Como o ser humano aprende a confiar. (por José María Gasalla e Leila Navarro)

janeiro 25, 2016

Surgimos em um lugar quente e aconchegante, onde nossas necessidades são atendidas automaticamente e uma presença constante nos envolve com seus movimentos e voz. Gozamos de um estado de unidade e sincronicidade com o Universo que nos supre, sem distinguir onde nós terminamos e ele começa. Não há desejo, nem frustração, nem tempo ou espaço. Simplesmente existimos.

 

Um dia, uma grande mudança acontece. Luz, frio, a sensação de estar em outro espaço, o elemento ar invadindo nossos pulmões. Por instantes, perdemos o contato com aquela presença. Mas nossa angústia termina quando ouvimos de novo sua voz e sentimos seu calor. Que alívio, ela continua conosco! Nós nos acalmamos e sabemos que vamos ficar bem.

 

Como costuma dizer o biólogo chileno Humberto Maturana, nascemos na confiança. É uma confiança instintiva, de que seremos cuidados e protegidos, de que nada nos faltará. Confiamos no colo que nos acolhe, no seio que nos alimenta, na voz que nos é tão familiar. Nossa vida de recém-nascidos é quase a continuidade da vida intra-uterina, com a diferença de que nós e nossa mãe não ocupamos mais o mesmo lugar. Ainda assim, nos sentimos parte dela. É só termos alguma necessidade e ela nos atende prontamente, nos acalma e conforta. Ah, que deliciosa sensação de plenitude! É o mundo a nossos pés, como até então sempre foi.

 

Quer a natureza, porém, que nos tornemos seres autônomos, e isso implica dar-nos conta de que somos indivíduos com necessidades, vontades e motivações próprias – e freqüentemente diferentes das de outras pessoas, quando não contrárias. Em um primeiro momento, começamos a perceber que não somos nossa mãe. Ela nos coloca sozinhos no berço, em certas ocasiões demora um pouco para vir quando chamamos, às vezes até parece não querer dar o que desejamos. Mas não somos nada tolos! Temos uma percepção aguçada e, a partir das respostas que obtemos no relacionamento emocional com ela, começamos a “entender” o mundo.

 

O sorriso, as palavras carinhosas e os afagos maternos nos fazem sentir bem, e logo associamos manifestações de afeto e receptividade com a confiança. Gradativamente, aquela confiança instintiva com que nascemos começa a se sofisticar, a responder a diferentes apelos e a ser testada com outras pessoas também. Aprendemos a confiar em quem demonstra gostar de nós ou estar aberto para nós; é um fenômeno emocional, baseado em empatia, sensações e sentimentos. E quando a pessoa não parece amistosa, tem uma cara esquisita ou um jeito estranho? Não vamos para o colo dela de jeito nenhum, e é bom não insistir, senão choramos. É o germe da desconfiança surgindo em nós.

 

Que bom seria se o mundo fosse assim tão simples: confiar nas pessoas amorosas, não confiar nas mal-encaradas… O fato é que a realidade é bem mais complicada. Aqueles em quem confiamos às vezes se mostram indiferentes ou irritados, negam o que queremos, não agem de acordo com nossa vontade. Isso nos confunde tanto! Mas, é claro, somos muito perspicazes e desenvolvemos estratégias para conseguir o que queremos, seja atenção, um afeto ou objeto material. A partir do relacionamento com as pessoas mais próximas, testamos e desenvolvemos um conjunto de comportamentos que geram os retornos desejados. E assim começamos a construir nossa personalidade e a perceber que para ter nossas necessidades atendidas e obter o que desejamos não basta confiar: é preciso também que os outros confiem em nós.

 

Conforme crescemos, entendemos cada vez melhor que a confiança não está apenas relacionada a nossos instintos e sentimentos, mas também às nossas atitudes em relação aos outros e às dos outros em relação a nós. Entendemos que confiança se conquista, se inspira e se constrói num plano de interesses em comum, objetivos compartilhados, afinidades de valores, respeito e consideração. É a confiança baseada na razão.

 

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Fonte: livro “Confiança: a chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de José María Gasalla e Leila Navarro – Integrare Editora

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Modelos de gestão baseados no medo. (por José María Gasalla e Leila Navarro)

setembro 30, 2015

O uso intensivo de vigilância é uma característica das organizações em que o medo funciona como instrumento de gestão. Isso deu bons resultados nas empresas estáticas, fechadas e repetitivas do passado, já que a única coisa que as pessoas tinham de fazer era o que dizia o chefe e determinava a norma.

Bastava isso para que as coisas dessem certo, o trabalho fosse feito como deveria e se repetissem as ações que haviam dado certo em anos anteriores.

Ocorre que, no mundo competitivo e dinâmico de hoje, as empresas não têm nenhuma garantia de sucesso ao repetir as ações de anos anteriores e tampouco podem utilizar o medo como instrumento de gestão dos talentos que lhes são tão necessários. O medo faz com que as pessoas se fechem, não se comuniquem, não arrisquem, não se desenvolvam, não criem. Sem isso, não há inovação, não há eficiência competitiva, não há sucesso.

Deixar de praticar a gestão baseada no medo não é simplesmente uma questão moral, de certo ou errado: é também uma questão de eficiência e resultados. Pelo mesmo motivo, por exemplo, as empresas praticam a responsabilidade social corporativa, que, sejamos realistas, não é tão aclamada por fazer bem às pessoas, criar uma sociedade mais justa e equilibrada, e sim por motivos econômicos. Se o consumidor percebe que a empresa tem uma atuação social, está preocupada com o bem-estar da comunidade e o desenvolvimento das pessoas, irá comprar mais seus produtos.

Se as empresas não adotam ações progressistas por convicção de que é o melhor a fazer, que seja pela necessidade de seguir uma tendência para a qual não há escapatória. O que importa é que abandonem o medo como instrumento de gestão – do contrário, sua sobrevivência estará seriamente ameaçada.

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Fonte: livro “Confiança: a chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de José María Gasalla e Leila Navarro – Integrare Editora

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Criando ambientes de confiança. (por Leila Navarro e José María Gasalla)

maio 27, 2015

Para sobreviver no competitivo mundo globalizado, as empresas precisam ter gente comprometida com os objetivos organizacionais. Exortam seus funcionários a “vestir a camisa”, “dar o seu melhor”, buscar continuamente o autodesenvolvimento e a superação e tudo o mais. Procuram estimular a fidelidade com promoções de carreira, prêmios e outros mecanismos recompensadores. Só se esquecem de que, para criar o vínculo que desejam com os funcionários, precisam oferecer a eles um ambiente de confiança.

Se a organização não dá confiança às pessoas, as pessoas não dão confiança à organização, não criam comprometimento com ela e a abandonam na primeira oportunidade que tiverem. Ocorre com as empresas algo semelhante ao que ocorre com as famílias. Se a família faz com que os filhos se sintam estimados e respeitados, tenham abertura para discutir as regras, falar abertamente o que pensam e cometer erros, eles se manterão por perto; caso contrário, darão um jeito de sair de casa e viver em um lugar no qual se sintam melhor.

Há os profissionais que não deixam a empresa, mas também não criam comprometimento e passam a vida fazendo apenas a sua parte. Sabem que sofrerão sérias consequências se não corresponderem ao que se espera deles, mas não fazem nada além disso. Não se preocupam com o trabalho dos outros, não se interessam pelos problemas da empresa, não ousa ir além de suas funções. Agem dessa forma não por simples má vontade, mas principalmente por não confiar que sua iniciativa faça diferença.

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Fonte: livro “Confiança – a chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de Leila Navarro e José María Gasalla – Integrare Editora

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Dicas para saber cumprir aquilo com o que nos comprometemos! (por Leila Navarro e José María Gasalla )

fevereiro 4, 2015

► Jamais prometa para agradar ou iludir.

► Não prometa o que sabe que não poderá cumprir.

► Calcule os riscos.

► Nunca use a promessa como propaganda.

► Não abandone promessas. Pague as dívidas assumidas por você ontem.

► Assuma seus erros. Faça correções imediatas.

► Envolva‑se nos assuntos do grupo e assuma a responsabilidade também pelas decisões coletivas.

► Planeje suas ações com base numa relação de ganha‑ganha.

► Socorra o outro se sua decisão o prejudicou.

► Assuma os erros da equipe como seus. Jamais atire culpa nas costas dos colegas.

► Renuncie ao benefício pessoal se puder favorecer o coletivo.

► Ofereça‑se para participar de novos projetos. Mas, se assumir tarefas, cumpra‑as a risca.

► Saiba que voluntários não são menos responsáveis que aqueles designados para uma função. Também é preciso cumprir.

► O significado do voluntariado é “ir além do dever”, como diz Vicente Ferrer.

► Estabeleça seus limites e faça com que os outros os conheçam.

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Fonte: livro “Confiança, o diferencial do líder : a formidável e intrigante história de um desafio de gestão”, de Leila Navarro e José María Gasalla – Integrare Editora

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Construa alianças (por Waleska Farias)

janeiro 28, 2015

No contexto da construção de aliança as responsabilidades devem ser compartilhadas. Quando me comprometo com a indicação de alguém para compor o quadro funcional da empresa do meu cliente me torno corresponsável.

Nos trabalhos em parceria, em que construímos um vínculo de confiança, méritos e riscos devem ser compartilhados. Unir-se ao outro faz parte do processo, afinal, trata-se de uma aliança.

As pessoas, dada a enorme dificuldade de aceitar pontos de vista divergentes dos seus, tornam-se reféns da grande resistência de trabalhar em conjunto, pois não sabem como estreitar ligações e conservá-las.

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Fonte: livro “O líder integral : porque o bom ser humano precede o bom líder”, de Waleska Farias – Integrare Editora

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Receitas de Sucesso (por Leila Navarro)

novembro 7, 2014

A questão dos modelos de sucesso está estreitamente ligada à da confiança, embora à primeira vista não pareça. Quando adotamos o sucesso dos outros como referência para nossa vida, a tendência é fazer o mesmo que eles fazem para alcançar aquele sucesso.

Mas será que seguir a receita dos modelos de sucesso é garantia de bons resultados? Não é o que parece. As classes de MBA e pós-graduação das universidades estão lotadas de profissionais que almejam a direção da empresa em que trabalham, mas quantos deles realmente chegarão lá?

O fato é que, apesar de todos os esforços que fazemos, nem sempre as coisas ocorrem como planejamos. E nem podem ocorrer, porque tentamos viver a vida dos outros em vez da nossa. Nós nos dedicamos a desenvolver os talentos dos outros, não a reconhecer e burilar os nossos. Utilizamos soluções que funcionaram para os problemas alheios em lugar de criar soluções para os nossos. Perseguimos as oportunidades que surgiram para os outros e não vemos as que surgem para nós.

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Fonte: livro “Confiança – A chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de Leila Navarro e José María Gasalla. Integrare Editora

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Desconfiança: proteção ou muralha? Por Leila Navarro

junho 18, 2014

Nossa falta de confiança é generalizada e se estende a estranhos, colegas de trabalho, governos, instituições, projetos, empresas, mudanças, enfim, qualquer coisa que possa representar algum tipo de ameaça à nossa estabilidade ou segurança.

E assim fazemos da desconfiança a muralha que nos separa dos perigos do mundo exterior. Mas até que ponto ela nos protege e até que ponto nos aprisiona? Enquanto vivemos seguros aqui dentro, o que estamos deixando de viver lá fora? Poderemos ser pessoas autoconfiantes, realizadas e felizes nos limites de nossa muralha ou para isso teremos de nos aventurar para além dela?

A situação é no mínimo contraditória, pois enquanto desconfiamos para não sermos passados para trás não conseguimos ir em frente. A desconfiança nos aconselha a ficar nos limites do conhecido, a evitar riscos e a nos fechar para os outros, ao passo que o mundo de hoje – especialmente no que diz respeito à carreira profissional – requer abertura para o desconhecido, coragem para arriscar e integração com as pessoas.

 

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Fonte: livro “Confiança – A chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de Leila Navarro e José María. Integrare Editora

 

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Quem irradia felicidade tem mais chance de ter alguém ao seu lado. Mas, não pode ser “qualquer” alguém! Por Eugenio Mussak

setembro 13, 2013

 

Certa vez Tom Jobim cantou: “Vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender, fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho…”.

Com todo respeito pelo maestro, acho que ele exagerou um pouquinho na última frase. Nela ele condiciona a felicidade a não se estar sozinho, entretanto, a recíproca pode ser igualmente verdadeira, ou seja, uma pessoa que irradia felicidade tem mais chance de ter alguém a seu lado.

Mas, posta esta ressalva, vamos dar um crédito ao Tom e concordar que, quando se tem alguém ao lado, tudo fica mais fácil, mais seguro, mais completo, mais divertido. Só que – e este condicional é importantíssimo – não pode ser qualquer “alguém”, tem de ser um “alguém” a quem se possa, sem medo de errar, chamar de companheiro, ou companheira.

Companheiro é uma palavra que vem do latim cum panis, e refere‑se a alguém com quem dividimos o pão. Companheiro é uma pessoa em quem confiamos o suficiente para nos sentarmos com ela à mesma mesa e compartilharmos uma refeição, lembrando que não é só a comida que nos alimenta, mas também as ideias, os saberes, os valores e os planos. Ter um companheiro significa compartilhar esse conjunto de coisas, tudo o que nutre nosso corpo, nossas emoções, nossos pensamentos e, principalmente, nossos sonhos. E, então, parodiando o maestro: Vou te contar, quando a noite vem nos envolver é muito bom estar ao lado de um companheiro.

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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Receitas de sucesso

dezembro 7, 2012

A questão dos modelos de sucesso está estreitamente ligada à da confiança, embora à primeira vista não pareça. Quando adotamos o sucesso dos outros como referência para nossa vida, a tendência é fazer o mesmo que eles fazem para alcançar aquele sucesso. Nosso modelo é o executivo de alto salário e plenos poderes? Então desenvolvemos as competências que ele tem e trabalhamos pelo menos 12 horas por dia, já que para chegar lá ele trabalhou muito. É o profissional celebrado e altamente reconhecido, que dá palestras e escreve colunas em revistas? Vamos descobrir os cursos que ele fez, ler os livros que recomenda e nos relacionar com as mesmas pessoas de seu networking. É o empresário que começou do zero e construiu um grande império? Temos de conhecer sua trajetória de vida e nos inspirar nas lições que ela ensina.

Mas será que seguir a receita dos modelos de sucesso é garantia de bons resultados? Não é o que parece. As classes de MBA e pós-graduação das universidades estão lotadas de profissionais que almejam a direção da empresa em que trabalham, mas quantos deles realmente chegarão lá? Milhares de empresários já leram os livros de Jack Welch, o legendário expresidente da General Motors, mas quantos conseguiram promover o crescimento espetacular de seus negócios?

O fato é que, apesar de todos os esforços que fazemos, nem sempre as coisas ocorrem como planejamos. E nem podem ocorrer, porque tentamos viver a vida dos outros em vez da nossa. Nós nos dedicamos a desenvolver os talentos dos outros, não a reconhecer e burilar os nossos. Utilizamos soluções que funcionaram para os problemas alheios em lugar de criar soluções para os nossos. Perseguimos as oportunidades que surgiram para os outros e não vemos as que surgem para nós.

Some-se a isso a falta de autoconfiança e o resultado não poderia ser outro: encontramos inúmeras dificuldades, a vida não flui e o sucesso não vem. Questionamos por que as coisas não dão certo, e as respostas que obtemos são nada mais que o eco das velhas crenças que adquirimos a respeito de nós mesmos e da vida. “O sucesso é para poucos.” “Não sou bom o suficiente.” “Os outros só querem puxar o meu tapete.” “Não tenho sorte.” “A vida é dura” etc. etc.

A falta de confiança e a identificação com modelos nos impedem de obter os resultados que desejamos, o que confirma nossas crenças negativistas, o que reforça a falta de confiança, o que nos impede de obter resultados…

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Fonte: livro “Confiança – A chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de Leila Navarro e José María Gasalla – Integrare Editora

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Como é difícil tirar as rodinhas!

outubro 15, 2012

            Ganhar a bicicleta era o principal sonho daquela criança. Foram muitos os momentos de expectativa em frente à vitrine da loja. A felicidade sonhada já estava nos planos dos pais havia algum tempo. Contudo, contrariando toda ansiedade do coração, a razão insistia em criar um momento especial para realizar o desejo da criança.

Aqueles pais viveram no tempo das bolinhas de gude, das pipas, dos jogos de queimada e de pular corda. Já estava distante o tempo em que a televisão era um instrumento disputado ruidosamente pelas crianças e, algumas vezes, silenciosamente pelos pais. Eram dias em que desenhos, seriados, noticiários e novelas colocavam pais e filhos em lados opostos. Naqueles anos, poucas crianças podiam usufruir de um quarto individual, quanto mais de um brinquedo.

Compartilhar era uma condição imposta pela realidade de famílias ainda numerosas. Quando o presente chegou, ficou evidente a dimensão do planejamento dos pais. A bicicleta era moderna e estava acompanhada de todos os acessórios possíveis: capacete, bomba de ar, buzina, luzes de sinalização, amortecedores hidráulicos e, principalmente, as indispensáveis rodinhas de segurança. Tudo para garantir que os momentos alegres não fossem estragados por quedas e machucados.

A primeira volta que a criança deu na nova bicicleta foi um momento mágico, com sorrisos em todos os rostos. Sob o olhar atento dos pais, a criança pedalava e ganhava velocidade. Algumas vezes, ousava passar com a roda por cima de uma pedra, buscando novas emoções nos pequenos saltos. Depois de alguns dias, a criança adquiriu uma relação íntima com a nova companheira de alegrias, libertando-se dos acessórios mais pesados e se aventurando por caminhos mais sinuosos. O único acessório que mantinha em sua bicicleta eram as rodinhas de segurança. Elas permitiam uma série de manobras emocionantes sem que isso representasse um tombo.

Os pais tentaram tirar as rodinhas, mas não tiveram sucesso. A criança já estava tão acostumada que não aceitava a retirada do equipamento. Quando as rodinhas eram retiradas, a criança simplesmente abandonava a bicicleta.

A criança foi crescendo e seus pais, sempre preocupados em proporcionar grandes alegrias a ela, foram substituindo as rodinhas por modelos maiores e mais resistentes: as novas aventuras eram muito mais desafiadoras e exigiam cada vez mais proteção. Há alguma coisa estranha nesse comportamento, aparentemente aceitável e natural. Não podemos condenar a criança, afinal, todos nós gostamos de rodinhas nos protegendo, facilitando nossos caminhos e nossos desafios. Também é compreensível a atitude dos pais, que sempre irão se preocupar em proteger seus filhos. Eles nunca terão forces para tirar as rodinhas. Quem já aprendeu a andar de bicicleta sabe que somente uma decisão pessoal pode retirá -las.

Esse é o desafio dos jovens da Geração Y. Eles precisam assumir uma postura menos acomodada e mais proativa em relação às suas próprias escolhas. As rodinhas podem proteger, mas também limitam os movimentos e as chances de alegrias. Também precisam aprender a confiar em seu talento e na força que os erros acrescentam ao crescimento pessoal, porque, mesmo não andando de bicicleta, tombos e machucados acontecerão.

A única ajuda que podem desejar é a de ter o apoio de alguém segurando o banco por alguns instantes antes da grande aventura.

 

Fonte: livro “Jovens para Sempre – Como entender os conflitos de gerações”, de Sidnei Oliveira – Integrare Editora

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