Sobre as famosas “DRs”: são mesmo necessárias no relacionamento?

outubro 5, 2012

No campo do casamento, parece que não há muito jeito, ou o casal discute minimamente a relação, ou vai acabar discutindo intensamente na relação. Quem olha de fora e vê um casal discutindo irritada e raivosamente sobre pequenas bobagens, sobre assuntos sem importância não vê – e o casal na maioria das vezes também não vê – que o sofrimento é outro.

Geralmente há algum tema ou algum sentimento que foi evitado, ou que não foi resolvido, que não foi dito, mas que insiste em retornar por outros caminhos. Não é assim mesmo que acontece no dia a dia do casamento? Pense na última discussão que você e seu cônjuge tiveram, veja se foi mesmo em torno do verdadeiro problema, será que foi? Ou foi apenas uma maneira momentânea de descarregar a irritação? O que você acha?

É preciso esclarecer, desde já, um equivoco muito comum sobre essa questão de conversa amorosa. Enganase quem pensa que “discutir a relação” serve para resolver problemas. Não é nada disso, resolver problemas é motivo para reuniões – e olhe lá. Não se discute a relação para trocar informação ou resolver problemas (os problemas são só o pretexto). Discute-se a relação para criar um sentimento de ligação, para se sentir ouvido, sentir-se amado, pedir garantias, desfazer e às vezes fazer fantasias, e coisas assim. Discutir a relação não é uma transação cognitiva, é uma transação afetiva, uma espécie de relação sexual não corporal, não no sentido do prazer evidentemente, mas no sentido da intimidade, do envolvimento, do enlaçamento.

Certa vez um paciente me disse que agora, depois

de anos de casamento, ele estava aprendendo

a conversar com sua mulher, e explicou:

“Agora eu consigo escutar o que ela tem para

dizer sem querer ficar resolvendo tudo”. É essa

a arte da conversa amorosa.

Existem pessoas e casais que conseguem afrouxar o nó em silêncio, mas estes são alguns poucos sortudos, já que a maioria de nós tem mesmo de recorrer à palavra, esse instrumento tão frágil e tão confuso. Acontece que não é uma coisa simples este negócio de falar-no-amor, algumas pessoas não gostam, e não querem nem saber da história de discutir a relação, outras não sabem como fazer isso, enquanto outras têm muita ilusão, e outras ainda parecem que só sabem fazer isso.

Por causa dessas dificuldades, e numa tentativa de transformar “a briga” em “um diálogo” este livro apresenta algumas ideias sobre como começar uma conversa, onde pode ser melhor conversar, quando conversar e quando adiar; e também sobre o que conversar e se convém ou não evitar algum tema, e finalmente sobre como terminar um conversa, se é que existe tal coisa em um casamento.

 

Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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Conversa com ou sem platéia?

julho 27, 2011

Conversar na frente dos outros pode modificar muito a reação das pessoas. Existem coisas que suportamos ouvir a dois, mas que nos deixariam muito incomodados se outras pessoas escutassem.

Então cuidado, uma conversa amorosa funciona melhor a dois, não precisa de plateia, muito menos de juízes. É que algumas pessoas buscam a opinião de um terceiro como um reforço para seus pontos de vista ou como forma de pressionar e convencer o parceiro para alguma coisa. Esta é uma estratégia perigosa; além de não trazer ganhos para o entendimento do casal, costuma ser vivenciada como chata pelos terceiros envolvidos.

Este jogo chama-se “tribunal”, e não é uma boa maneira de tratar dos problemas do casamento. É fácil imaginar o desconforto e a irritação do marido com a estratégia da esposa. A conversa amorosa é a dois. O ser humano é assim em geral, e não vai ser no casamento, tão repleto de fantasias e “neuras”, que ele vai escapar deste “poder do outro”. Deve ser por isto que os namorados, quando começam uma relação, pedem com tanta veemência: “se acontecer alguma coisa, me conte, não deixe eu saber pelos outros”.

 

Fonte: O nó é o Laço – Desafios de um Relacionamento Amoroso, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora


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