Castigos ou consequências. (por Maria Tereza Maldonado)

janeiro 22, 2016

Gisela está preocupada, sem saber o que fazer com Rodrigo, seu filho de 10 anos: “Ele não aceita castigos. Ontem, não fez os deveres de casa; eu disse que vai ficar uma semana sem televisão. Sei que é inútil, porque, assim que saio para o trabalho, ele faz o que quer e a empregada não tem a menor autoridade com ele. Se já me desafia desse jeito, o que vai fazer comigo quando for adolescente? Em casa, estamos só nós dois, o pai casou de novo e quase não aparece, e ele já está quase do meu tamanho…”.

 

Essa é uma queixa freqüente na maioria das famílias, mesmo quando há pai e mãe dentro de casa. Porém, em algumas famílias uniparentais, o acúmulo de funções (a mãe provedora e educadora, sem participação do pai) pode dificultar o exercício da autoridade. No entanto, é bom lembrar que autoridade não é sinônimo de autoritarismo nem precisa de força física para ser exercida. O filho pode ficar mais alto e mais forte e, ainda assim, respeitar a autoridade dos pais. É uma questão de hierarquia.

 

As mensagens que comunicamos vão por três canais: a palavra, a postura corporal e as ações. Quando esses três elementos estão integrados, enviamos mensagens fortes; quando não há coerência entre os canais, é a palavra que mais facilmente fica desacreditada. A mãe sabe que o castigo é inútil porque não será cumprido; o filho sabe que não precisa levar a sério as palavras da mãe porque, como acontece em outros cenários da vida nacional, “tudo acaba em pizza”.

 

Na educação para a responsabilidade, as consequências são muito mais eficazes do que os castigos. Essa não é uma simples substituição de palavras, é uma mudança de conceito.

Castigo é punição, frequentemente dado na hora da raiva, sob a forma de ameaças ou de modo exagerado (“Vai ficar sem brincar na casa dos amigos até o fim do ano!”). Passada a raiva, os pais esquecem ou “atenuam a sentença”, com pena do filho, que suplica e promete não fazer de novo o que o levou à “condenação”.

 

Dar um castigo e não cumpri-lo é o caminho mais curto para a impunidade dentro de casa e estimula crianças e jovens a manipular os pais. Dar consequências é uma medida essencial na educação para a responsabilidade: primeiro os deveres, depois os prazeres (“quando terminar o trabalho da escola pode ver televisão”); estragou, tem de consertar (“sei que você não derramou o suco de propósito, mas precisa limpar a mesa”); usou, tem de colocar no lugar (“pegue a calça que você jogou no chão e ponha no cesto de roupa suja”). A consequência tem uma ligação lógica e imediata com o que foi feito de maneira errada ou deixou de ser feito, com o propósito de corrigir o erro ou a omissão. Precisa ser enunciada com firmeza e persistência para que possa ser atendida. Cumprir a consequência determinada é condição para desfrutar os privilégios desejados.

 

Isso também funciona para os adultos: imaginem como nosso país funcionaria melhor se, quando as leis não fossem respeitadas, as consequências cabíveis fossem aplicadas, as multas, cobradas, e se existisse uma real intolerância com a cultura da impunidade que vigora em todos os setores da sociedade!

 

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Fonte: livro “Cá entre nós”, de Maria Tereza Maldonado. Integrare Editora

 

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Negar, evitar ou fugir de conflitos? (por Maria Tereza Maldonado)

setembro 4, 2015

Há quem confie na passagem do tempo para diluir o conflito, há quem prefira não tomar conhecimento daquilo que está acontecendo; há quem queira “empurrar com a barriga” dando mais um tempo para enfrentar o problema ou mudando de assunto.

Ocasionalmente, verificamos que “o tempo é o melhor remédio” que dilui alguns conflitos. Porém, é arriscado fugir com frequência dos conflitos: ao não se esforçar por atender as próprias necessidades ou ao perceber que o outro foge dos problemas fazendo pouco caso deles, a pessoa acaba acumulando raiva e frustração até o ponto de ruptura ou explosão.

Outro risco sério é adoecer: como diz Adalberto Barreto, psiquiatra e antropólogo brasileiro, “quando a boca cala, o corpo fala”. O hábito de fugir dos conflitos faz mal à saúde: estresse no trabalho, casamento insatisfatório, condições ruins de vida podem adoecer pessoas, equipes e comunidades.

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Fonte: livro “O bom conflito”, de Maria Tereza Maldonado. Integrare Editora

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O reizinho da família. (por Maria Tereza Maldonado)

agosto 10, 2015

Ana Cláudia desabafa: “Não agüento mais meu filho! Agora me arrependo de tê-lo criado tão cheio de vontades. Primeiro filho, primeiro neto dos dois lados, as famílias achando tudo o que ele fazia uma gracinha. Parei de trabalhar para ficar totalmente disponível. Moral da história: o reizinho é um tirano. Faz cenas horríveis quando é contrariado. Brigo com ele, grito, mas não adianta”.

Essa é a queixa de pais que criaram os filhos na base da lei do desejo, e não da lei do consenso. O filho cresce achando-se no direito de sempre ocupar o primeiro lugar e pensando que os outros são seus súditos, que existem para satisfazer seus desejos. Não desenvolve a capacidade de perceber as necessidades dos outros e respeitá-los; não suporta a frustração e não consegue esperar. Por isso, não é capaz de construir um bom convívio, regido pela lei do consenso: dar um pouco do que cada um quer, para que todos tenham vez.

A crescente exigência do reizinho torna os familiares frustrados e enraivecidos; passam a brigar e a reclamar da criança solicitadora, insistente, insuportável. O clima do convívio fica difícil e a criança acaba se sentindo rejeitada e infeliz.

A melhor maneira de prevenir essa situação é dar à criança, desde pequena, a noção de que ela é importante, mas não é a única pessoa no mundo que tem o direito de ser atendida. Os outros têm o mesmo direito. Essa é a base da relação de troca, do dar-e-receber que permite o desenvolvimento da bondade, da gentileza e da tolerância. Dizer “Agora não”, “Já li essa história três vezes para você, agora chega” são frases que provocam frustrações necessárias, dentro da realidade de que nem tudo acontece na hora em que a gente quer ou do jeito que desejamos. Desenvolver a consideração pelos outros e por si mesmo conduz ao equilíbrio e a maiores possibilidades de satisfação. A capacidade de esperar é a base do bom planejamento; a capacidade de tolerar frustrações é a base da aprendizagem, pois é preciso persistir e suportar os erros até adquirir o conhecimento ou a habilidade de fazer o que nos propomos.

O que leva os familiares a tratar a criança como reizinho? Comumente, os sentimentos de pena e de culpa (porque a criança é adotada, ou nasceu doente, ou os pais se separaram, ou a mãe trabalha o dia inteiro etc.) criam a necessidade de compensá-la realizando a maioria dos seus desejos. Os outros motivos são: pensar que vai conquistar o amor do filho fazendo tudo o que ele quer; ter passado por privações ou ter se sentido pouco atendido, dando ao filho tudo o que gostaria de ter recebido; achar que ser bom pai ou boa mãe é atender a todos os pedidos dos filhos.

No entanto, é bom lembrar que essa conduta é prejudicial para o filho. O amor envolve não somente a atenção e o atendimento às necessidades da criança, mas também o preparo para que ela viva no mundo com os outros.

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Fonte: livro “Cá entre nós: na intimidade das famílias”, de Maria Tereza Maldonado – Integrare Editora

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Relacionamentos por impulso (por Maria Tereza Maldonado e Mariana Maldonado)

julho 27, 2015

E esse gosto pelas novidades? Você troca de celular assim que um modelo novo é lançado, mesmo que o seu esteja atendendo perfeitamente bem às suas necessidades? Em que medida esse comportamento de jogar fora as pessoas sem ao menos se dar o tempo de conhecê-las melhor reflete o consumismo que nos induz a pensar que o produto novo é melhor do que o antigo? Você se alimenta com a esperança de que, se o namorado da vez não preencher as expectativas depois dos primeiros tempos de encantamento, o próximo será melhor? Não necessariamente!

Construir um relacionamento é um processo que depende de tempo e paciência, coisas que não combinam com a cultura da satisfação imediata. Relacionamentos rapidamente consumidos e descartados começam e terminam no impulso, sem tempo de nutrir o desejo e desenvolver o amor.

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Fonte: livro “Palavra de mulher: histórias de amor e de sexo ”, de Maria Tereza Maldonado, Mariana Maldonado – Integrare Editora

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Conflito: oportunidade de mudança e melhoria nos relacionamentos (por Maria Tereza Maldonado)

junho 8, 2015

Felizmente, na maior parte do tempo, conseguimos nos entender razoavelmente bem com os outros, embora a maioria de nós não valorize isso e coloque lentes de aumento nas divergências, achando que a vida é dura e está cada vez mais complicada.

Os conflitos fazem parte da vida de todos nós e acontecem até nos relacionamentos mais harmônicos. Mesmo sem perceber, no decorrer do dia fazemos vários acordos na família, na escola e no trabalho. Porém, apesar de nossa prática de lidar com as divergências, podemos aprender a resolvê-las de modos mais eficazes.

A capacidade de resolver conflitos com eficácia e agilidade – por consenso, conciliação, negociação, mediação, arbitragem – é, cada vez mais, um recurso indispensável à nossa sobrevivência. Porém, isso depende da disposição de todos os envolvidos, no sentido de trabalhar em colaboração e co-responsabilidade, aprendendo a atacar os problemas sem atacar as pessoas.

É preciso olhar o conflito como oportunidade de mudança e de melhoria nos relacionamentos, aprimorar nossos recursos de comunicação e ter disposição para encontrar os pontos em comum nas divergências. É isso que torna possível construir acordos satisfatórios para todos os envolvidos e melhorar a qualidade do relacionamento.

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Fonte: livro “O bom conflito”, de Maria Tereza Maldonado – Integrare Editora

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Tem gente que é mais enrolada que novelo de lã! (por Maria Tereza Maldonado)

maio 25, 2015

Para a pessoa que se enrola desse jeito, a vida é uma complicação que não tem mais fim. E ela acaba pensando que tudo é difícil, que as coisas vão mal e que sempre tem gente contra ela, querendo persegui-la e prejudicá-la.

O novelo cresce tanto que a pessoa enrolada acaba até pensando que o mundo inteiro tem uma dívida com ela! Vive achando que tem de ser indenizada por perdas e danos, por tudo o que já sofreu ou deixou de ter. Lamentos, acusações, choro, confusão, brigas, tristeza, mágoa, ressentimento, inveja, ódio, tudo isso ajuda a emaranhar esse novelo de raiva sofrida. A pessoa vive se complicando e dificultando o convívio ao achar que a vida de todos está muito melhor que a dela, que não existe ninguém mais prejudicado do que ela.

Campeonato de sofrimento? Qual é o prêmio para quem tira o primeiro lugar?

Trono de vítima tem suas vantagens: a pessoa sofre, mas, se conseguir fazer alguém sofrer bastante com culpa, remorso e desespero, quem sabe acaba ganhando o que pediu ou exigiu? E se começar a deixar de gastar todo esse talento para complicar e infernizar? Talvez então consiga acreditar que, se procurar com mais afinco, acabará encontrando o fio da meada para desenrolar o novelo. Recuperando o fio, aos pouquinhos, a pessoa poderá usar a criatividade até para fazer tricô!

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Fonte: livro “Histórias da vida inteira : como transformar obstáculos em caminhos”, de Maria Tereza Maldonado – Integrare Editora

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Somos nossos próprios carcereiros. (por Maria Tereza Maldonado)

maio 11, 2015

É muito difícil admitir, mas somos nossos próprios carcereiros. É assustador se ver como diretor da própria vida, dono de si mesmo. Por isso, é comum procurar rapidamente outra tela de projeção, perpetuando a recusa de assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas. Isso pode acontecer quando passamos diretamente da casa dos pais para o casamento: fazendo apenas uma troca de guardiões, não aprendemos a cuidar de nós mesmos com autonomia. O mesmo pode acontecer na passagem de um casamento para outro, em que meramente trocamos o parceiro, repetindo a mesma história. “Não me casei de novo por causa dos filhos” e “O que os outros vão pensar?” são outras facetas desse processo de buscar fora de nós mesmos o nosso ponto de referência.

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Fonte: livro “Casamento, término e reconstrução: o que acontece antes, durante e depois da separação”, de Maria Tereza Maldonado – Integrare Editora

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