Sobre “100 frases de Içami Tiba” por Eugenio Mussak

fevereiro 1, 2016

Tiba era capaz de escrever sobre liberdade e disciplina (Disciplina, limite na medida certa), chamando nossa atenção para a importância desses dois valores, especialmente quanto à educação das crianças, mas também da condução de nossa vida adulta. Para tanto, valia-se da mesma naturalidade com que analisava as diferenças entre homens e mulheres (Homem cobra, mulher polvo). As diferenças, as nuances e as linhas limítrofes eram temas que lhe interessavam. Que lhe faziam cócegas no sangue.

 

Era intransigente com confusões que as pessoas fazem com frequência e que prejudicam enormemente suas vidas. Insistia em que não devemos confundir liberdade com libertinagem, autoridade com autoritarismo, dar afeto com sufocar, repreensão com repressão. Entender as diferenças entre essas posturas e aplicá-las adequadamente – desenvolvendo algumas, livrando-se de outras – estava na base de sua terapia extremamente libertadora pela simplicidade.

 

Dizia acertadamente que o comportamento do jovem na sociedade vai reproduzir o comportamento que teve em casa quando criança. Por isso insistia: Quem Ama, Educa! – mas não mima. Crianças mimadas em excesso, poupadas dos pequenos sofrimentos do cotidiano e das responsabilidades crescentes, tornam-se adultos “folgados”, que esperam do mundo mais do que estão dispostas a dar a ele. Ou seja, Tiba não queria cidadãos com grande tendência ao fracasso e à falta de ética. “Nutrir, sim, hipersaciar, jamais”. OK, mestre.
Esta coletânea de frases e pensamentos é o mosaico de um cérebro privilegiado, fértil, responsável e feliz. Mostra a diversidade de seu pensamento, a profundidade de sua visão e a simplicidade de sua interpretação.

 

 

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Fonte: livro “100 frases de Içami Tiba” – Integrare Editora

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Pais discordantes entre si. (por Içami Tiba)

janeiro 18, 2016

Mal completou 2 anos, e a criança já está de uniforme e mochilinha nas costas indo para a escola. Os jardins-de-in­fância e escolas maternais, que eram chamados generica­mente de pré-escola, foram oficializados como Educação Infantil pela modificação mais recente da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, ocorrida em 1997.

 

É o reconhecimento de que as crianças estão indo cada vez mais cedo para a escola e da força que essa instituição assume na educação das novas gerações. Precisamos continuar refletindo sobre a escola: como de­ve desempenhar sua função formativa? O fundamental é que a criança seja beneficiada. Para isso, entre a escola e a famí­lia deve haver uma soma, e não o atropelamento de uma par­te pela outra.

 

O termo educação a seis mãos refere-se a uma educação homogênea e equilibrada, buscada pelo pai, pela mãe e pela escola. Por que pai e mãe, não simplesmente pais? Porque hoje as diferenças entre os dois, às vezes, são tão grandes que eles não conseguem se compor para uma educação equili­brada dentro de casa ou de suas respectivas casas.

 

Separados, então, cada um quer defender a sua posição, muitas vezes, oposta frontalmente à do outro. Os filhos absorvem na convivência tais intransigências e querem ter seus desejos satisfeitos a todo custo. Aprendem a não suportar frustrações, a não controlar suas vontades e a manipular os pais em proveito próprio. Os conflitos não resolvidos dos pais prejudicam tremendamente os filhos e acabam estourando nas esco­las, nos consultórios de psicólogos ou nos fóruns de família. Para onde a criança vá, leva a sua educação – ou a falta dela.

 

Para deixar o quadro ainda mais complexo, existem hoje várias constituições familiares distintas, numa composição que pode contar com filhos, meios-filhos, filhos postiços, pai, nova mulher do pai, mãe, novo marido da mãe, irmão, meios-irmãos, irmãos postiços. Essas combinações podem ser ainda mais delicadas quando entram avós paternos, avós maternos, tios, cunhados etc.

 

Não é incomum o pai separado recusar-se a dar pensão aos filhos do casamento anterior, embora sustente os filhos da atual companheira com generosidade. Ele se divorciou e “despaisou”.Qual é a ética do pai que paga a pensão do filho que ficou com a ex-mulher somente quando “ameaçado de ir preso” pelo juiz? O que o filho está sentindo e aprendendo? Um pai, quando paga a pensão do filho que ficou com a ex-mulher somente se “ameaçado de prisão”, pensaria no tipo de ética que está passando ao filho? Quando o aluno “desanda” na escola, esta pode ser a oportunidade que o filho dá aos seus pais de saber o que ele “apronta”. A escola não deveria se calar, mas, sim, tomar a iniciativa de convocar os pais para que corrigissem o filho antes de tornar-se um delinqüente.

 

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Fonte: livro “Ensinar aprendendo”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Educados para o prazer. (por Içami Tiba)

janeiro 11, 2016

Os pais, hoje, têm feito a apologia do prazer. Não importa quanto eles se sacrifiquem, querem que o filho tenha prazer. A parte do sacrifício fica apenas para os pais. Isso, a rigor, é educar para que os filhos usem drogas.

 

Desde cedo, os filhos aprendem que os pais devem arcar com os custos, responsabilidades e/ou sofrimentos dos seus atos (inclusive os futuramente provocados pelas drogas). O que lhes cabe é usufruir ao máximo o prazer.

 

Na tentativa de demonstrar amor aos filhos, alguns pais acabam sendo apenas retrógrados. O que ganham é insuficiente para comprar o tênis da moda ou qualquer outro capricho desnecessário, mas acabam comprando. Em vez de mostrarem a realidade, os pais deixam o essencial para pagar o tal tênis.

 

Essa divisão – sacrifício dos pais, prazer dos filhos – passa uma falsa noção de qualidade de vida e reforça a falta de ética na sua definição (o que é bom para um tem que ser bom para todos).

 

O engano se faz até nos níveis bioquímicos dos neurotransmissores. A molécula do THC – sigla do tetraidrocanabinol –, constituinte ativo da maconha e do haxixe, é bastante parecida com neurotransmissores e falsificam suas funções. As moléculas do THC se encaixam nesses receptores, enganando- os quimicamente como se fossem neurotransmissores fisiológicos, e os desativam, mas antes provocam uma descarga de prazer. É assim que as moléculas de THC vão se acumulando nas sinapses, dificultando e prejudicando o seu funcionamento.

 

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Fonte: livro “Adolescentes: Quem Ama, Educa!”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Por que as crianças tornam-se tímidas? (por Içami Tiba)

janeiro 5, 2016

Conforme o filho vai crescendo, os pais mostram-lhe o que ele deve ou não fazer. Aos poucos, vão concedendo algumas permissões. Quando estas faltam, e no seu lugar há censuras sucessivas, críticas e reprovações às suas iniciativas, a criança pode crescer sentindo-se tão “proibida”, a ponto de ela mesma proibir-se de fazer algo. Daí resulta a timidez, um transtorno no comportamento do ser humano.

 

Basta a ela sentir-se desacompanhada dos pais, em ambiente diferente ou diante de qualquer pessoa estranha, que logo se vê atacada pela timidez. A timidez é antinatural. O primeiro sinal de contato – isto é, de manifestação de relacionamento – do bebê com o mundo é o sorriso. O adulto desarma-se diante do sorriso de uma criança, pois sabe que não existem segundas intenções. Trata-se apenas de um sorriso. Pura expressão de alegria.

 

Uma criança sorridente é uma criança simpática, o orgulho dos pais. Por volta do oitavo mês de vida, quando passa a não querer ir para o colo de estranhos, torna-se antipática. Alguns pais não admitem essa reação, forçando o bebê a aceitar a pessoa que lhe é estranha, como se fosse seu amigo íntimo. É assim que começa o mecanismo de auto-repressão da criança. Cada vez que os pais a reprovam por não aceitar alguém, ela mesma a aciona, reprimindo suas defesas naturais para receber a aprovação dos pais. E assim deixa de ser espontânea. A timidez é a perda da espontaneidade.

 

A criança aprende fazendo tentativas. Erros e acertos são fundamentais. Se os pais não aceitarem os erros, criticando duramente o filho, ele próprio deixará de aceitar seus erros, perdendo, então, a liberdade de arriscar. Resta-lhe a obrigação de acertar sempre.

 

Acertar é agradar aos pais. Logo, esse acerto é subjetivo, pois depende do critério que os pais utilizam para aprovar ou não a atitude dos filhos. A timidez é a perda da liberdade de tomar iniciativa.

 

Quando a repressão é muito grande, a criança amolda-se e sofre calada. Caso não se adapte à repressão, ela seleciona ambientes em que pode ficar quieta e nos quais pode bagunçar.

Essa é a explicação para aquelas crianças tímidas na escola e superbagunceiras em casa ou tremendamente obedientes em casa e indisciplinadas fora dela. Elas obedece parcialmente à repressão na presença dos repressores. Na ausência deles, passam a reprimir os outros, a “delinqüir”. É o método da gangorra: de um lado senta a timidez, do outro, a delinquência.

 

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Fonte: livro “Disciplina : limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Cada dia é um novo dia. (por Içami Tiba)

dezembro 21, 2015

Cada dia é um novo dia, porque mesmo sendo outro dia, mesmo se fizermos igualzinho ao que foi feito ontem, passa a ser simplesmente um dia novo. Não modificando nada, não crescemos nada e não damos um passo nessa longa caminhada. Avaliando o hoje como o ontem, não existem diferenças entre ontem e hoje. É vivermos do passado. Isso é muito comum na avaliação dos filhos.

 

A cada desobediência que a criança comete, é preciso investigar o motivo. E não simplesmente rotulá-la de desobediente, jogando a avaliação de ontem sobre a atitude de hoje. Assim se criam famas e todos se encarregam de deitá-las na cama. Talvez a desobediência de hoje represente a possibilidade de reavaliar o sistema educativo aplicado há tanto tempo. Quando se reage pela fama, não se questiona o sistema. E os pais podem, do alto de sua tribuna de juízes, condenar o filho à mesmice. E mesmice é símbolo de rotina e infelicidade.

 

Desta mesma tribuna, os pais podem supervalorizar as mínimas atitudes, sem criticar outros comportamentos inadequados, e corromper os critérios da adequação e justiça. Pode ser até que isso satisfaça os filhos momentaneamente. Porém, há o perigo de trazer infelicidade, pois o mundo não funcionará como os pais fizeram crer. A fama que se cria pela crítica e a supervalorização das pequenas coisas distorcem a percepção da própria personalidade.

 

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Fonte: livro “Seja feliz, meu filho”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Por amor, não faça. (por Içami Tiba)

dezembro 14, 2015

Os pais não devem fazer pelo filho, e sim ajudar o filho a fazer. Uma criança, mesmo prestando atenção, não consegue perceber com todos os detalhes uma ação executada por um adulto. As ações são muito mais complexas do que um leigo, uma criança, pode perceber.

 

Parece fácil à criança imitar. Permita que ela imite. Ajude no que for necessário. Mas ela tem de ser a realizadora principal. Aceite de muito bom grado o que a criança fez, dizendo que, por ser a primeira vez, está ótimo – mas pode melhorar. Se ela quiser, que tente mais vezes. Se melhorar, ressalte a melhora e dê os parabéns. Se abandonar, não dê importância. Logo ela tentará outra vez.

 

Nada impede que os pais façam algo pelo filho se este realmente é incapaz de fazer sozinho. O problema é os pais perderam essa referência e continuam fazendo, por amor ou comodismo, sem reparar que o filho já é capaz de fazer. O fazer pelo filho deve ser sempre provisório até ele começar a fazer sozinho.

 

É preciso muito amor para aguentar ver um filho sofrer do que simplesmente fazer as coisas por ele. Essa é a prática da independência. Ninguém cresce em zona de conforto. O crescimento é natural em zona de esforço, de empenho, de ações conscientes na busca de superação. É como o treinador esportivo quando diz ao seu mais querido pupilo: “No pain, no gain!” ( sem dor, não há ganho).

 

O grande ganho de ter um filho que faz é ele desenvolver a gratidão, um valor muito difícil de ser ensinado. Quem faz sabe o trabalho que envolve o fazer. Quando ele está realmente muito atarefado e de surpresa recebe pronto, ele reconhece o trabalho que teve a pessoa que fez. Gratidão é o reconhecimento de algo recebido “gratuitamente”, por bondade, por amor.

 

Quando o fazer vira rotina para os pais, o filho já espera receber tudo, e, quando os pais não fazem, o filho reclama. Em vez de gratidão, os pais passam a receber cobrança do filho. E, pior: os pais sentem‑se culpados por não fazer e em dívida com o filho, porque “tadinho do filho”, ele não sabe fazer nada. É claro que não sabe, pois nunca fez nada…

 

“Feito, melhor que perfeito” que está em letras vermelhas num cartaz favorito de Sheryl Sandberg, co‑criadora do Facebook e autora do livro Faça Acontecer, é muito útil também para a Educação Sustentável. Significa fazer, mesmo que malfeito, do que não fazer esperando fazer o perfeito. Na segunda vez, será bem melhor e assim até que chegue à perfeição.

 

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Fonte: livro “Educação familiar: presente e futuro”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Praticando o senso de organização. (por Içami Tiba)

dezembro 7, 2015

Os filhos têm que aprender a se organizar desde pequenos. Criancinhas de 2 anos de idade já sabem separar brinquedos por categorias. Por que adolescentes misturam tênis com CDs, camisetas com sanduíches e livros? Onde foi parar o senso de organização?

 

É preciso exercitá-los para recuperar esse senso. Cada coisa no seu lugar: camiseta no armário, livro na estante. E que haja uma caixa de bagunça grande o bastante para que caibam os objetos que causam bagunça. Cada coisa no seu lugar, lixo no lixo e bagunça dentro da caixa de bagunça.

 

É importante que desde cedo o filho comece a cuidar de alguns setores de sua vida, como roupas, higiene e o próprio quarto. Pouco progressiva é a mãe rabugenta, a que reclama, mas faz o serviço. Melhor seria se fosse risonha, mas nada fizesse, pelo contrário, ainda cobrasse firmemente a ordem.

 

Ser firme não é gritar, ficar nervosa, agredir. É não mudar de opinião, mesmo que os filhos fiquem se debatendo no chão e revirando os olhinhos.

 

Os pais devem se lembrar a toda hora de que sempre é tempo para aprender. Se o filho já aprendeu, é tempo de exigir que faça o que sabe. Somente a prática leva ao hábito.

 

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Fonte: livro “Adolescentes: Quem Ama, Educa!”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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