Aprenda a desarmar uma birra! Por Içami Tiba

janeiro 20, 2014

A birra é a dificuldade de aceitar um limite; a criança reage agressivamente de forma inadequada, até conseguir o que quer, expondo pais a situações desconfortáveis, não importa onde nem como. O sucesso da birra é conseguir que os pais lhe dêem o que ela quer. O sucesso de uma birra alimenta a próxima.

O melhor meio de desarmar a birra é não atender nada do que for exigido por essa estratégia. A birra não é obrigar o outro a fazer o que o birrento quer? Portanto significa que o birrento está dependendo do outro. Cabe, assim, ao outro não dar sucesso à birra. A vitória do filho birrento, se houver, dependeu não dele, mas dos pais, que lhe deram a vitória.

Para desmontar o esquema de birras é produtivo o método educativo da coerência, constância e consequência. Coerência é a base sobre a qual os pais se norteiam nas ações de enfrentamento à birra. Se a mãe não aceita a birra, mas o pai (ou outro parente qualquer) a aceita, os adultos estão sendo incoerentes. Constância significa que o enfrentamento deve acontecer sempre, não importa onde, quando e nem por qual motivo. Se aceitarem a birra só porque têm visitas, os pais estão sendo inconstantes. Consequência é um dos ensinamentos mais importantes, pois tudo o que fazemos traz consequências, e a própria pessoa é responsável pelas consequências que seus gestos provocam.

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Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Ed.

 

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O prazer de realizar sozinho

novembro 12, 2012

É lógico que a mãe vai executar todas as pequenas tarefas mais rapidamente que o filho. Mas ela deve ter paciência e tolerância para não apressar a criança, que tem seu ritmo próprio. O que a mãe pode fazer é adequar o tempo da criança, não permitindo que ela não o desperdice demorando – o que estimula a desistência. Além disso, a persistência não é uma característica infantil muito comum.

Cada criança tem o seu ritmo. Umas são mais concentradas

que outras e gostam de ver o seu trabalho pronto. Outras querem

ver logo o resultado, sem paciência. Estas precisam de

maior atenção dos pais para que aprendam a ter prazer em

cada etapa realizada.

            Crianças têm muito mais prazer durante a realização de um trabalho do que ao vê-lo pronto. É por isso que, depois de empilhar várias caixinhas, imediatamente derrubam tudo e co meçam de novo. Gastam muito mais tempo empilhando do que admirando o trabalho.

Se, por outro lado, a mãe atropelar a criança, pode transmitir-lhe a sensação de que ela é incapaz. A extrema (e inadequada) solicitude da mãe estimula o filho a aleijar seus braços, como se fosse impotente. Já dizia o psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, no livro Minha querida mamãe: “Supermães geram paralíticos e débeis mentais. Sem uso, o cérebro pára”.

Além de diminuir a autoestima, tanta dedicação maternal leva a criança a deslocar a sensação do prazer, que seria obtida ao realizar algo, para a do mero receber. Não é à toa que ela passa a ser uma criança sempre pedindo (seja o que for), pois o que importa é ganhar tudo (pronto). Quando não está ganhando nada, encontra uma maneira de pedir algo. Ocorre que a criança está confundindo a alegria de saciar a vontade de ganhar um brinquedo com a felicidade de brincar com ele.

Nenhuma criança nasce folgada, ela aprende a ser. A indolência

constante não é natural, mas resultado da difi culdade de

realizar seus desejos por si mesma.

A criança só pode ser considerada folgada quando conhece suas responsabilidades e não as cumpre. A responsabilidade é conseqü.ncia da confiança que os pais depositam no filho para a realização de algo que lhe cabe naturalmente. Estes não só devem reconhecer a capacidade do filho de desempenhar aquela tarefa, como também passar a contra com a cooperação da criança. Esta, por sua vez, incorpora a tarefa como algo que lhe cabe a partir daquele momento.

Um exemplo bastante comum: gostar de comer. Se a criança come porque sente fome, e o faz sozinha por ter o prazer de pegar os talheres, em pouco tempo ela será capaz de responsabilizar-se por comer sozinha o que tiver no prato. Não estranhe tal atitude, mas também não estimule o fato de a criança brincar diante da comida, esparramar tudo pelo chão, usar os talheres como brinquedos. A partir dessas experiências, se for educada para comer, com o tempo ela poderá organizar-se sozinha.

No entanto, se a criança come para agradar a mamãe, o não-comer passa a ser uma maneira de castigá-la. É clássico a mãe brincar: “Olha o aviãozinho” e, ploft!, enfiar a comida na boca da criança. Nesse caso, comer deixou de ser um ato de sua responsabilidade e se transforma em uma arma para arrancar outros benefícios da mãe.

Ninguém precisa limpar o prato. A criança come o que acha gostoso, não necessariamente o que a mãe considera mais nutritivo. Cabe à mãe preparar um jeito gostoso de oferecer os alimentos nutritivos.

Mais um exemplo: escovar os dentes. Naturalmente, a criança gosta de imitar os adultos. Se a mãe, o pai ou o adulto responsável escovar os dentes com prazer, a criança vai pensar que também terá prazer com esse ato. Ela já deve escová-los, antes mesmo de ser bem-sucedida. Quanto mais a mãe permitir que o filho brinque com a escova, e assumir apenas a tarefa de finalizar a limpeza dos dentes, tanto mais ele terá prazer em fazer isso. Não há nada mais lúdico para a criança do que brincar com a água e a boca.

Escovar os dentes pode virar um castigo quando o adulto não tem paciência de esperar o fim da brincadeira. Pior: usa a escova como uma arma carregada de balas (a pasta de dente), que invade intempestivamente a boca da criança, fazendo movimentos furiosos. Essa prática, muito comum nas mães apressadas de hoje em dia, acaba agredindo a criança. Se a mãe aguardar enquanto o filho escova e complementar seu trabalho com prazer (como se estivesse fazendo um cafuné), o hábito será incorporado à vida da criança como algo bem agradável.

Educar uma criança é também ensiná-la a administrar o seu tempo para cada atividade. Fazer algo, mesmo de que não goste, ou seja, fazer por obrigação, por dever, é algo que a criança precisa também aprender.

  

Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa” de Içami Tiba – Integrare Editora

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A liberdade e os novos tempos

setembro 17, 2012

A liberdade é relativa, variando conforme as pretensões, porque não existe a liberdade absoluta. Quando se faz uma escolha entre duas situações, a que não foi escolhida ou se perde ou fica em segundo plano. Logo, o exercício da liberdade já envolve uma perda. No cotidiano, a liberdade está em fazer uma escolha bem adequada conforme as conseqüências pretendidas. A vida propicia tantas oportunidades que, se não houver responsabilidade, qualquer pessoa pode se desorganizar ou se perder.

A mente não possue fronteiras, e inteligente que somos, podemos realizar devaneios, desde que se transformem em sonhos com projetos de execução. Num inverno, com tempo coberto e frio, gostaríamos de estar numa praia aberta, com sol gostoso e céu azul. Mas é impossível viver as duas situações ao mesmo tempo. Podemos, entretanto, escolher entre ficar ou ir para um ou outro lugar. Uma vez na praia, a liberdade muda de figura.

Uma casa com crianças sem adultos que se responsabilizem por elas é um claro exemplo das conseqüências de liberdade sem responsabilidade. Os filhos desde pequenos têm de aprender a lidar com a liberdade responsável. A aquisição da responsabilidade é um aprendizado obrigatório e, quanto mais cedo os filhos aprenderem, tanto melhor viverão todos.

Todas as crianças adoram brincar. Num parquinho infantile elas podem ir ao brinquedo que quiserem, mas têm de aprender o que é usufruir dele e o que é correr o risco de cair, machucar-se, ferir outras pessoas, respeitar a sua vez de usar o brinquedo etc. Isto tudo com a presença dos pais – ou não.

Hoje, a criança com dois anos de idade fica longe dos seus pais: já freqüenta a escolinha (portanto está sob responsabilidade de outros adultos). Mesmo dentro de casa, os pais delegam a responsabilidade de cuidar das crianças para outros. Esses outros adultos (funcionários, babás, motoristas etc.) não são os responsáveis pela educação, pois detêm outras funções, também necessárias à vida das crianças. Porém, os pais deveriam ensinar seus contratados, em casa, a cumprir também os ensinamentos que eles mesmos dariam se com os filhos estivessem.

Por exemplo, a liberdade de brincar com seus próprios brinquedos implica cuidar deles. Faz parte dos cuidados guardar os brinquedos após acabar a brincadeira. As crianças não podem simplesmente sair correndo, largando todos os brinquedos no chão. Deve fazer parte da brincadeira o ato de guardar. Assim como os pegaram, as crianças têm condições de guardá-los. É dessa maneira que elas cuidarão de seus pertences na escolinha, na turma de adolescentes, nos negócios dos pais. Apesar de ser função dos contratados trazer a casa em ordem, babás e funcionárias não devem guardar os brinquedos. A função nova, agora, é lembrar as crianças de que elas mesmas têm que guardar os brinquedos.

Quanto à comida, é bom ter liberdade para escolher o que comer; mas, se a escolha dos filhos recair sobre batatas fritas e fast-food rapidamente elas podem sofrer de males clínicos e necessitarão de cuidados médicos. Quem arcará com essas consequências? É claro que são os pais. Ou seja, os filhos curtem a liberdade, mas quem arca com a responsabilidade são os pais. Enquanto forem bebezinhos, pode ser. Mas manter esse esquema com estudantes universitários?

Se para os filhos fica a liberdade de curtir a vida, fazendo somente as coisas de que gostam e as que lhes dão prazer, podemos perguntar: por que não usar drogas quando estiverem nas ruas, longe dos pais?

“A criança não sabe o que é liberdade pessoal. Simplesmente

faz o que tem vontade de fazer.”

Por isso, os pais deveriam determinar o que os filhos devem comer (porque podem comer aquilo de que gostam em outra hora). É uma responsabilidade que os filhos têm que desenvolver: cuidar do próprio corpo. Quem cuida do próprio corpo não se arrisca a usar drogas.

 

Fonte: livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami TIba – Integrare Editora

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Onipotência infantil para não dormir

agosto 22, 2012

É cada vez maior o número de pais que reclamam que os filhinhos se recusam a dormir. Analisando essas reclamações, notei que o problema maior está nos pais, pois, se estes estabelecem o “ritual do sono”, os filhos dormem muito bem. Repetir não custa: o normal para uma criança é dormir sozinha, e o que não é normal é resistir a dormir.

São muitas as causas que levam hoje uma criança a não querer dormir sozinha. Mesmo estando com sono, ela acha que tem “o direito” de fazer o que deseja, mesmo contrariando a sua fisiologia. Os pais geralmente alimentam estes “direitos” quando não a contrariam nos seus desejos inadequados nem a educam para as suas próprias necessidades fisiológicas. Portanto, se não quiser dormir sozinha quando está com sono, a criança demonstra uma falta de educação pela falta de limites à onipotência infantile – sensação da criança de poder controlar os pais, não importa que armas vai usar.

O recurso infantil mais comum é fazer os pais sentirem-se mal por não atenderem os pedidos dela. É muito difícil para os pais deixar de ceder aos pedidos da criança, principalmente pelo temor de não atender suas reais necessidades. Pode ser fingimento dela, mas… e se for verdade? Surgem, assim, as necessidades mais estapafúrdias e contraditórias: sede, fome, não dormir, chupeta, música, colo, ouvir histórias, calor, frio, fazer xixi, estar com medo, estar assustado, fazer birra, gritar, chorar, choramingar, ter dor de barriga – e a lista continua conforme a criatividade dela.

Quem dá forças a essa manipulação são os pais que tiram a criança do berço para atendê-la. Ou seja, alimenta a onipotência infantil. Nessa fase, ela aprende rapidinho as palavras que escravizam seus pais.

Fonte: livro “Quem Ama, Educa! Formando cidadãos éticos”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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