Casal: parceria e companheirismo. (por Eugenio Mussak)

outubro 26, 2015

Em um casamento, considero que haja três possibilidades de parceria. A primeira é quando o casal tem um projeto comum; a segunda é quando um se engaja no projeto do outro; e a terceira é quando ambos têm seus projetos próprios, mas um colabora com o projeto do outro. É mais fácil verificar isso no âmbito das carreiras, então, vejamos.

Primeiro tipo de parceria: ter um projeto de carreira comum. Isso é maravilhoso, mas é o mais complicado, pois pressupõe mais contato, e, como consequência, maior superfície de atrito. Acontece com os casais que trabalham juntos, o que é mais comum do que se imagina. Vivemos uma época em que os bons empregos não estão caindo das árvores, o que leva as pessoas, especialmente as mais ambiciosas, a empreender seus próprios negócios. Em outras palavras, a criar seus próprios empregos. E, nesse caso, é comum o casal resolver trabalhar junto, dividindo as tarefas, as responsabilidades e os resultados. Luiz Felipe e Gisela são um bom exemplo disso. Eu os conheci há mais de uma década quando ainda estavam buscando consolidar sua empresa de cosméticos em Curitiba. Lembro de o Luiz Felipe ter‑me dito uma vez, com seu jeito brincalhão: “Fazemos tudo em par Trabalhamos, sonhamos, viajamos, estudamos, brigamos e até dormimos juntos”. Hoje sua empresa tem sucesso nacional, e eles continuam fazendo tudo juntos.

Segundo tipo de parceria: engajar‑se no projeto do outro. Acaba tendo um efeito parecido com o do primeiro tipo, pois o projeto que era de um pass a pertencer a ambos. Foi o caso de Yves e Pierre. O jovem Yves tinha recém-voltado a Paris, após servir o exército na guerra da independência da Argélia, e queria retomar a carreira de estilista que tinha começado anos antes na casa Christian Dior. Só que agora com seu próprio estilo e com seu nome, então criou a marca YSL, ou Yves Saint Laurent. A ideia, o nome, o talento eram seus, mas ele não teria chegado ao tapete vermelho da alta costura francesa e mundial se não tivesse contado com seu parceiro Pierre Bergé. Foi ele quem deu o apoio financeiro e a estrutura empresarial, foi responsável pela gestão, pela estratégia e pelo marketing. O projeto era de Yves, mas Pierre embarcou nele e o tornou possível. A relação afetiva entre ambos durou 15 anos, mas a parceria profissional durou 45, até a morte de Saint Laurent, em junho de 2008. A ele o mundo da moda deve a introdução do smoking feminino, que popularizou o uso das calças compridas para mulheres, e também foi YSL que deu à moda prêt‑à‑porter um caráter mais popular sem perder o glamour da alta costura.

Terceiro tipo de parceria: casais em que um apoia o projeto do outro.

Em uma sociedade competitiva, que se constrói pela força do conhecimento, não é incomum o marido e a mulher construírem carreiras brilhantes em áreas de atividades diferentes, mas igualmente exigentes em relação ao estudo e ao preparo. É o caso da Joyce e do Daniel. Ela, dentista conceituada, estudiosa, antenada, autora de um livro sobre odontologia geriátrica. Ele, executivo cobiçado pelas empresas de tecnologia, poliglota, conhece como poucos o mundo high-tech e dos negócios que resultam dele. Suas áreas profissionais são diferentes. Em comum, mesmo, só os gêmeos Pedro e Gustavo, e o projeto para mais um filho. Mas é bonito ver como um se interessa pela carreira do outro, como estimula, torce, sofre, se orgulha.

Parceiros são assim, estão juntos para dar força um ao outro, para compreender, para aconselhar, para abraçar, alegrar‑se, chorar junto. Como já disse, não é importante que ambos torçam pelo mesmo time, mas ambos têm de torcer.

Companheiros compartilham do mesmo pão e não importa se o pão é fresco, macio e abundante; ou se está endurecido, passado e escasso. Companheiros compartilham o que têm, o pão e os sonhos; o presente e o futuro.

insta_26_10_Preciso dizer o que sinto_Eugenio Mussak_Integrare_Edit

 

 

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

Anúncios

Você pensa antes de falar?

outubro 19, 2012

 

Clareza de idéias é uma qualidade dos bons comunicadores: eles tornam claros os pensamentos para que os outros possam “vêlos”. Organizam as idéias antes de organizar as frases. Comece a observar se você pensa antes de falar, assim como pensa antes de escrever, e se organiza as frases com a melhor lógica possível. Depois, treine a melhoria da organização de suas frases. Sim, ter clareza pode ser uma questão de treinamento.

Não tenha medo de ser considerado pedante por conjugar os verbos corretamente, fazer concordância pronominal e pronunciar as palavras por inteiro, sem comer finais ou deixar partes entregues ao subentendido. Prefira ser elogiado pela clareza. Quando alguém não entender sua mensagem, pergunte a si mesmo: “Por que será que eu não me fiz entender?”, em vez de transferir a responsabilidade ao outro, perguntando: “Por que será que ele não me entendeu?”.

Clareza de expressão é a manifestação externa da lucidez do pensamento. Pessoas lúcidas são as que luzem, ou seja, emitem “luz”, e seu traço principal é a coerência das idéias na construção das frases. “Lúcida” é o nome que se dá à estrela mais brilhante de uma constelação, também chamada “estrela alfa”. “Lúcida” é ainda a designação de uma técnica de lapidação de diamantes que confere à pedra um brilho maior, que se traduz em imensa beleza. Pessoas lúcidas também são assim: brilham mais pela maneira como se comunicam.

Demonstre lucidez pela organização de seu discurso. O ritmo adequado da fala facilita o entendimento da mensagem. Observe a velocidade, pois há quem fale depressa demais, assim como há quem fale muito devagar. O primeiro tipo angustia o interlocutor, pois não cria o tempo necessário à interpretação; o segundo irrita com a monotonia, pois o entendimento de uma frase acontece antes que ela termine, e isso pode gerar dispersão. O timing verbal também deve levar em consideração o comprimento das frases, a obediência à pontuação e a ênfase das sílabas mais significativas. E, principalmente, lembre-se de colocar suas opiniões dentro, e não por cima  da conversa geral com outras pessoas: isso garantirá que você seja sempre uma pessoa agradável de conversar.

 

Fonte: livro “Caminhos da Mudança” de Eugenio Mussak – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Saiba mais sobre o livro!


Não quero ser uma cópia!

setembro 14, 2012

Afinal, de onde surgem os estereótipos? Eles são, necessariamente, ruins? Como fazer para evitar que os estereótipos se transformem em caricaturas que enquadram as pessoas e as condenam a viver um papel que não escolheram e que sequer aprovam? Como alguém pode manter a identidade e ser fiel às suas convicções e valores em uma sociedade que rotula as pessoas? Perguntas que incomodam, principalmente porque não têm respostas muito convincentes.

O médico francês Jacques Lacan, que passou da neurologia para a psiquiatria, e desta para a psicanálise, à qual acrescentou os saberes da linguística e da antropologia estrutural, apresentou conceitos que podem nos ajudar a entender um pouco o mistério dos estereótipos. Por exemplo: “Eu sou o que vejo refletido sobre mim nos olhos dos outros”. Ou ainda: “Com frequência, os símbolos são mais reais do que aquilo que simbolizam”.

Pois é, parece que nós, humanos, fazemos a representação da realidade por meio da identidade com o grupo a que pertencemos. Realmente, não há como negar que o ser humano é um animal gregário, que depende do grupo para sobreviver física e emocionalmente. Quanto a isso, não resta dúvida. Como também não se pode discutir que os traços culturais servem para criar elementos de distinção grupal, e que eles conferem sensação de conforto e segurança.

Então está explicado porque criamos grupos e classificamos as pessoas, mas – sempre tem um mas – daí a aceitar que as pessoas sejam carimbadas e recebam atributos artificiais e se conformem com a situação, há uma imensa distância. Por isso eu gostei muito daquela propaganda na TV que propõe às pessoas uma reflexão, desafiando “Está na hora de você rever seus conceitos”. E faz a incômoda provocação depois de mostrar algumas cenas em que pessoas reagem mal a determinadas situações, como uma mulher branca casada com um negro, um homem mais velho com uma mulher mais nova, ou o contrário. Em um dos filmes, em um hall de entrada de um edifício de luxo, uma madame recomenda a outra mulher, vestida de maneira simples, que suba pelo elevador de serviço, para depois descobrir que se trata da nova moradora que acabara de comprar o apartamento de cobertura. Realmente, está na hora de rever os conceitos, porque quando eles são formatados por antecipação, são, na verdade, preconceitos.

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Saiba mais sobre o livro!


O risco de tentar

julho 27, 2012

 

Disse Theodore Roosevelt: “Prefiro arriscar coisas grandiosas para alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-me à derrota, a formar fila com os pobres de espírito que não gozam nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta na qual não conhecem derrotas nem vitórias”.

Dita por alguém com o histórico desse homem, essa frase faz sentido e ganha legitimidade. Mas ninguém precisa ser presidente, nem explorador, nem ganhar o prêmio Nobel para perceber que, da vida, é possível receber muito ou receber pouco, e contribuir mais ou contribuir menos, sempre dependendo dos riscos que se deseja aceitar. Theodore afirmava ser do tipo que prefere enfrentar o risco de perder ao risco de não ganhar.

Traduzindo para o bom português: quem não arrisca não petisca.

 

É matemático: quem não tenta não corre riscos, mas também nada consegue. Aprendemos a caminhar porque tentamos e não desanimamos com os primeiros tombos, ou seja, com as primeiras derrotas — sem eles ainda estaríamos engatinhando. Roubamos o primeiro beijo correndo o risco de levar um tapa; conseguimos o primeiro emprego arriscando-nos a levar um rotundo não; passamos no vestibular sob o risco de ser reprovados (é o que acontece à maioria). Não haveria a menor possibilidade de conseguir alguma dessas vitórias sem a predisposição a suportar o fracasso.

Esse é o risco. Mas cuidado: há tentativas e tentativas. Mestre Yoda, o forjador de guerreiros do Universo, afirmou: “Faça, ou não faça — a tentative não existe”. Foi uma lição necessária a seu pupilo Luke Skywalker, que disse, desacreditando de si mesmo, que faria uma “tentativa” de retirar a nave encalhada no pântano, o que enfureceu o mestre.

 

Ora, pessoas que dizem que vão apenas “tentar” estão dizendo, por antecipação, que não conseguirão; afinal, “era difícil, e tudo não passou de uma mera tentativa”. E aí fica tudo bem, pois o mundo desculpa a falha decorrente de uma tentativa despretensiosa. Essa é a tentativa pela tentativa, sem compromisso com o resultado. A derrota que deriva dessa tentativa inglória não tem importância, porque é acobertada pela própria pequenez.

O compromisso com a tentativa é bem diferente do assumido com o sucesso. Não obter o resultado esperado causa indignação, mas reforça a certeza de conseguir o que se quer na próxima vez, até porque agora já se conhece o caminho errado. Esse foi o espírito de Thomas Edison que, na 999ª tentativa frustrada, disse: “Descobri mais um modo de não fazer a lâmpada”. A tentativa seguinte deu certo — e o mundo nunca mais foi o mesmo.

 

Devemos correr riscos sim, pois sem eles não há conquistas. Navegar é preciso, lembra o poeta, e com isso ele traz duas mensagens: a de que precisamos navegar para conquistar mundos, e a de que deve haver precisão na aventura de navegar. O marujo navega sabendo para onde vai e conhecendo os riscos de navegar. Somente assim ele chega ao destino.

 

Fonte: livro “Caminhos da Mudança – Reflexões sobre um mundo impermanente e sobre as mudanças de dentro para fora” de Eugenio Mussak – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Saiba mais sobre o livro!

 


O companheiro e a Vida

julho 6, 2012

Em um casamento, considero que haja três possibilidades de parceria. A 1ª é quando o casal tem um projeto comum; a 2ª é quando um se engaja no projeto do outro; e a 3ª é quando ambos têm seus projetos próprios, mas um colabora com o projeto do outro.

 

 

Companheiros compartilham o mesmo pão e não importa se o pão é fresco, macio e abundante; ou se está endurecido, passado e escasso. Companheiros compartilham o que têm, o pão e os sonhos; o presente e o futuro.

 

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Clique aqui para baixar o 1º capítulo do livro!


Amizade com o tempo

junho 22, 2012

Os gregos, que encontravam explicação para tudo por meio das forças emanadas pelo monte Olimpo, não se contentavam em ter um deus do tempo, tinham logo dois: Chronos e Kairós. Um só deus grego não seria suficiente para explicar a relação do homem com o tempo, tamanha a tensão que existe entre ambos.

A única proeza em que o homem teve sucesso, a respeito do tempo, foi conseguir medi‑lo. Para isso, analisou ciclos, como os movimentos da lua e do sol, observou seu efeito sobre a natureza e então padronizou os tempos, do ano, das estações e dos dias, posteriormente divididos em frações, chamadas, horas, minutos, segundos. Em sua arrogância, o humano acreditou que, ao medir o tempo, o controlaria. Doce ilusão. As medidas só serviram para aumentar a sensação da passagem veloz do tempo, que escorre pelas mãos, como a água que, formada por moléculas, sempre encontra um caminho para seguir seu destino, que é a gravidade. O tempo é assim, líquido, escorre pelas mãos, atraído pela gravidade do destino.

Mas nem tudo está perdido, pois nós, humanos, podemos ser apenas pobres mortais, mas temos uma ferramenta que nos permite controlar, se não o tempo, nossa própria existência. Ela se chama consciência. E nos permite conviver com o tempo a partir de três visões: da física, da metafísica e da ética. Do ponto de vista físico, o tempo pode ser medido; no âmbito da metafísica, o tempo pode ser sentido; e, de acordo com a ética, o tempo deve ser vivido.

 

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto”, de  Eugenio Mussak – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Clique aqui para baixar o 1º capítulo do livro!


Nunca estamos livres do falatório

janeiro 20, 2012

Dizem que a fofoca existe pelo simples motivo de vivermos em sociedade. Para que isso seja justificativa suficiente, vale então lembrar que, para que um grupo de pessoas passe a ser considerado uma sociedade, é necessário que tais pessoas tenham interesse umas pelas outras, e, neste caso, é inevitável que umas comentem sobre as outras. De certa forma, ao fazer um comentário sobre alguém, estamos tentando compreender a essência da própria espécie humana, portanto estamos fazendo um exercício de autoconhecimento. Aquele que não se interessa por ninguém padece de uma sociopatia que o leva a se afastar do convívio, o que prejudica até a relação intrapessoal. Portanto, parece que todo mundo faz fofoca. O que varia entre as pessoas é a quantidade e a natureza da fofoca que fazem. Há gente muito fofoqueira, e há os fofoqueiros circunstanciais. Há aqueles que usam a fofoca como maledicência, realmente prejudicando aqueles que são seu alvo; e há os que se divertem com fofocas inocentes. Mas todo mundo faz fofoca, é da natureza humana.

O grande mal da fofoca é a parcialidade da interpretação de quem a faz. Comentar algo sobre a vida de alguém é uma coisa, emitir juízo de valor sobre ela é outra. Dizer que o chefe do escritório está trabalhando demais e tem apresentado sinais de stress é uma coisa; mas insinuar que ele fica no escritório porque, provavelmente, está brigado com a mulher, e ainda por cima, desconta isso nos funcionários é outra totalmente diferente, convenhamos.

Fonte: trecho do livro “Preciso dizer o que sinto”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Clique aqui para baixar o 1º capítulo do livro


%d blogueiros gostam disto: