Pais sem limites. (por Leo Fraiman)

dezembro 18, 2015

Educar leva tempo. Mas não educar leva a prejuízos por mais tempo ainda. Milan Kundera, em seu livro A lentidão, descreve uma importante imagem sobre o tempo. Ele diz que, quando queremos apreciar uma comida, uma boa bebida, um momento gostoso no qual contemplamos a natureza, paramos, olhamos, curtimos o momento.

 

Quando estamos perdidos, ou quando estamos diante de um cenário feio e ameaçador, tendemos a acelerar. O que vemos são muitos pais querendo acelerar o crescimento dos filhos para retardar a própria juventude perdida. Quanto mais eles se iludirem achando que seus filhos se cuidarão por si, quanto mais pensarem que os filhos encontrarão um jeito de se virar, quanto mais se enganarem pensando que sua omissão não trará prejuízos, dor e problemas, mais estarão se afastando de uma vida sadia para si mesmos e mais afastarão seus filhos da possibilidade de terem, eles mesmos, mais adiante, uma família.

 

Diversas pesquisas mostram que hoje a vontade de construir uma família é adiada para mais tarde: depois da estabilidade financeira, depois da segurança profissional, depois de viver muitas experiências, ou seja, depois dos 30 anos.

 

Muitas moças que não se casam e tornam-se cínicas (indiferentes) depois dos 30 anos encontram uma série de homens também cínicos pela frente, com os quais terão alguns momentos de sexo intenso, amizade e experiências bastante variadas, mas poucas chances de vínculos sadios e seguros para constituir uma família.

 

Nessa omelete atual de papéis, nem se pode dizer que eles foram invertidos, e sim que se misturaram. Há pais que, em nome de serem modernos, liberais, próximos, fazem dos ouvidos dos filhos o seu “penico”, literalmente. Acreditando que todos devem ficar a par da “realidade”, pais separados jogam na cara dos filhos os piores aspectos do ex-cônjuge, em um ato que é comparável, em minha opinião, ao crime de assédio moral. Falar mal do ex-parceiro gera constrangimento constante aos filhos, sem que estes tenham como se defender. Isso é colocar os filhos em angústia.

 

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Fonte: livro “Meu filho chegou à adolescência. E agora?”, de Leo Fraiman. Integrare Editora

 

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Sistemas Cortisol e Melatonina

abril 27, 2012

No aprendizado, há muitas áreas na mente que estão travadas nos pontos da ignorância. De fato, conseguimos enxergar e ouvir mais o que para nós tem significado. Para o que não conhecemos, somos mentalmente cegos e surdos. Ou seja, solta uma trava cá, destrava o sistema lá.

Durante o dia, o organismo humano funciona na base do cortisol, hormônio do estresse, para sobreviver. Sua mente utiliza determinados sistemas conscientes e automatizados para solucionar problemas. Nesse período, ele envelhece. À noite, durante o sono, reina a melatonina, o hormônio do rejuvenescimento, antioxidante e recuperador. A mente é escrava do desejo e, se uma pessoa deseja resolver um problema, usará durante o dia o sistema cortisol e acionará os seus sistemas disponíveis, geralmente conscientes.

Durante a noite, a mente continua procurando uma solução, agora regida pela melatonina, escapa do controle consciente de vigília, passeia por outros sistemas e encontra respostas desejadas, quando há competência para isso. Quando a mente encontra uma sugestão de resposta, a pessoa é despertada e se lembra do sonho.

Se nada anotar, ou deixar algo para servir como âncora – lembrança da resposta e dormir outra vez, no dia seguinte lembrará que sonhou, mas não se lembrará com o quê.

A melatonina também é responsável pela desintoxicação, eliminando o que a mente recebeu, mas não lhe deu significado. Ela não deixa informações a Marcar Passo e ocupar um sistema que deve estar ocupado com outros dados mais significativos. Memória não utilizada, seja lá para o que for, torna-se inútil e será deletada.

A sabedoria envolve saber despedir-se e descartar o que não serve mais à mente. Já imaginou você ter de procurar uma agulha no meio do palheiro que ocupa todo o celeiro? É como se sua memória estivesse toda ocupada com palhas: sua performance usada com um trabalho inútil se tornaria de Alto Desgaste.

 

 

 

Fonte: trecho do livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Células espelho – As células do amor

abril 23, 2012

Amar um bebê é tarefa simples. A natureza nos dotou de células-espelho, espalhadas pelo cérebro, que são responsáveis pela imitação de expressões faciais de nossos semelhantes. Suzana Herculano-Houzel, em seu livro “Por que o bocejo é contagioso”, explica que é quase impossível não rir quando outra pessoa ri para nós por causa delas, dessas células.

Elas nos conduzem a uma imitação facilitada, que faz com que leiamos com alguma precisão os sentimentos e intenções alheios, permitindo perceber quem é nosso amigo e de quem devemos nos defender.

É devido a esse tipo de células que temos sido tão eficientes em formar grupos e, graças a elas, conseguimos vencer nossa fragilidade natural. Que chance teríamos de vencer um tigre, uma cobra ou um jacaré com nossos braços, bocas e mãos? Como somos muito mais frágeis e indefesos do que esses animais, usamos nossas células-espelho para nos aliarmos uns aos outros.

Se não corremos, podemos (juntos) criar um carro, que nos leva longe de nossos predadores. Nossos olhos não enxergam longe, mas (em grupo) criamos óculos. Nossas mãos não são tão fortes como as de um gorila, mas (unidos) podemos criar armas, abater outros animais e sobreviver da caça.

Esse tipo de célula se aprimora com o uso e por isso, quando se convive em um ambiente onde há validação mútua, onde as pessoas se percebem e se respeitam, é mais fácil reconhecer os sentimentos alheios e ter consideração, o que nos leva ao respeito social e à solidariedade.

Pais participativos exercitam suas células-espelho constantemente e por isso percebem o que seus filhos sentem com mais facilidade. Sendo percebidos, esses filhos também tendem a considerar os outros com os quais convivem, sejam amigos, colegas ou professores. Pais assim têm bom-senso, ou seja, eles sentem bem seus filhos e as necessidades reais deles. E as atendem.

Por isso, compreender bem a adolescência permitirá que você não se afaste justamente no momento em que seus filhos precisam — e muito — de você.

 

Fonte: trecho do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? – Como construir um projeto de vida JUNTOS”, de Léo Fraiman  – Integrare Editora

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Waffles

dezembro 14, 2011

Jennifer, 11 anos, acorda, arruma a cama, dá uma olhada ao redor do quarto para verificar se tudo está no devido lugar e dirige-se à cozinha para preparar seu café da manhã. Examina o que há no freezer para comer, apanha um pote de waffles congelados e conta quantos ainda restam — seis.

“Vou comer três waffles agora e três amanhã de manhã”, pensa Jennifer consigo mesma. Põe então três waffles para tostar e em seguida senta-se para tomar seu café-da-manhã.

Algum tempo depois, sua mãe e seu irmão de 5 anos, Adam, entram na cozinha. A mãe pergunta ao menino o que ele gostaria de comer no café da manhã. “Waffles”, responde Adam. Assim, ela abre o freezer para apanhálos.

Porém, Jennifer, que estava até então ouvindo tudo atentamente, dá vazão à sua raiva.

— Ele não pode comer esses waffles que estão aí! — grita Jennifer, enrubescendo rapidamente.

— Por que não? — pergunta a mãe, já com a voz alterada e a pulsação acelerada, tentando a todo custo entender o comportamento da filha.

— Porque eu é que vou comê-los amanhã de manhã! — berrou Jennifer, saltando da cadeira.

— Mas o seu irmão também quer, e hoje! — berrou a mãe em resposta.

—    Ele não pode comê-los! — gritou Jennifer, agora encarando a mãe.

A mãe, precavida contra as agressões físicas e verbais das quais sua filha é capaz nesses momentos, e já desesperada, pergunta ao filho se há alguma outra coisa que ele gostaria de comer.

— Eu quero waffles… — choraminga Adam, escondendo-se atrás da mãe.

 

Jennifer, extremamente frustrada e agitada, empurra a mãe, tirando-a do caminho, apodera-se do pote de waffles congelados, bate com força a porta do freezer, lança ao chão uma das cadeiras da cozinha, agarra o prato de waffles torrados e sai dali para o seu quarto batendo o pé, evidentemente irritada. Seu irmão e sua mãe começam a chorar. A verdade é que essa mãe não está sozinha; existem por aí milhares de Jennifer. Os pais de crianças como ela com freqüência descobrem que as estratégias que normalmente são efi cazes para modelar o comportamento de outras crianças — como explicar, ponderar, tranqüilizar, acalentar, insistir, ignorar, recompensar e punir — não têm o mesmo resultado. Mesmo os medicamentos comumente prescritos em geral não promovem uma melhora satisfatória.

Se você tem um filho ou uma filha como Jennifer, provavelmente sabe bem como os pais se sentem frustrados, confusos, irritados, tristes, culpados, completamente desarmados, esgotados e desanimados.

Essas crianças têm qualidades maravilhosas e um tremendo potencial. Na maioria das vezes, suas habilidades cognitivas usuais desenvolveram-se em um ritmo normal. Contudo, a infl exibilidade e a baixa tolerância a frustrações na maior parte do tempo obscurecem seus traços positivos, causando nelas e nas pessoas ao redor imenso sofrimento. Não há nenhum outro grupo de crianças tão mal compreendido. Seus pais normalmente são pessoas afetivas, atenciosas e bem-intencionadas, mas com freqüência se sentem culpados por não serem capazes de ajudar os filhos.

Fonte: trecho do livro “Criança Explosiva”, de Ross W. Greene – Integrare Editora

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Participação dos Pais na educação escolar

dezembro 12, 2011

Quais são os benefícios do envolvimento dos pais na educação escolar?

De que forma uma boa aliança entre a casa e a escola impactam nos resultados escolares?

A união entre os pais e a escola contribui diretamente para a melhoria do cotidiano escolar em vários sentidos. Com um senso de aliança casa-escola, forma-se uma equipe que atua em conjunto. Há uma partilha de interesses, um fortalecimento das falas de ambos e maior organização da vida dos filhos. Quando cada parte indica uma direção a seguir, os filhos se perdem no meio do caminho e tendem a estacionar.

É interessante que a escola ofereça serviços de orientação familiar por seus próprios profissionais ou por especialistas. Se, por um lado, isso pode ser levado como mais uma “sobrecarga”, mais uma atribuição à escola, pode ser visto também como uma forma de esta obter uma elevação nos níveis de comunicação com as famílias que atende e em seus resultados.

Desejar que os pais participem mais sem oferecer motivação e sem pensar em estratégias para formar e gerenciar essa aliança não é eficaz e gera frustração em todos os envolvidos. Os pais se sentem excluídos, os educadores se sentem frustrados e os alunos ficam abandonados, perdidos e, não raro, confusos.

Orientar as famílias e aproximar os pais da educação de seus filhos traz, ainda, outros benefícios:

➥ provê estratégias para os pais poderem melhorar sua relação com os filhos;

➥ ajuda o educador a conhecer a família, saber como os pais reagem às atitudes dos filhos, formam e gerenciam suas expectativas e resultados alcançados;

➥ permite ajudar a definir com mais clareza o papel dos pais no estabelecimento de limites com os filhos e ajudá-los a se sentirem mais seguros nas suas orientações;

➥ coloca a escola como promotora de um importante serviço a sua comunidade, estabelecendo assim um papel de prevenção no atendimento aos pais, e claro, aos alunos;

➥ ocorre uma melhoria do rendimento em notas, participação e andamento escolar (comportamentos e atitudes gerais).

A escola proativa passa a não receber os pais somente quando os filhos apresentam problemas, mas sim para desenvolver um trabalho sério, profundo e comprometido, que gera um vínculo de mais confiança, reciprocidade e proximidade.

Um importante senso de continuidade é o que a criança sente quando seus pais e sua escola têm um bom relacionamento. Isso permite que a criança deseje ir mais a fundo no que faz, assuma mais riscos e se desenvolva intelectualmente com mais afinco. O envolvimento dos pais na educação é um dos fatores mais importantes para o aumento considerável de possibilidades de sucesso na vida escolar.

O recebimento de informações ocorre dentro da sala de aula, mas a construção de hábitos, principalmente os de esforços, disciplina e respeito, começam dentro das casas, no seio da família, que também deve fazer sua parte.

Fonte: trecho do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora?”, de Leo Fraiman – Integrare Editora

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Compreenda a adolescência e se aproxime do seu filho na fase que ele precisa … e muito! – de você

novembro 18, 2011

Amar um bebê é tarefa simples. A natureza nos dotou de células-espelho, espalhadas pelo cérebro, que são responsáveis pela imitação de expressões faciais de nossos semelhantes.

Suzana Herculano-Houzel, em seu livro Por que o bocejo é contagioso, explica que é quase impossível não rir quando outra pessoa ri para nós por causa delas, dessas células. Elas nos conduzem a uma imitação facilitada, que faz com que leiamos com alguma precisão os sentimentos e intenções alheios, permitindo perceber quem é nosso amigo e de quem devemos nos defender.

É devido a esse tipo de células que temos sido tão eficientes em formar grupos e, graças a elas, conseguimos vencer nossa fragilidade natural. Que chance teríamos de vencer um tigre, uma cobra ou um jacaré com nossos braços, bocas e mãos? Como somos muito mais frágeis e indefesos do que esses animais, usamos nossas células-espelho para nos aliarmos uns aos outros. Se não corremos, podemos (juntos) criar um carro, que nos leva longe de nossos predadores. Nossos olhos não enxergam longe, mas (em grupo) criamos óculos. Nossas mãos não são tão fortes como as de um gorila, mas (unidos) podemos criar armas, abater outros animais e sobreviver da caça.

Esse tipo de célula se aprimora com o uso e por isso, quando se convive em um ambiente onde há validação mútua, onde as pessoas se percebem e se respeitam, é mais fácil reconhecer os sentimentos alheios e ter consideração, o que nos leva ao respeito social e à solidariedade.

Pais participativos exercitam suas células-espelho constantemente e por isso percebem o que seus filhos sentem com mais facilidade. Sendo percebidos, esses filhos também tendem a considerar os outros com os quais convivem, sejam amigos, colegas ou professores.

Pais assim têm bom-senso, ou seja, eles sentem bem seus filhos e as necessidades reais deles. E as atendem.

Crescer em um ambiente de validação mútua é um dos fatores mais relevantes para a saúde de uma pessoa. O pior dos castigos que uma pessoa pode sofrer, muito pior do que a própria agressão, é o abandono.

Pense na história da humanidade, o que se fez com as lideranças tidas como “perigosas”: o ostracismo, o isolamento e a separação do grupo sempre foi uma estratégia de enfraquecimento alheio.

Quando um preso se comporta mal, ele é mandado para a solitária.

Quando um filho se comporta mal, ele é mandado para o quarto.

O princípio é o mesmo: necessitamos de contato humano para estar bem e felizes. Ser privados disso em nosso desenvolvimento tem consequências graves em diversas áreas da vida.

Fonte: Trecho do Livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida JUNTOS”, de Leo Fraiman – Integrare Editora

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Somos todos Educadores

julho 1, 2011

Todo ser humano é um educador em potencial, pois já nasce um aprendiz. Se ninguém lhe ensina nada, aprende com as próprias experiências. A educação é fundamental para a sobrevivência da civilização e da cultura. Não podemos mais imaginar que alguém viva absolutamente isolado da influência dos outros.

Onde houve relacionamentos, estará presente a educação. Um indivíduo pode até se isolar para meditar no pico do monte Everest, mas não há como ter vivido até essa altura da vida sem, antes, ter conhecido outras pessoas. Basta lembrar que um dia ele nasceu de alguém.

Ninguém tem tempo nem condições de descobrir tudo sozinho neste mundo. O homem não para de ser inundado com novas tecnologias, ideias e costumes.

Aprender com quem sabe tornou‑se imprescindível.

Em qualquer ocasião, sempre há alguém ensinando e

outro aprendendo, direta ou indiretamente.

Fonte: trecho do livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

 


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