Aprenda a desarmar uma birra! Por Içami Tiba

janeiro 20, 2014

A birra é a dificuldade de aceitar um limite; a criança reage agressivamente de forma inadequada, até conseguir o que quer, expondo pais a situações desconfortáveis, não importa onde nem como. O sucesso da birra é conseguir que os pais lhe dêem o que ela quer. O sucesso de uma birra alimenta a próxima.

O melhor meio de desarmar a birra é não atender nada do que for exigido por essa estratégia. A birra não é obrigar o outro a fazer o que o birrento quer? Portanto significa que o birrento está dependendo do outro. Cabe, assim, ao outro não dar sucesso à birra. A vitória do filho birrento, se houver, dependeu não dele, mas dos pais, que lhe deram a vitória.

Para desmontar o esquema de birras é produtivo o método educativo da coerência, constância e consequência. Coerência é a base sobre a qual os pais se norteiam nas ações de enfrentamento à birra. Se a mãe não aceita a birra, mas o pai (ou outro parente qualquer) a aceita, os adultos estão sendo incoerentes. Constância significa que o enfrentamento deve acontecer sempre, não importa onde, quando e nem por qual motivo. Se aceitarem a birra só porque têm visitas, os pais estão sendo inconstantes. Consequência é um dos ensinamentos mais importantes, pois tudo o que fazemos traz consequências, e a própria pessoa é responsável pelas consequências que seus gestos provocam.

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Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Ed.

 

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Será que estamos diariamente um NOVO EU? Pense nas suas atitudes, agora, especialmente com a sua família e tenha um Feliz Natal! Por Içami Tiba

dezembro 23, 2013

Final de Ano, exaustão à vista, para quem ainda não estiver pré-comatoso. 2013 foi muito pesado a todos nós.

Quem de nós não retornou à casa cansado, necessitando desintoxicar-se do dia, tomar um belo banho, encontrar os familiares que já chegaram e os que ainda não saíram, refazer as energias e prontinho para o amanhã, que sempre temos a esperança de que seja um  NOVO DIA…

… mas será que estamos diariamente um NOVO EU? Ou já acordamos meio cansados, com um dia inteiro a ter que ser enfrentado, pensando naquela incomodativa pendência a ser resolvida, o trabalho a ser entregue, saldar aquela indevida dívida? Há dias longos demais e noites extremamente curtas? Acho que estou precisando é de férias. Talvez fazer algo muito diferente, mudar de atividade?

Uma questão que me surge à mente com muita frequência é: será que não estou usando a minha família como um grande despoluente? Falando mais diretamente: será que nossa família não está sendo um latão de lixo, onde descarrego tudo o que fui acumulando durante o dia? São tantos os “sapos engolidos” por dias, semanas, pela vida que levamos? É onde largo a raiva, contrariedade, falta de educação, os palavrões, que não soltaria se estivéssemos com visitas?

Que culpa ou responsabilidade tem a minha família pelos “sapos” que eu engulo? Epa! Vou ter que engolir também a família? A família me virou um “sapo”?

Então está mais que na hora de revermos nossos conceitos e retornarmos a ter uma vida sem “sapos”. A família não é “sapo”. É dela que nascemos e ela que constituímos, e nela que iremos morrer. Aliás, não é a família que morrerá, serei eu…  A minha família é muito maior que eu. Eu deveria é me nutrir da família, ser acolhido.

Temos que ser mais sábios para lidar com os “sapos” da vida. Não os aceitar. Mas se aceitar não engolir. Mas se engolir não digerir para não nos transformarmos em “sapos”. Não se vomita o que já passou do estômago. Eles digeridos, absorvidos e transformados em depressão, em pessoas verdes e amargas… Ou vivemos soltando “diarreias batráquias” em casa? Engolir “sapos” não é sustentável!

Celebrar alegrias e sucessos, abraçar, sorrir, cantar, comer, presentear é tão sustentável, que até data temos para isso e é chamada até “noite feliz”! Isso sim é sustentável para a existência da família. Comemoremos o Natal!

Estou bem no final do meu 31º livro, um tanto atrasado para ser um presente de Natal, mas é exatamente sobre esta sustentabilidade da saúde! Um Feliz Natal!

Içami Tiba

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Fonte: Coluna na revista Viva SA, edição de Dezembro

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Pais: merecem, mas não recebem gratidão. De quem é a culpa? Por Içami Tiba

abril 22, 2013

Antes de sair para o trabalho, um homem de meia-idade coloca o pai dele, um velhinho de 90 anos, para tomar um pouco de sol. Ao voltar para casa no fim do dia, porém, percebe que aquele senhor idoso permaneceu no mesmo lugar, passando frio e no escuro. Esqueceram de guardar o idoso! Atônito, ele cobra dos filhos, netos desse senhor:

 

– Vocês se esqueceram de guardar o vovô!

 

            E, dirigindo-se a qualquer um deles, ordena: “Vai tirar o vovô do frio!”. Em resposta, imediatamente, um neto diz para o outro: “Eu tirei ontem. Agora, vai você!”.

 

 

O que aconteceu nessa história? Por que um homem que se sacrificou tanto pelos filhos tem de ser vítima de um jogo de empurra-empurra? Ele foi um mau pai? Ele maltratou os netos? Por que os netos não cuidam do avô?

            O pai lhes deu muito amor, proveu em tudo, perdoou. Mas não usou o lema “Quem Ama, Educa”. Ou seja, esses jovens não foram educados. Ele deu tudo do bom e do melhor para os filhos, mas não aplicou o amor que exige, a meritocracia, a cidadania familiar. Em suma, não agiu de modo que eles cumprissem com suas obrigações. Fez tudo pelos filhos e para que eles fossem felizes – só que felicidade à custa dos outros não dá autonomia, não é independência. E quem não tem autonomia nem independência não pode ser feliz.

            Será que é isso que os pais querem na velhice? Ser um empecilho, um incômodo para os filhos e netos? Não! Pais idosos merecem receber gratidão por tudo o que fizeram pelos filhos e netos, principalmente quando precisam de cuidados! Pois é hora de arregaçar as mangas: filho que merece ganha regalias. Aquele que não merece vai ter de se esforçar.

          Os pais não podem ter pruridos para colocar em prática a meritocracia – é essa a porção de amor que ficou faltando para esses jovens. Quando eles nasceram, ganharam um amor dadivoso, gratuito. Não tinham mérito nenhum para recebê-lo, mas ganharam simplesmente porque são filhos.

            Quando tiveram idade para aprender, passaram a necessitar de outro tipo de afeto – o amor que ensina. Porém, toda vez que não colocaram em prática os ensinamentos que estavam recebendo, foram poupados do amor que exige – ou seja, os pais optaram por ensinar outra vez o que já haviam ensinado quando deveriam ter exigido que fizessem o que lhes fora ensinado.

          Na época, os pais nem percebiam que estavam errando, talvez até pensassem que estivessem fazendo o melhor possível repetindo o ensinamento. A atitude de ensinar outra vez sem que o filho tente fazer o que aprendeu é negar a primeira lição, é não passar da primeira fase do aprendizado. Isso porque, ao ser exigida, a criança descobre na ação a sua responsabilidade. Quem nada faz, por nada responde. Promessas podem ser lançadas ao vento e palavras não supõem responsabilidade. O que realmente possui mérito é a ação prática, são os resultados.

 

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Fonte: livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Os adolescentes de hoje, por Içami Tiba

abril 19, 2013

Os adolescentes de hoje começaram a ir para a escola praticamente com 2 anos de idade.

            Com as mães trabalhando fora de casa e o pai trabalhando mais ainda, eles passaram a infância na escola, com pessoas cuidando deles, num mundo informatizado. As ruas foram trocadas pelos shoppings, a vida passou a ser condominial, e as esquinas das padarias transformaram-se em esquinas virtuais e lojas de conveniência.

            As famílias, além de ficarem menores, se isolaram. Convivem mais com amigos que com familiares. Não visitam tios e primos, às vezes nem os avós.

            Essa convivência familiar menor que a social pode estar fazendo falta para a formação de vínculos familiares e valores na formação dos jovens. São valores como gratidão, religiosidade, disciplina, cidadania e ética.

            São tantas as variáveis que aconteceram para a geração de adolescentes de hoje que podemos comentar mais a simultaneidade que a causalidade dos seus comportamentos.

 

Hoje os adolescentes são muito apegados ao seu mundo social, seus amigos, seus programas, suas viagens, a ponto de seus pais se sentirem meros provedores.

 

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Fonte: livro “Adolescentes – Quem Ama, Educa!”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Os pais X a falta de tempo

fevereiro 22, 2013

Muitos pais, com sua estima abalada pelas incessantes cobranças de mais e mais consumismo, pensam estar sendo excelentes pais por “não deixarem faltar nada em casa”, e assim faltam com sua importante presença. Sobram alimentos e roupas de grife, mas faltam a presença e a intimidade.

A jornada de trabalho tem aumentado bastante para muitas famílias. Hoje em dia, ambos os pais trabalham cada vez mais intensamente para manter um padrão de vida cada vez mais exigente.

Não é raro encontrar pais que têm jornada dupla, ou mesmo tripla de trabalho, para poderem oferecer um bom nível de vida a suas famílias. Mais do que dinheiro, é bom saber que os filhos desejam que seus pais invistam tempo e afeto neles.

Segundo importantes estudos desenvolvidos pelo sociólogo Richard Sennett, e citados no livro A cultura do novo capitalismo, na década de 1980, era comum que em uma grande empresa existissem 14 cargos entre o presidente e um estagiário. Hoje, essa distância é de seis cargos apenas. Isso faz com que todos trabalhem muito mais, sintam-se inseguros e partilhem uma insatisfação generalizada, pois nunca é o bastante. Também há o medo de perder espaço no mercado para as gerações mais jovens, cheias de energia, de pique e de vontade de vencer rapidamente.

Some-se a isso toda uma oferta de bens e serviços que prometem afeto e contato com um mundo feliz, tais como cursos, massagens, comidas, bebidas, aparelhos eletrônicos, viagens de experiências. Tudo em nome de boas sensações afetivas que são cada dia mais raras nas famílias. As empresas terceirizaram o afeto.

 

Quais são as lembranças mais fortes que uma pessoa leva de sua família? O presente caro? A bolsa de grife? Não. Se perguntarmos a muitas pessoas, a resposta tenderá a variar pouco: as lembranças que mais guardamos no coração são dos momentos passados junto a entes queridos, conversas significativas, ocasiões em que se riu, se olhou nos olhos, se brigou, se trocou ideias. Lembramos muito mais de momentos preciosos nos quais sentimos relações reais, presença e afetividade.

 

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Fonte: livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida Juntos”, de Leo Fraiman. Integrare Ed.

 

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O estresse bloqueia a mente. O abandono nos estressa!

novembro 9, 2012

Em situações de alto estresse, o cérebro não rende. A cabeça não consegue aprender matemática quando o coração sente que em casa as relações são de subtração continuada (filhos de pais omissos).

Fica complicado aprender física quando se vive em constante atrito (filhos de pais autoritários), assim como é muito mais árduo aprender história quando se sente que as únicas passagens impor- tantes da vida são aquelas nas quais nos divertimos (filhos de pais permissivos). Este é o aluno que pensa: “Para que estudar se em casa se fala que isso não serve para nada e meu pai se deu bem sem saber nada disso?”.

A neurociência mostra que uma forte carga de estresse gera uma liberação acentuada de adrenalina, substância que em boa quantidade contribui para a liberação de mais acetilcolina, uma espécie de lubrificante das sinapses. Assim, a adrenalina indiretamente ajuda-nos a ter mais e melhores conexões cerebrais e por isso é importante estar motivado e com energia para estudar ou praticar um esporte.

Em quantidades exageradas, porém, a adrenalina inibe a aceticolina, substância que “liga” as sinapses, as conexões cerebrais. Vem daí o ditado popular que nos manda relaxar antes de tomar uma decisão.

Quando estamos estressados, seja física ou emocionalmente, o cérebro reage apenas com sua porção instintiva. E faz sentido. Se estivéssemos nas savanas africanas e avistássemos uma grande cobra, ou um predador maior que nós, não seria interessante que o cérebro gastasse tempo e energia para entender se aquele ser que nos ameaça é um anfíbio, um réptil ou um mamífero, mas sim que ele nos prepa- rasse para correr ou lutar.

Vem daí a expressão “dar um branco” diante de situações altamente estressantes,pois nesses momentos ocorre uma migração do sangue das partes periféricas do corpo (membros e pele) para as áreas vitais (cora- ção, pulmão, rins), de forma a nos proteger de escoriações e nos fornecer uma sobrecarga de energia de luta ou fuga. Conviver com o abandono continuado é uma das mais intensas formas de estresse que se pode conhecer.

Fonte: livro “Meu filho chegou à adolescência – Como construir um projeto de vida Juntos” de Leo Fraiman – Integrare Editora

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Como é difícil tirar as rodinhas!

outubro 15, 2012

            Ganhar a bicicleta era o principal sonho daquela criança. Foram muitos os momentos de expectativa em frente à vitrine da loja. A felicidade sonhada já estava nos planos dos pais havia algum tempo. Contudo, contrariando toda ansiedade do coração, a razão insistia em criar um momento especial para realizar o desejo da criança.

Aqueles pais viveram no tempo das bolinhas de gude, das pipas, dos jogos de queimada e de pular corda. Já estava distante o tempo em que a televisão era um instrumento disputado ruidosamente pelas crianças e, algumas vezes, silenciosamente pelos pais. Eram dias em que desenhos, seriados, noticiários e novelas colocavam pais e filhos em lados opostos. Naqueles anos, poucas crianças podiam usufruir de um quarto individual, quanto mais de um brinquedo.

Compartilhar era uma condição imposta pela realidade de famílias ainda numerosas. Quando o presente chegou, ficou evidente a dimensão do planejamento dos pais. A bicicleta era moderna e estava acompanhada de todos os acessórios possíveis: capacete, bomba de ar, buzina, luzes de sinalização, amortecedores hidráulicos e, principalmente, as indispensáveis rodinhas de segurança. Tudo para garantir que os momentos alegres não fossem estragados por quedas e machucados.

A primeira volta que a criança deu na nova bicicleta foi um momento mágico, com sorrisos em todos os rostos. Sob o olhar atento dos pais, a criança pedalava e ganhava velocidade. Algumas vezes, ousava passar com a roda por cima de uma pedra, buscando novas emoções nos pequenos saltos. Depois de alguns dias, a criança adquiriu uma relação íntima com a nova companheira de alegrias, libertando-se dos acessórios mais pesados e se aventurando por caminhos mais sinuosos. O único acessório que mantinha em sua bicicleta eram as rodinhas de segurança. Elas permitiam uma série de manobras emocionantes sem que isso representasse um tombo.

Os pais tentaram tirar as rodinhas, mas não tiveram sucesso. A criança já estava tão acostumada que não aceitava a retirada do equipamento. Quando as rodinhas eram retiradas, a criança simplesmente abandonava a bicicleta.

A criança foi crescendo e seus pais, sempre preocupados em proporcionar grandes alegrias a ela, foram substituindo as rodinhas por modelos maiores e mais resistentes: as novas aventuras eram muito mais desafiadoras e exigiam cada vez mais proteção. Há alguma coisa estranha nesse comportamento, aparentemente aceitável e natural. Não podemos condenar a criança, afinal, todos nós gostamos de rodinhas nos protegendo, facilitando nossos caminhos e nossos desafios. Também é compreensível a atitude dos pais, que sempre irão se preocupar em proteger seus filhos. Eles nunca terão forces para tirar as rodinhas. Quem já aprendeu a andar de bicicleta sabe que somente uma decisão pessoal pode retirá -las.

Esse é o desafio dos jovens da Geração Y. Eles precisam assumir uma postura menos acomodada e mais proativa em relação às suas próprias escolhas. As rodinhas podem proteger, mas também limitam os movimentos e as chances de alegrias. Também precisam aprender a confiar em seu talento e na força que os erros acrescentam ao crescimento pessoal, porque, mesmo não andando de bicicleta, tombos e machucados acontecerão.

A única ajuda que podem desejar é a de ter o apoio de alguém segurando o banco por alguns instantes antes da grande aventura.

 

Fonte: livro “Jovens para Sempre – Como entender os conflitos de gerações”, de Sidnei Oliveira – Integrare Editora

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