uso real, devia ser esvaziado por um servo especializado. Sinceramente… ai, que preguiça!

Fonte: trecho do livro “Caminhos da Mudança – Reflexões sobre um mundo impermanente e sobre as mudanças “de dentro para fora”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora


abril 25, 2011

Vamos começar esclarecendo que estamos falando de duas coisas diferentes. Rotina é a repetição sistemática de uma conduta. Monotonia indica que essa conduta é chata, sem sabor, aborrecida.

A rotina não é necessariamente ruim e, para algumas coisas, é necessária e desejável. Para obter bons resultados no estudo, no trabalho e na ginástica, por exemplo, é necessário que as atividades sejam repetidas sistematicamente, pois é de sua constância e de seu somatório que aparece o resultado. Eu, por exemplo, juro que gostaria de ter mais rotina em minha vida. Atualmente, meu trabalho me obriga a viajar muito, variando imensamente meus dias, o que significa que minha vida não tem rotina nenhuma. E, acredite, eu me ressinto disso. Gostaria de poder escrever todos os dias — isso me faria produzir textos mais sofisticados. Adoraria poder praticar um esporte regularmente, ou pelo menos freqüentar a academia três vezes por semana o ano todo, pois isso teria um impacto positivo em minha saúde. E por aí vai. Há várias atividades rotineiras que não são monótonas; pelo contrário, tornam-se desgastantes exatamente porque são feitas esporadicamente, sem a regularidade necessária à boa prática.

Casamento também é assim. Estar casado é conviver diariamente com um sem-número de pequenas rotinas, que podem ser maravilhosas. Ou não? Talvez a maneira como encaramos a rotina no relacionamento seja uma chance de avaliar se temos ou não um bom casamento, ou se precisamos, pelo menos, fazer alguns ajustes. Estar casado significa dormir com a mesma pessoa todas as noites e acordar ao lado dela todas as manhãs. Gostar disso significa ter um bom casamento.

A rotina de um bom casamento é composta por um imenso conjunto de minúcias adoráveis: beijar as costas do outro antes de dormir; levantar primeiro de manhã para ir ao banheiro e deixar a escova dele já com pasta de dente sobre a pia; servir, um ao outro, a primeira xícara do dia com a mistura exata do café com o leite; secar a louça enquanto o outro lava; ligar do trabalho no meio da tarde. Essas são rotinas, sim, mas rotinas saborosas, desde que nelas haja o tempero adocicado do amor em oposição ao amargo sabor da obrigação.

Estar casado é dividir os momentos que se repetem e, por isso mesmo, se aprimoram. Lembro-me de ter perguntado à minha mulher por que de repente ela parecia absorta e ausente — o que muito me irritava. Então, ouvi uma suave explicação: “Há momentos em que sinto necessidade de agradecer”. Levei um tempo para perceber — macho troglodita — que ela agradecia pela rotina, pelo prazer de ter ao seu alcance a segurança de entender sua vida e controlar seus movimentos.

A monotonia, em contrapartida, é a vilã não só do casamento, mas da vida como um todo. Definitivamente, a monotonia é inimiga de quase tudo de bom que nasce da alma humana. Ela mata a criatividade, afoga a alegria, sufoca as relações, amaldiçoa a felicidade. Monotonia significa manter o mesmo tom, mesmo tendo à disposição uma grande variedade deles. A palavra “monotonia” remete à metáfora auditiva, então vale a pena lembrar: o ouvido humano normal é capaz de perceber sons de freqü.ncias entre 15 e 25.000 Hz. Isso permite ao cérebro captar uma quantidade imensa de sons, porque ele precisa disso para conectarse com o ambiente e compreendê-lo. Não é justo — nem com a biologia nem com a psicologia, muito menos com a poesia — aprisionar alguém a poucos tons. A monotonia, via esta metáfora, é desumana e destrutiva.

Fonte: Texto retirado do livro “Caminhos da Mudança – Reflexões sobre um mundo impermanente e sobre as mudanças de “dentro para fora”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora



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