Criando tiranos! Por Içami Tiba

maio 1, 2013

A sociedade não está dividida em grupos de acordo com suas idades e gerações. Encontramos, convivendo em um mesmo momento, várias gerações: patriarcas, ex-hippies, folgados e tiranos.

            Seja qual for a geração, os pais podem estar criando tiranos e não educando seus filhos para ser futuros cidadãos se:

 

• Fizerem tudo o que estes exigirem, por temor a perder o amor dos filhos.

• Negarem terminantemente o que os filhos querem, mas, cansados diante de tanta insistência deles, acabarem cedendo.

• Defenderem sempre os filhos contra todos, inclusive contra a escola, baseados somente no que eles dizem.

• Prometerem castigos e/ou consequências, e eles mesmos não cumprirem.

• Fizerem pelos filhos o que eles já têm condições e o dever de fazer (lição de casa, guardar brinquedos, amarrar cadarços dos tênis etc).

• Engolirem calados todos os sapos que os filhos preparam.

• Abrirem mão de tudo o que têm a fazer para satisfazer as vontades dos filhos.

• Derem sanduíches ou lanchinhos logo após a recusa de comer no almoço ou no jantar.

• Forem supersolícitos para compensar nos filhos seus próprios sentimentos de culpa por separações conjugais, viagens e até por estar fora de casa, trabalhando.

• Perderem o respeito entre si e passarem a sabotar, maltratar, ofender, ridicularizar, agredir, menosprezar, trair um ao outro.

 

            Se tudo isso ocorrer, teremos um caminho educacional para a tirania dos pequenos e a construção frágil da sua soberania.

 

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Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Ed.

 

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A liberdade e os novos tempos

janeiro 18, 2013

A maior liberdade que o ser humano tem é o poder de escolha. A qualquer momento, ele pode escolher o que fará nos próximos passos. O complemento dessa liberdade é a responsabilidade de assumir as consequências de suas escolhas. Portanto, liberdade significa ter responsabilidade consequente. Caso contrário, a liberdade geraria uma confusão tão grande, que ninguém mais teria boa qualidade de vida.

            A liberdade é relativa, variando conforme as pretensões, porque não existe a liberdade absoluta. Quando se faz uma escolha entre duas situações, a que não foi escolhida ou se perde ou fica em segundo plano. Logo, o exercício da liberdade já envolve uma perda. No cotidiano, a liberdade está em fazer uma escolha bem adequada conforme as consequências pretendidas. A vida propicia tantas oportunidades que, se não houver responsabilidade, qualquer pessoa pode se desorganizar ou se perder.

            A mente não possue fronteiras, e inteligente que somos, podemos realizar devaneios, desde que se transformem em sonhos com projetos de execução. Num inverno, com tempo coberto e frio, gostaríamos de estar numa praia aberta, com sol gostoso e céu azul. Mas é impossível viver as duas situações ao mesmo tempo. Podemos, entretanto, escolher entre ficar ou ir para um ou outro lugar. Uma vez na praia, a liberdade muda de figura.

            Uma casa com crianças sem adultos que se responsabilizem por elas é um claro exemplo das consequências de liberdade sem responsabilidade. Os filhos desde pequenos têm de aprender a lidar com a liberdade responsável. A aquisição da responsabilidade é um aprendizado obrigatório e, quanto mais cedo os filhos aprenderem, tanto melhor viverão todos.

 

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Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

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O prazer de realizar sozinho

novembro 12, 2012

É lógico que a mãe vai executar todas as pequenas tarefas mais rapidamente que o filho. Mas ela deve ter paciência e tolerância para não apressar a criança, que tem seu ritmo próprio. O que a mãe pode fazer é adequar o tempo da criança, não permitindo que ela não o desperdice demorando – o que estimula a desistência. Além disso, a persistência não é uma característica infantil muito comum.

Cada criança tem o seu ritmo. Umas são mais concentradas

que outras e gostam de ver o seu trabalho pronto. Outras querem

ver logo o resultado, sem paciência. Estas precisam de

maior atenção dos pais para que aprendam a ter prazer em

cada etapa realizada.

            Crianças têm muito mais prazer durante a realização de um trabalho do que ao vê-lo pronto. É por isso que, depois de empilhar várias caixinhas, imediatamente derrubam tudo e co meçam de novo. Gastam muito mais tempo empilhando do que admirando o trabalho.

Se, por outro lado, a mãe atropelar a criança, pode transmitir-lhe a sensação de que ela é incapaz. A extrema (e inadequada) solicitude da mãe estimula o filho a aleijar seus braços, como se fosse impotente. Já dizia o psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, no livro Minha querida mamãe: “Supermães geram paralíticos e débeis mentais. Sem uso, o cérebro pára”.

Além de diminuir a autoestima, tanta dedicação maternal leva a criança a deslocar a sensação do prazer, que seria obtida ao realizar algo, para a do mero receber. Não é à toa que ela passa a ser uma criança sempre pedindo (seja o que for), pois o que importa é ganhar tudo (pronto). Quando não está ganhando nada, encontra uma maneira de pedir algo. Ocorre que a criança está confundindo a alegria de saciar a vontade de ganhar um brinquedo com a felicidade de brincar com ele.

Nenhuma criança nasce folgada, ela aprende a ser. A indolência

constante não é natural, mas resultado da difi culdade de

realizar seus desejos por si mesma.

A criança só pode ser considerada folgada quando conhece suas responsabilidades e não as cumpre. A responsabilidade é conseqü.ncia da confiança que os pais depositam no filho para a realização de algo que lhe cabe naturalmente. Estes não só devem reconhecer a capacidade do filho de desempenhar aquela tarefa, como também passar a contra com a cooperação da criança. Esta, por sua vez, incorpora a tarefa como algo que lhe cabe a partir daquele momento.

Um exemplo bastante comum: gostar de comer. Se a criança come porque sente fome, e o faz sozinha por ter o prazer de pegar os talheres, em pouco tempo ela será capaz de responsabilizar-se por comer sozinha o que tiver no prato. Não estranhe tal atitude, mas também não estimule o fato de a criança brincar diante da comida, esparramar tudo pelo chão, usar os talheres como brinquedos. A partir dessas experiências, se for educada para comer, com o tempo ela poderá organizar-se sozinha.

No entanto, se a criança come para agradar a mamãe, o não-comer passa a ser uma maneira de castigá-la. É clássico a mãe brincar: “Olha o aviãozinho” e, ploft!, enfiar a comida na boca da criança. Nesse caso, comer deixou de ser um ato de sua responsabilidade e se transforma em uma arma para arrancar outros benefícios da mãe.

Ninguém precisa limpar o prato. A criança come o que acha gostoso, não necessariamente o que a mãe considera mais nutritivo. Cabe à mãe preparar um jeito gostoso de oferecer os alimentos nutritivos.

Mais um exemplo: escovar os dentes. Naturalmente, a criança gosta de imitar os adultos. Se a mãe, o pai ou o adulto responsável escovar os dentes com prazer, a criança vai pensar que também terá prazer com esse ato. Ela já deve escová-los, antes mesmo de ser bem-sucedida. Quanto mais a mãe permitir que o filho brinque com a escova, e assumir apenas a tarefa de finalizar a limpeza dos dentes, tanto mais ele terá prazer em fazer isso. Não há nada mais lúdico para a criança do que brincar com a água e a boca.

Escovar os dentes pode virar um castigo quando o adulto não tem paciência de esperar o fim da brincadeira. Pior: usa a escova como uma arma carregada de balas (a pasta de dente), que invade intempestivamente a boca da criança, fazendo movimentos furiosos. Essa prática, muito comum nas mães apressadas de hoje em dia, acaba agredindo a criança. Se a mãe aguardar enquanto o filho escova e complementar seu trabalho com prazer (como se estivesse fazendo um cafuné), o hábito será incorporado à vida da criança como algo bem agradável.

Educar uma criança é também ensiná-la a administrar o seu tempo para cada atividade. Fazer algo, mesmo de que não goste, ou seja, fazer por obrigação, por dever, é algo que a criança precisa também aprender.

  

Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa” de Içami Tiba – Integrare Editora

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A liberdade e os novos tempos

setembro 17, 2012

A liberdade é relativa, variando conforme as pretensões, porque não existe a liberdade absoluta. Quando se faz uma escolha entre duas situações, a que não foi escolhida ou se perde ou fica em segundo plano. Logo, o exercício da liberdade já envolve uma perda. No cotidiano, a liberdade está em fazer uma escolha bem adequada conforme as conseqüências pretendidas. A vida propicia tantas oportunidades que, se não houver responsabilidade, qualquer pessoa pode se desorganizar ou se perder.

A mente não possue fronteiras, e inteligente que somos, podemos realizar devaneios, desde que se transformem em sonhos com projetos de execução. Num inverno, com tempo coberto e frio, gostaríamos de estar numa praia aberta, com sol gostoso e céu azul. Mas é impossível viver as duas situações ao mesmo tempo. Podemos, entretanto, escolher entre ficar ou ir para um ou outro lugar. Uma vez na praia, a liberdade muda de figura.

Uma casa com crianças sem adultos que se responsabilizem por elas é um claro exemplo das conseqüências de liberdade sem responsabilidade. Os filhos desde pequenos têm de aprender a lidar com a liberdade responsável. A aquisição da responsabilidade é um aprendizado obrigatório e, quanto mais cedo os filhos aprenderem, tanto melhor viverão todos.

Todas as crianças adoram brincar. Num parquinho infantile elas podem ir ao brinquedo que quiserem, mas têm de aprender o que é usufruir dele e o que é correr o risco de cair, machucar-se, ferir outras pessoas, respeitar a sua vez de usar o brinquedo etc. Isto tudo com a presença dos pais – ou não.

Hoje, a criança com dois anos de idade fica longe dos seus pais: já freqüenta a escolinha (portanto está sob responsabilidade de outros adultos). Mesmo dentro de casa, os pais delegam a responsabilidade de cuidar das crianças para outros. Esses outros adultos (funcionários, babás, motoristas etc.) não são os responsáveis pela educação, pois detêm outras funções, também necessárias à vida das crianças. Porém, os pais deveriam ensinar seus contratados, em casa, a cumprir também os ensinamentos que eles mesmos dariam se com os filhos estivessem.

Por exemplo, a liberdade de brincar com seus próprios brinquedos implica cuidar deles. Faz parte dos cuidados guardar os brinquedos após acabar a brincadeira. As crianças não podem simplesmente sair correndo, largando todos os brinquedos no chão. Deve fazer parte da brincadeira o ato de guardar. Assim como os pegaram, as crianças têm condições de guardá-los. É dessa maneira que elas cuidarão de seus pertences na escolinha, na turma de adolescentes, nos negócios dos pais. Apesar de ser função dos contratados trazer a casa em ordem, babás e funcionárias não devem guardar os brinquedos. A função nova, agora, é lembrar as crianças de que elas mesmas têm que guardar os brinquedos.

Quanto à comida, é bom ter liberdade para escolher o que comer; mas, se a escolha dos filhos recair sobre batatas fritas e fast-food rapidamente elas podem sofrer de males clínicos e necessitarão de cuidados médicos. Quem arcará com essas consequências? É claro que são os pais. Ou seja, os filhos curtem a liberdade, mas quem arca com a responsabilidade são os pais. Enquanto forem bebezinhos, pode ser. Mas manter esse esquema com estudantes universitários?

Se para os filhos fica a liberdade de curtir a vida, fazendo somente as coisas de que gostam e as que lhes dão prazer, podemos perguntar: por que não usar drogas quando estiverem nas ruas, longe dos pais?

“A criança não sabe o que é liberdade pessoal. Simplesmente

faz o que tem vontade de fazer.”

Por isso, os pais deveriam determinar o que os filhos devem comer (porque podem comer aquilo de que gostam em outra hora). É uma responsabilidade que os filhos têm que desenvolver: cuidar do próprio corpo. Quem cuida do próprio corpo não se arrisca a usar drogas.

 

Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami TIba – Integrare Editora

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Os vários significados da comida

abril 20, 2011

Pais que entendem qualquer choro como necessidade de mamar sempre oferecem comida. Se o choro for causado por outro incômodo qualquer, a comida pode proporcionar certo alívio, mas não é o “remédio” certo. No entanto, comer é um forte instinto de sobrevivência, e a boca é a primeira zona de prazer estimulada em nosso organismo; por isso, dificilmente comer deixará de ser prazeroso, ainda que inadequado.

Se traçarmos uma linha direta sem interferência, a criança cujos pais têm esse tipo de conduta pode tornar-se um adulto que, diante de qualquer contratempo, vai procurar comida em vez de tentar resolver seu problema. É claro que essa relação não é tão simples assim. Inúmeras outras variáveis também precisam ser consideradas. Mas a raiz da obesidade pode estar aí.

Conforme cresce, a criança aprende progressivamente a digerir alimentos mais pesados e a diversificar os sabores, passando por uma grande evolução desde o colostro, o primeiro leite da mãe, até a feijoada com torresmo. No entanto, existe sempre uma maneira de infantilizar a criança. Basta desconsiderar o fato de que seu aparelho digestivo está amadurecendo e continuar a lhe dar papinhas. E ela acostuma-se a receber comida de fácil digestão. Equivale, numa correlação direta, ao adulto que não sabe mastigar os problemas e precisa “papinhá-los”. Se não for fácil, o problema é cuspido para fora. A pessoa não chega a superá-los porque nem os enfrentou. O problema é muito mais ligado ao “como-somos” dos pais, que origina dificuldades para os filhos, como se fosse uma herança – que as crianças são obrigadas a engolir – absorvida pela convivência.

A indisciplina está presente no desrespeito ao desenvolvimento biológico por parte dos pais: motivados pelo amor, pelo desejo de satisfazer todas as necessidades dos filhos, alguns pais não modificam seus comportamentos nem suas ofertas à medida que a criança cresce.

Fonte: trecho do livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Editora


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