Pais: merecem, mas não recebem gratidão. De quem é a culpa? Por Içami Tiba

abril 22, 2013

Antes de sair para o trabalho, um homem de meia-idade coloca o pai dele, um velhinho de 90 anos, para tomar um pouco de sol. Ao voltar para casa no fim do dia, porém, percebe que aquele senhor idoso permaneceu no mesmo lugar, passando frio e no escuro. Esqueceram de guardar o idoso! Atônito, ele cobra dos filhos, netos desse senhor:

 

– Vocês se esqueceram de guardar o vovô!

 

            E, dirigindo-se a qualquer um deles, ordena: “Vai tirar o vovô do frio!”. Em resposta, imediatamente, um neto diz para o outro: “Eu tirei ontem. Agora, vai você!”.

 

 

O que aconteceu nessa história? Por que um homem que se sacrificou tanto pelos filhos tem de ser vítima de um jogo de empurra-empurra? Ele foi um mau pai? Ele maltratou os netos? Por que os netos não cuidam do avô?

            O pai lhes deu muito amor, proveu em tudo, perdoou. Mas não usou o lema “Quem Ama, Educa”. Ou seja, esses jovens não foram educados. Ele deu tudo do bom e do melhor para os filhos, mas não aplicou o amor que exige, a meritocracia, a cidadania familiar. Em suma, não agiu de modo que eles cumprissem com suas obrigações. Fez tudo pelos filhos e para que eles fossem felizes – só que felicidade à custa dos outros não dá autonomia, não é independência. E quem não tem autonomia nem independência não pode ser feliz.

            Será que é isso que os pais querem na velhice? Ser um empecilho, um incômodo para os filhos e netos? Não! Pais idosos merecem receber gratidão por tudo o que fizeram pelos filhos e netos, principalmente quando precisam de cuidados! Pois é hora de arregaçar as mangas: filho que merece ganha regalias. Aquele que não merece vai ter de se esforçar.

          Os pais não podem ter pruridos para colocar em prática a meritocracia – é essa a porção de amor que ficou faltando para esses jovens. Quando eles nasceram, ganharam um amor dadivoso, gratuito. Não tinham mérito nenhum para recebê-lo, mas ganharam simplesmente porque são filhos.

            Quando tiveram idade para aprender, passaram a necessitar de outro tipo de afeto – o amor que ensina. Porém, toda vez que não colocaram em prática os ensinamentos que estavam recebendo, foram poupados do amor que exige – ou seja, os pais optaram por ensinar outra vez o que já haviam ensinado quando deveriam ter exigido que fizessem o que lhes fora ensinado.

          Na época, os pais nem percebiam que estavam errando, talvez até pensassem que estivessem fazendo o melhor possível repetindo o ensinamento. A atitude de ensinar outra vez sem que o filho tente fazer o que aprendeu é negar a primeira lição, é não passar da primeira fase do aprendizado. Isso porque, ao ser exigida, a criança descobre na ação a sua responsabilidade. Quem nada faz, por nada responde. Promessas podem ser lançadas ao vento e palavras não supõem responsabilidade. O que realmente possui mérito é a ação prática, são os resultados.

 

Imagem

 

Fonte: livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

 

Anúncios

Seguindo a meritocracia: do ignorante ao virtuoso

outubro 26, 2012

Se essa pessoa se empenhar e praticar dez mil horas de violino, como comprovou Malcolm Gladwell no seu livro Fora de Série (Outliers), criará inteligência para a tarefa, tornando‑se expert. Em dez mil horas, ela vai desbravar uma área do cérebro desconhecida, conquistá‑la aos poucos e criar expertise. Uma vez dominada a técnica, bastará aperfeiçoá‑la – muito diferente de tecer dez mil horas a mesma teia de aranha.

Assim, a estrutura biológica e o funcionamento da mente são tão sofisticados que, quanto mais se usam, mais aprimorados eles se tornam. Tanto que o envelhecimento mental nada mais é do que o desuso do que se desenvolveu. A mente é uma energia viva que se expande com o uso ou se retrai com o desuso. Tal como um músculo que se atrofia quando é imobilizado para que se processe uma recuperação de uma fratura óssea.

Quando falamos em sucesso, não nos referimos a uma conquista estanque – um prêmio para o resto da vida. Depois que se domina o que atraiu o sucesso, é preciso ir atrás de novos desafios, aprimorando‑se e buscar novas vitórias que revertam em novos sucessos.

Um dos grandes sofrimentos do ser humano é não suportar viver longe do sucesso, uma vez tendo experimentado o seu sabor. Algumas pessoas são frágeis e não desenvolveram a personalidade, mas sim uma certa função. Essa função é resultado de um trabalho; porém, é preciso aperfeiçoar o trabalhador para que tenha outras funções de sucesso. Tais pessoas ganham popularidade instantânea, tornando‑se conhecidas, reconhecidas por estranhas, com sua autoestima elevada às alturas pela atenção alheia. Se não tiver ou puder desenvolver novas competências, toda essa movimentação festiva em torno delas se esvai e perdem a notoriedade.

Mas viver no anonimato como viviam antes se torna insuportável. Passam a correr atrás do sucesso e essa é uma premissa errada: entram em depressão, desvalia, baixa autoestima, abuso de drogas e até podem cometer suicídio. Em resumo, o sucesso pode atrapalhar uma pessoa se ela não estiver preparada para tê‑lo.

Por outro lado, nem todas as pessoas que merecem têm sucesso. Quando o sucesso gera um legado para a humanidade, contribuindo para o avanço da civilização, a pessoa torna‑se célebre e merece ser homenageada, com feitos comemorados mesmo após a sua morte.

Pais que estão preocupados com o sucesso de seus filhos não podem embriagá‑los com a falta de mérito para obtê‑lo. Quando um jovem sai para desbravar o mundo, ele é apenas mais um. Pode acabar se frustrando se tiver uma autoimagem distorcida.

Portanto, ao educarem seus filhos, os pais não podem simplesmente achar que qualquer ação do filho merece aplausos. Isso é amor gratuito, dadivoso, que existe dentro de casa. Na rotina da vida, não será no emprego e muito menos no âmbito social que o querido e protegido filho irá conseguir atrair o sucesso se não o merecer.

 

Fonte: livro “Pais e Educadores de Alta Performance” de Içami Tiba – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Saiba mais sobre o livro!

 


%d blogueiros gostam disto: