Psiquiatra e educador, Içami Tiba, fala sobre seus filhos e sobre a forma como os criou

julho 4, 2012

Quais tipos de problemas você tinha e como os resolveu?

Você é contra qualquer tipo de palmada? Como vê essa questão?

“Os pais batem não quando os filhos merecem e sim quando ELES perdem a paciência. Sou a favor das consequências relacionadas às atitudes faltosas e não das palmadas.”

“Se irritou? Pense como em uma reunião: se retire da sala, caso necessário, e se acalme para responder. É um exercício de respeito: quando ensinamos o abuso do poder (através da violência, do grito) estamos ensinando que quando eles forem poderosos poderão se utilizar do mesmo expediente.”

 

Como lidar com um grupo de alunos indisciplinados?

A criminalidade na fase adulta decorre da infância?
Essas e outras questões, na entrevista!

 

 

Muito envolvidos com o trabalho e as obrigações diárias, mãe e pai às vezes perdem o fio da meada educativa. E se surpreendem com ações e reações inesperadas dos filhos, que podem começar com quase nada e chegar a proporções catastróficas.

 

Na realidade, ocorrem várias pequenas situações que vão se desenvolvendo e se transformando em dificuldades. A família se acomoda e absorve tais dificuldades pelo anestesiante convívio cotidiano. Como em qualquer outro meio, dificuldades simplesmente acomodadas e não resolvidas vão se acumulando sob o tapete da rotina.

Tudo o que se acumula um belo dia transborda. É a famosa gota que faz entornar a água. O que sai do copo não é somente a gota final, mas toda a água até então acumulada.

Numa família não é diferente. Não é na última prova do ano que o aluno é reprovado. Desde as primeiras provas, o inteligente mas folgado filhinho vai deixando para estudar nos últimos instantes e acaba mal. Repete esse mesmo esquema em outras provas e no final do ano já não há tempo para recuperação. O mesmo ocorre com os primeiros “nãos” que o danado do filhinho não ouve. Depois não atende ao que lhe é pedido. Ele ganha um apelido, velada ou declaradamente, e tudo vai se acomodando: “Afinal é um folgado, não tem jeito mesmo!”.

Essa folga é a semente da delinquência… As dificuldades podem ser resolvidas muito facilmente enquanto são pequenas. Tais resoluções são mais que necessárias para uma família viver feliz. Entretanto, sejam quais forem as situações críticas, sempre pode existir uma forma diferente de enfrentá-las para buscar melhor solução.

 

Fonte: livro “Quem Ama, Educa! Formando cidadãos éticos”, de Içami Tiba – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

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Os vários significados da comida

abril 20, 2011

Pais que entendem qualquer choro como necessidade de mamar sempre oferecem comida. Se o choro for causado por outro incômodo qualquer, a comida pode proporcionar certo alívio, mas não é o “remédio” certo. No entanto, comer é um forte instinto de sobrevivência, e a boca é a primeira zona de prazer estimulada em nosso organismo; por isso, dificilmente comer deixará de ser prazeroso, ainda que inadequado.

Se traçarmos uma linha direta sem interferência, a criança cujos pais têm esse tipo de conduta pode tornar-se um adulto que, diante de qualquer contratempo, vai procurar comida em vez de tentar resolver seu problema. É claro que essa relação não é tão simples assim. Inúmeras outras variáveis também precisam ser consideradas. Mas a raiz da obesidade pode estar aí.

Conforme cresce, a criança aprende progressivamente a digerir alimentos mais pesados e a diversificar os sabores, passando por uma grande evolução desde o colostro, o primeiro leite da mãe, até a feijoada com torresmo. No entanto, existe sempre uma maneira de infantilizar a criança. Basta desconsiderar o fato de que seu aparelho digestivo está amadurecendo e continuar a lhe dar papinhas. E ela acostuma-se a receber comida de fácil digestão. Equivale, numa correlação direta, ao adulto que não sabe mastigar os problemas e precisa “papinhá-los”. Se não for fácil, o problema é cuspido para fora. A pessoa não chega a superá-los porque nem os enfrentou. O problema é muito mais ligado ao “como-somos” dos pais, que origina dificuldades para os filhos, como se fosse uma herança – que as crianças são obrigadas a engolir – absorvida pela convivência.

A indisciplina está presente no desrespeito ao desenvolvimento biológico por parte dos pais: motivados pelo amor, pelo desejo de satisfazer todas as necessidades dos filhos, alguns pais não modificam seus comportamentos nem suas ofertas à medida que a criança cresce.

Fonte: trecho do livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Editora


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