Um bom caminho é o consenso (por Maria Tereza Maldonado)

março 13, 2015

A busca do consenso é um esforço de cooperação no sentido de encontrar uma solução aceitável para todos, em vez de insistir numa luta competitiva de forçar os perdedores a “engolir” uma solução inaceitável. A solução de problemas por colaboração é muito útil para conflitos envolvendo múltiplas partes, especialmente em questões ambientais e de políticas públicas.

Na maioria das vezes, quando escolhemos as maneiras “bélicas” de solução de conflitos os custos emocionais são altos. Os financeiros também, quando entramos em litígio, em processos que podem demorar muitos anos nos tribunais, com o risco de que a decisão judicial não seja tão favorável como gostaríamos. Por esses motivos, o terreno da solução alternativa de conflitos está se ampliando em muitos países, mostrando que há caminhos mais eficazes e econômicos de resolver conflitos, sem usar violência ou recorrer à justiça.

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Fonte: livro “O bom conflito”, de Maria Tereza Maldonado. Integrare Editora

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Você “escuta” ou “ouve”? Entenda a diferença e aproveite cada uma delas! (por Maria Tereza Maldonado)

dezembro 19, 2014

A boa escuta é considerada a mãe das formas eficazes de comunicação. A diferença entre ouvir e escutar é que ouvir é uma atividade biológica e escutar é um processo mais complexo, que exige esforço cerebral. É uma habilidade que, com paciência e persistência, pode ser aperfeiçoada no decorrer da vida.

Quando ouvimos com empatia nos colocamos no lugar do outro (filhos, clientes, amigos, pessoas amadas), imaginando como vê, pensa e sente. É esse modo de ouvir e responder que aumenta a confiança e a compreensão. Quando o outro se sente ouvido, fica mais propenso a escutar. Quando se sente compreendido, tende a atenuar atitudes beligerantes e críticas ácidas.

Os efeitos principais desse tipo de escuta são:

  • Aumentar a confiança e o respeito.
  • Encorajar a expressão de sentimentos.
  • Reduzir tensões.
  • Estimular a colaboração para a solução do problema.

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Fonte: livro “O bom conflito”, de Maria Tereza Maldonado. Integrare Editora

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O que fazer com a energia da raiva?

maio 4, 2012

Os conflitos estimulam sentimentos intensos, principalmente a raiva. O acúmulo de mágoas, decepções e ressentimentos formam uma couraça de raiva que, com frequencia, torna a pessoa resistente à proposta de mediação (“Estou morrendo de raiva, não quero conversar nem ver a cara dele, quero ir direto para a Justiça!”). É importante descobrir os sentimentos que estão por baixo da raiva (tristeza, humilhação, medo, entre outros) para que a raiva se transforme e permita que as pessoas parem de

empacar nas respectivas posições. Refletir sobre as raízes da raiva também pode ser útil para diminuir a intransigência e ampliar recursos para lidar com os conflitos de modo mais eficiente.

Cansada de reclamar da falta de cooperação dos filhos adultos, que sempre deixavam as garrafas de água vazias, Helena mudou de tática: reservou para si mesma uma garrafa térmica com água gelada e parou de encher as da geladeira; sentiu-se aliviada e, assim, sem se enraivecer nem continuar brigando com os filhos, transmitiu a mensagem de que deixaria de realizar essa tarefa sozinha. Foi o primeiro passo para pensar em outras situações em que ela estava fazendo mais do que devia, dando margem à acomodação dos filhos.

O exame da nossa raiva, portanto, oferece oportunidades de desenvolver novos recursos para lidar com as situações que nos incomodam e mudar padrões de comportamento.

 

 

Fonte: trecho do livro “O bom conflito – Juntos buscaremos a solução”, de Maria Tereza Maldonado – Integrare Editora

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Homem se realiza, mulher se relaciona

julho 13, 2011

Os homens focalizam as realizações, pensam em termos de poder, são competitivos, funcionam no reino do sucesso e de seus correlatos como fraqueza e fracasso, são muito bons para resolver problemas, fazer coisas, alcançar objetivos e competir. Entretanto, naquelas situações da vida quando nada mais pode ser feito, quando não há com quem competir, quando não existe objetivo algum para ser alcançado, geralmente o homem se sente perdido e angustiado.

 Parece que a mulher suporta melhor essas situações, talvez porque, apesar de não haver nenhuma luta a ser travada, ainda há relações a serem vividas, e as mulheres são muito interessadas e eficientes em termos de relações humanas, de qualquer tipo. Os soldados vinham primeiro e conquistavam as novas terras, depois vinham as mulheres e a família para a colonização dos novos domínios.

 Se os homens precisam sentir-se conquistadores, donos da situação, poderosos, as mulheres não costumam ter problemas em conceder-lhes essa ilusão, essa aparência de poder, já que elas mesmas não precisam funcionar e responder ao impulso fálico que rege o mundo masculino.

 Parece que há vida e poder além do falo; os homens é que não descobriram isso, ou simplesmente nem chegam a entender os mistérios do poder contido no feminino. Este é um campo ainda não conquistado.

Fonte: Trecho do livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti


Jovem para sempre! Geração Y x Veteranos

maio 2, 2011

O ninho da águia

Mais uma vez a águia chega com uma presa para alimentar seus filhotes. São tempos difíceis, o clima inconstante está afastando a caça, os pequenos animais agora permanecem mais tempo em seus abrigos, fugindo não apenas dos predadores, mas também do calor sufocante que destrói boa parte dos alimentos. Dessa vez, a águia teve dificuldades para encontrar um bom lugar para montar seu ninho. Os penhascos mais altos e próximos dos alimentos foram ocupados rapidamente, obrigando-a a ser ainda mais estratégica e persistente para criar um abrigo que acomodasse seus três filhotes.

No começo, o ninho estava bastante seguro e confortável, e até mesmo a águia encontrava ali um bom lugar para repousar. Contudo, com o crescimento dos filhotes, o ninho começou a ficar pequeno e tornou‑se comum a águia encontrá‑los brigando entre si, muitas vezes com feridas provocadas pelas bicadas mútuas. O tempo já estava dando seus sinais, e a águia sabia que estava chegando o momento de submeter seus filhotes ao ritual que significaria a continuidade de sua família. Seria o momento do primeiro grande voo.

Num dia ensolarado a águia novamente se prepara para caçar seu alimento, mas antes olha diretamente para cada um de seus filhotes e, em um rápido movimento, expulsa- os do ninho atirando‑os pelo penhasco. Os instantes seguintes são tomados por uma tempestade de sentimentos contraditórios e confusos. Os filhotes, que até aquele momento conheceram apenas a proteção e os cuidados da mãe, estão em uma queda vertiginosa, com o vento forte espancando seu corpo.

Nada, até aquele momento, demonstrava que a águia tomaria uma atitude tão radical. Para os filhotes, a sensação de rejeição e perplexidade se confundia com o medo e a angústia. Era a primeira vez que cada um deles experimentava uma realidade diferente e, julgando pela violência do que estavam sentindo, a vida fora do ninho era absurdamente desconfortável e agressiva.

Qualquer um dos filhotes, naquele momento, teria o direito de questionar por qual razão a águia os havia trazido ao mundo – afinal, não deixa de parecer sádico dar a vida a um ser e depois atirá‑lo para a morte certa na queda de um penhasco.

Durante a queda cada um procura em si mesmo algum recurso que possa eliminar o desconforto absurdo por que está passando. Gritar chamando pela águia é a primeira alternativa, mas demonstra não ter efeito algum. Agitar as pequenas garras, que muitas vezes foram fundamentais na disputa do alimento com os irmãos, não parece ser eficaz contra o vento. Além disso, enquanto cada filhote rodopia sem controle, um breve pensamento de acusação culpava a águia pela atitude insana.

Após infinitos segundos, uma força instintiva faz que cada filhote abra suas asas – descobrindo, assim, que podem controlar aquela situação sustentando seu corpo com a ajuda da velocidade que alcançaram durante a queda. O momento é único, eles ainda estão um pouco assustados com a súbita parada no ar. Enquanto voam, procuram entender o que está acontecendo e logo percebem que sempre puderam voar, apenas não sabiam disto.

Depois de alguns momentos de voo, percebem a águia voando atrás deles. Ela estava totalmente vigilante, cuidando para que a experiência fosse boa e sem acidentes irreparáveis. Ela se mostrou exatamente no momento em que os filhotes já estavam dominando a técnica de voo e,  sem perder tempo, fez uma manobra no ar, mergulhando em direção a um pequeno roedor. Com as garras prendeu o pequeno animal e em seguida, diferentemente do que sempre fazia, comeu a presa.

Tudo ficou claro. A partir de agora, cada filhote deveria caçar o próprio alimento.

E não foi só isso que mudou…

Quando os filhotes começam a voar de volta ao ninho, percebem o enorme esforço necessário para chegar até ele, como nunca antes tinham feito. Ao chegar ao alto do penhasco, notam

que estão diferentes – com a abertura das asas, os músculos ficaram maiores e mais fortes – e já não cabem no ninho, por isso terão também de procurar um novo abrigo.

Aquela queda foi a primeira, a única verdadeira e sem dúvida a mais importante na vida dos filhotes. Nada mais seria igual depois dessa experiência. As lembranças do ninho da águia estarão sempre presentes e serão uma referência constante para a construção de seus próprios ninhos.


Atualmente muitos jovens relutam em “saltar” para sua independência, pois estão acostumados com o padrão de vida que seus pais proporcionam. O ninho está sempre confortável – cada vez maior e mais adequado às suas expectativas –, e os pais desenvolveram um comportamento mais próximo, mais parecido com o de um amigo, e essa atitude é um obstáculo para impulsionar o movimento que simboliza o salto do penhasco. É muito comum encontrar pais que nem querem considerar essa possibilidade.

Para as gerações veteranas (X e babyboomers), é um desafio enorme acreditar no potencial de “voo” dos mais jovens. As motivações são variadas e paradoxais, mesclando argumentos que remetem a sentimentos de amor e cuidado com a vida do jovem e críticas pela falta de foco e compromisso com as próprias expectativas, levando ao julgamento de imaturidade para se aproximar do penhasco e ousar fazer o “voo”.

Fonte: trecho do livro “Geração Y – Ser potencial ou ser talento? Faça por merecer”, de Sidnei Oliveira


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