Por amor, não faça. (por Içami Tiba)

dezembro 14, 2015

Os pais não devem fazer pelo filho, e sim ajudar o filho a fazer. Uma criança, mesmo prestando atenção, não consegue perceber com todos os detalhes uma ação executada por um adulto. As ações são muito mais complexas do que um leigo, uma criança, pode perceber.

 

Parece fácil à criança imitar. Permita que ela imite. Ajude no que for necessário. Mas ela tem de ser a realizadora principal. Aceite de muito bom grado o que a criança fez, dizendo que, por ser a primeira vez, está ótimo – mas pode melhorar. Se ela quiser, que tente mais vezes. Se melhorar, ressalte a melhora e dê os parabéns. Se abandonar, não dê importância. Logo ela tentará outra vez.

 

Nada impede que os pais façam algo pelo filho se este realmente é incapaz de fazer sozinho. O problema é os pais perderam essa referência e continuam fazendo, por amor ou comodismo, sem reparar que o filho já é capaz de fazer. O fazer pelo filho deve ser sempre provisório até ele começar a fazer sozinho.

 

É preciso muito amor para aguentar ver um filho sofrer do que simplesmente fazer as coisas por ele. Essa é a prática da independência. Ninguém cresce em zona de conforto. O crescimento é natural em zona de esforço, de empenho, de ações conscientes na busca de superação. É como o treinador esportivo quando diz ao seu mais querido pupilo: “No pain, no gain!” ( sem dor, não há ganho).

 

O grande ganho de ter um filho que faz é ele desenvolver a gratidão, um valor muito difícil de ser ensinado. Quem faz sabe o trabalho que envolve o fazer. Quando ele está realmente muito atarefado e de surpresa recebe pronto, ele reconhece o trabalho que teve a pessoa que fez. Gratidão é o reconhecimento de algo recebido “gratuitamente”, por bondade, por amor.

 

Quando o fazer vira rotina para os pais, o filho já espera receber tudo, e, quando os pais não fazem, o filho reclama. Em vez de gratidão, os pais passam a receber cobrança do filho. E, pior: os pais sentem‑se culpados por não fazer e em dívida com o filho, porque “tadinho do filho”, ele não sabe fazer nada. É claro que não sabe, pois nunca fez nada…

 

“Feito, melhor que perfeito” que está em letras vermelhas num cartaz favorito de Sheryl Sandberg, co‑criadora do Facebook e autora do livro Faça Acontecer, é muito útil também para a Educação Sustentável. Significa fazer, mesmo que malfeito, do que não fazer esperando fazer o perfeito. Na segunda vez, será bem melhor e assim até que chegue à perfeição.

 

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Fonte: livro “Educação familiar: presente e futuro”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Praticando o senso de organização. (por Içami Tiba)

dezembro 7, 2015

Os filhos têm que aprender a se organizar desde pequenos. Criancinhas de 2 anos de idade já sabem separar brinquedos por categorias. Por que adolescentes misturam tênis com CDs, camisetas com sanduíches e livros? Onde foi parar o senso de organização?

 

É preciso exercitá-los para recuperar esse senso. Cada coisa no seu lugar: camiseta no armário, livro na estante. E que haja uma caixa de bagunça grande o bastante para que caibam os objetos que causam bagunça. Cada coisa no seu lugar, lixo no lixo e bagunça dentro da caixa de bagunça.

 

É importante que desde cedo o filho comece a cuidar de alguns setores de sua vida, como roupas, higiene e o próprio quarto. Pouco progressiva é a mãe rabugenta, a que reclama, mas faz o serviço. Melhor seria se fosse risonha, mas nada fizesse, pelo contrário, ainda cobrasse firmemente a ordem.

 

Ser firme não é gritar, ficar nervosa, agredir. É não mudar de opinião, mesmo que os filhos fiquem se debatendo no chão e revirando os olhinhos.

 

Os pais devem se lembrar a toda hora de que sempre é tempo para aprender. Se o filho já aprendeu, é tempo de exigir que faça o que sabe. Somente a prática leva ao hábito.

 

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Fonte: livro “Adolescentes: Quem Ama, Educa!”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Felicidade Social (por Içami Tiba)

dezembro 2, 2015

A felicidade social considera todos os seres humanos iguais, não importa a cor, etnia, raça, credo, religião, nível social, preparo cultural, poder econômico, cargo político, fama, origem, aspecto físico, capacitação ou habilidade. A pessoa fica feliz em poder ajudar outro ser humano a ser feliz. Empenha-se em tornar este mundo melhor com pequenos gestos, desde o ato de deixar o banheiro limpo para o próximo usuário até grandes ações, como se mobilizar quando um semelhante ou um povo inteiro estiver sofrendo um revés em qualquer canto do planeta.

 

A pessoa que expressa felicidade social se regozija com a felicidade alheia mas também sente na alma os sofrimentos dos homens. É um ser grato, solidário e sua ligação com o próximo transcende o tempo e o espaço, superando diferenças geográficas, ideológicas, políticas, sociais e religiosas.

 

Tolerância, solidariedade, compaixão, sabedoria, não-violência fazem parte da felicidade social. Grandes guias religiosos foram suas expressões máximas. Se os pais começassem a ler para as crianças, desde a mais tenra infância, passagens interessantes e pitorescas dos grandes homens da humanidade e depois estimulassem um pequeno e simples debate sobre a vida deles, provavelmente elas seriam pessoas melhores para si mesmas, para a família, para a escola e futuramente para o mundo.

 

Não seria interessante a criança identificar o que ela fez de bom para qualquer pessoa? Incentivá-la a falar a verdade, sem exageros, e reforçar o que ela fez de positivo são medidas que não exigem tanto tempo e produzem grandes resultados: contribuem para a formação de uma boa auto-estima.

 

Os filhos adoram saber que os pais gostam do que fazem. Se eles vivem naturalmente a felicidade social (fazer o bem, não importa a quem, e não fazer nada que possa prejudicar outras pessoas), seus filhos também a viverão.

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Fonte: livro Quem Ama, Educa!, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Amizade abre portas. (por Içami Tiba)

novembro 16, 2015

Num dos seus poemas, Manuel Bandeira (1886-1968), membro da Academia Brasileira de Letras, escreveu:

 

“Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei … ”

Nesse trecho do poema, Manuel Bandeira demonstra a importância da amizade. Em Pasárgada, paraíso imaginado, o mais importante é ser amigo do rei.

Somos amigos das pessoas que sentem amizade por nós. Lembro que somos as pessoas que amamos e por quem somos amados preciso ser psicologicamente saudável para se entregar a uma amizade. Quem é desconfiado, controlador, inseguro, egoísta, ciumento, infantil, ensimesmado, psicótico, neurótico raramente consegue se entregar. E, para complicar, a amizadetem que ser mútua. Ou seja, a outra pessoa também tem que ser saudável.

Acima das qualidades individuais . preciso que haja também afinidade, respeito, admiração e condição profissional e social próximas para que o que seja fácil para um não seja difícil para o outro.

Amizade é tão importante que, quem não tem amigos, inventa um. O amigo imaginário não é raro em crianças e adolescentes muito solitários.

Atendi uma garota de 16 anos, filha única de mãe única, que se trancava no armário e ficava horas brincando e conversando lá dentro. O que ela tinha era uma amiga imaginaria. Trancava-se para poder conversar livremente com a amiga sem que sua mãe a achasse louca. O perigo era ela acreditar na existência real da amiga imaginaria…

As pessoas que têm amigos melhoram muito suas performances pessoais, sociais e profissionais praticamente em todas as áreas.

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Fonte: livro “Família de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Somos todos educadores (por Içami Tiba)

novembro 9, 2015

Todo ser humano é um educador em potencial, pois já nasce um aprendiz. Se ninguém lhe ensina nada, aprende com as próprias experiências. A educação é fundamental para a sobrevivência da civilização e da cultura. Não podemos mais imaginar que alguém viva absolutamente isolado da influência dos outros. Onde houve relacionamentos, estará presente a educação. Um indivíduo pode até se isolar para meditar no pico do monte Everest, mas não há como ter vivido até essa altura da vida sem, antes, ter conhecido outras pessoas. Basta lembrar que um dia ele nasceu de alguém.

Ninguém tem tempo nem condições de descobrir tudo sozinho neste mundo. O homem não para de ser inundado com novas tecnologias, ideias e costumes. Aprender com quem sabe tornou‑se imprescindível. Em qualquer ocasião, sempre há alguém ensinando e outro aprendendo, direta ou indiretamente.

O saber atribui um poder que, se usado somente em benefício próprio, torna o indivíduo um tirano que impõe a ignorância ao outro para subjugá‑lo às suas necessidades. Esse modelo já está ultrapassado. Qualquer ação ou palavra de um pode influir no comportamento de outras pessoas, querendo ou não. Se um ajuda o outro a tomar posição, a não exigir somente seus direitos, a arcar com suas responsabilidades, isso também é educação.

Educador não é somente aquele que se propõe a ensinar. Muitos mestres não pretenderam ensinar, simplesmente exerceram o que sabiam. Uma pessoa, quando se torna modelo para outras, influi também no jeito de vestir e de se comportar, e então ela as está educando.

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Fonte: livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Família feliz na praia. (por Içami Tiba)

outubro 19, 2015

O sol brilha maravilhosamente nesse domingo em que o cobra e a polvo levam seus dois filhinhos à praia. Logo ao chegar, ela tem de lançar seus tentáculos para segurar as crianças afoitas, que quase já entravam na água. Ela sabe que, em primeiro lugar, é preciso protegê-los do sol. Assim, lambuza de protetor solar os inquietos corpinhos, coroando-os com um bonezinho, tal qual uma cereja sobre o sorvete… A polvo aproveita e passa protetor também no cobra. E só então, finalmente passa nela mesma, nas partes do corpo que consegue alcançar. Depois, pede a ele – que está arrumando o território onde a família vai ficar – que passe a loção em suas costas.

Os filhinhos correm para o mar. A polvo os segue com o olhar, pois sabe que criança e água não combinam: uma engole a outra, e vice‑versa, sempre. Se ela pudesse, estenderia todos os seus tentáculos para evitar os perigos que ameaçam sorrateira e ostensivamente seus amados filhinhos. Bloquearia as ondas maiores, diminuiria a intensidade do sol, afastaria as pessoas indesejáveis, aqueceria a água, impediria que um filho jogasse água no outro, provocaria a união entre os dois, faria que se dessem as mãos para proteger um ao outro – e, assim, aproveitassem o memorável passeio, registrando para sempre que tiveram uma infância feliz. Ela nunca foi à praia quando criança, o que lhe aperta o coração até hoje.

A polvo não descuida dos filhotes um segundo sequer, nem para piscar. A intensidade do sol aumenta e a brisa resseca seus olhos, que começam a reclamar, a arder e lacrimejar. Mas ela está lá, a vontade mais firme do que o corpo – que já não aguenta mais. Ela precisa fechar os olhos um segundinho… Então, lembra-se do marido. Ele está de pé, de braços cruzados, varrendo a praia com o olhar e sentindo a brisa no corpo. É uma figura imponente: o senhor da praia. Ele ouve a esposa chamar: Benhê, você fica de olho nas crianças para que eu possa fechar os olhos um pouquinho? Ela fala em tom de súplica, para comover o marido. E ele responde: Pode deixar, meu bem! Eu olho as crianças! E, com seu olhar de cobra – entenda‑se em tubo –, fixa os olhos no alvo: as crianças.

Mesmo tombada, a polvo não abre mão do controle. Vai perguntando ao marido: Onde estão as crianças? O que elas estão fazendo? Conforme o modo como o cobra responde – tom de voz, rapidez, precisão das palavras, vacilações ou humor –, ela avalia a situação. Ao mínimo sinal de anormalidade, ela abriria imediatamente os olhos para reassumir o controle de tudo…

O cobra responde de acordo com o esperado, nem percebe que a polvo desconfia de sua capacidade de cuidar das crianças. Ele continua a olhar os filhos em tubo até que, entre seus olhos e as crianças, passa algo balouçante, um tanto quanto rebolante… Aí o olhar em tubo muda de alvo. Agora, acompanha instintivamente os movimentos do novo alvo até que ele quase desapareça de vista. Mas, de repente, ele se lembra: Xi, e as crianças? O cobra se volta rapidamente para o ponto onde estavam as crianças. Mas onde elas estão que ele não as encontra?

Sumiram… As danadas sumiram!

Pânico geral. A polvo levanta‑se como se uma mola a empurrasse e corre em direção ao mar, desesperada. O mar engoliu os filhinhos dela, com certeza! Será que alguém os raptou? Seriaum sequestro? Ela grita com o marido: Faça alguma coisa!

Mas eis que as crianças estão sentadinhas na areia fazendo buracos. A polvo as abraça como se elas tivessem se afogado e Deus as tivesse devolvido, tamanha a sua devoção… Passado o susto, ela não sossega: um dos seus tentáculos vai enforcar aquele pai desnaturado. Onde já se viu perder os filhos? Nem para olhar os próprios filhos ele serve, aquele folgado…

As crianças continuam felizes, brincando e vivendo a pura inocência de não saber dos grandes perigos que passaram pela mente da mãe, de cujos olhos brotam lágrimas de ternura, agora indiferentes ao sol abrasador…

A polvo jura que nunca mais vai confiar SEUS filhos àquele cobra desalmado.

O cobra se queixa da mulher: Para que tanto escândalo? Encontrou as crianças? Então está bom. Para ele, não há motivo para se preocupar com o que não aconteceu. Tudo volta a ser como antes daquele sufoco, e ele é novamente o Senhor da praia.

Tudo não passou de uma chuva emocional de verão…

 

Fonte: livro “Homem Cobra Mulher Polvo”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Pais que permitem algo que negaram antes. (por Içami Tiba)

outubro 13, 2015

Quando os pais negam algo que o filho quer, e este faz cara de coitadinho, de menor abandonado, os pais ficam com pena e chegam até a exclamar, ironicamente ou não, “que dó!”. O filho já se sente meio vitorioso, pois ele conseguiu fazer com que seus pais percebessem o estado, verdadeiro ou fingido, como ele ficou. Agora é só uma questão de tempo, pensa ele.

Os pais acabam desconsiderando as negativas anteriores e arrematam tudo dizendo: “Está bem, desta vez pode!”. Então o filho sente-se vitorioso duas vezes: venceu o obstáculo que os pais colocaram e ganhou o que estava querendo.

Por que os pais consentiram em algo que haviam negado antes? Disseram um sim que aniquilou todos os nãos ditos até então? Nada mudou, o filho não fez nada de diferente a nã o ser permanecer na insistência, isto é, o filho não agregou nenhum valor à situação que justificasse a mudança. Passar por coitadinho sem sê-lo, além de falsidade ideológica, tira
credibilidade, sem a qual não existe performance que resista.

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Fonte: livro “Educar para formar vencedores”, de Içami Tiba – Integrare Editora
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