Até que ponto as “DRs” são úteis? Por Alfredo Simonetti

março 18, 2013

E como termina a conversa amorosa? A conversa amorosa, como vimos, serve a vários propósitos. Assim, um bom momento para encerrar é quando o problema, o nó em questão, tiver sido resolvido, e é isso mesmo o que acontece, pelo menos em alguns casos.

 

            A conversa amorosa efetivamente é muita boa para acertar as coisas entre o casal, seja pela descarga emocional que ela provoca, diminuindo assim a tensão entre os parceiros, seja proporcionando uma solução satisfatória para os desencontros, ou, no mínimo, favorecendo acordos comportamentais que satisfaçam as necessidades dos dois parceiros.

            Mas acontece que muitos problemas de uma relação amorosa não podem ser resolvidos no sentido exato do termo, ou seja, muitas vezes não é possível chegar-se a uma conclusão ou a uma mudança de comportamento ou de situação.

            Por causa disso, tem gente que acha até que nem vale a pena conversar, dizem “…não vai dar em nada mesmo… de que adianta falar, as coisas não vão mudar mesmo”.

            Isto é um grande equívoco porque a conversa amorosa não termina em uma solução. Ela é valiosa porque no amor não se conversa apenas para resolver problemas, conversa-se porque é preciso falar, até sobre aquilo que não pode ser resolvido, porque é preciso falar confiando que aquilo que não se resolve se dissolve.

            Na prática, a conversa amorosa termina assim: vai mudando de ritmo, vai ficando mais devagar, começa a esfriar e para, pronto, acabou, na maioria das vezes sem grandes conclusões ou soluções, simplesmente terminou.

            Na verdade ela não termina, ela é interrompida, para ser retomada depois, pois uma conversa amorosa é mesmo coisa de momento, ela tem ponto de partida, mas não tem ponto de chegada definido.

 

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Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

 

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O desafio de educar! Por Içami Tiba

março 6, 2013

Educar não é deixar a criança fazer só o que quer (ou seja, buscar a saciedade). Educar dá mais trabalho do que simplesmente cuidar dela porque é prepará-la para a vida. A vida da criança é regida pela vontade de brincar, de fazer algo. A cada movimento, está descobrindo a vida e os valores, num processo natural de aprendizagem.

            Construir uma casa é muito mais fácil do que reformá-la. Reformar, no caso de um filho, seria o mesmo que sempre dizer “não” para algo que ele já fez muitas vezes. O melhor é ensinar aos poucos.

            Quando quer fazer alguma coisa, a criança observa a reação dos pais; se ouvir um “não”, insiste. Quer testar se o que dizem é mesmo para valer – até incorporar aregra. Leva algum tempo, mas ela aprende. Então aquele critério de valor passa a fazer parte dela.

 

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Fonte: livro “Quem Ama, Educa! Formando cidadãos éticos”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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O amor que exige, por Içami Tiba

fevereiro 27, 2013

No amor que exige, os educadores (pai, mãe, professores) devem exigir que os aprendizes pratiquem o que aprenderam.

Basta que o aprendiz não pratique o que aprendeu – portanto, falha do aluno e do pai ou educador que deixa de exigir –, e repete‑se a mesma ladainha, a frágil ameaça de sempre:

“Pela milésima e última vez, vou lhe explicar…”

            O amor que exige não traumatiza a filha, ao contrário, não exigir é que deforma a sua personalidade, e ela passa a sofrer diante de qualquer solicitação mais assertiva da vida.

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Fonte: livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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A conta do AMOR

fevereiro 20, 2013

Outra ilusão importante no amor é a de que ele resolve nossas mágoas do passado.

 

            O amor de deficiência funciona assim como um amor de caderneta. A pessoa vai anotando ao longo da vida o quanto lhe faltou de amor, até que um dia, quando aparece alguém que a ama, ela apresenta a conta toda.

 

            Acontece que uma pessoa, mesmo dando muito amor, não consegue apagar as dores do passado de outra pessoa, pelo menos não na maioria dos casos. Estas marcas amorosas não costumam se apagar pela compensação, e sim, pela via da elaboração, da superação. Este é um caminho individual que pode até ser facilitado por uma companhia carinhosa e cuidadosa, mas não pode ser percorrido por ela.

            É claro que, se gostamos de uma pessoa, tomamos cuidado para não feri-la, e em especial não feri-la nos mesmos lugares já machucados, mas isto não quer dizer que somos responsáveis pelo seu passado, embora no amor romântico, acabamos prometendo exatamente isto.

            Se uma pessoa foi traída em um relacionamento anterior, isso não significa que o parceiro atual tenha de arcar com as consequências disso e suportar toda a insegurança que vem daí, mas na prática é o que acaba acontecendo.

            Este é o nó que vem do passado.

 

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Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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Da paixão ao amor

novembro 5, 2012

A passagem da paixão ao amor é da ordem do tropeço: é sempre desconcertante descobrir que as coisas mudaram. Por mais que se saiba que isso costuma acontecer na maioria dos relacionamentos, quando as coisas esfriam um pouco ou se tornam muito complicadas, os amantes se surpreendem: “Hum? Como assim? O que é que aconteceu com a gente?”. Este é um momento importante, é um momento de decisão.

Pode ser um ponto final, ou então um ponto de mutação. Às vezes a relação termina aí, mas, muitas vezes, é exatamente nessa hora que acontece uma transformação, uma mudança para outro tipo de relacionamento.

As coisas podem não ser mais como antes, mas cada instante tem seus encantos, e cabe aos amantes ir além dos desencantos do fim da paixão e descobrir as trilhas do novo amor.

O amor pode não ser paixão, mas tem a ver com ela, não é a ausência dela: existem no amor momentos de paixão, só que mais calma e mais duradoura.

Paixão, por definição, é sentimento em ápice, é como uma montanha, vai subindo, subindo até um pico lá no alto, e depois vai descendo, descendo, e finda. Um gráfico da paixão é agudo, intenso, mas também é breve e com final certo: termina. Por outro lado, o gráfico do amor lembra mais uma cordilheira, uma cadeia de montanhas entremeadas de vales, planícies e platôs, é longo, flutuante e de final aberto: não é tão certo o que vai acontecer.

 

Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso” de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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A morte em minha Vida

novembro 2, 2012

– Você está com medo? – perguntou a jovem Caroline à sua mãe em seu leito de morte.

– Não, estou curiosa – respondeu Daisy Fuller, que então sorriu e, como que para fazer as pazes com a vida, começou a contar à filha um segredo do passado: sua relação com um tal Benjamin Button, um homem que nasceu velho e foi rejuvenescendo com o tempo até morrer como um feto. O relato era um desabafo da mãe que, ao contar, buscava a paz. E Caroline termina por descobrir que o fantástico personagem era seu próprio pai.

A passagem mencionada foi retirada de um conto do escritor norte-americano F. Scott Fitzgerald, publicado em 1921, e que em 2008 se tornou filme, dirigido por David Fincher e interpretado por Brad Pitt e Cate Blanchet. Conta a vida de um homem que tem uma trajetória totalmente oposta à natureza humana, pois, em vez de envelhecer, ele rejuvenesce. Quando escreveu esse bizarro conto, Fitzgerald talvez estivesse angustiado com sua própria realidade, e quis subverter a maior das angústias humanas: a percepção do envelhecimento e a certeza de seu epílogo, a morte.

Se pudéssemos preferiríamos evitar essa sequência natural. Se nos fosse dado escolher preferiríamos ver nosso corpo melhorar com o tempo, e não deteriorar-se inexoravelmente como um prenúncio do fim. Ah, se tivéssemos esse poder… Como não o temos só nos resta a imaginação. A literatura, que aceita todas as ideias, e o cinema, que as transforma em imagens, conseguiram inverter a lógica cruel da natureza, sim, mas não negaram o epílogo, que é, pretensamente, o fim de uma vida.

Benjamin Button não é Connor MacLeod, o Highlander, o imortal guerreiro escocês nascido no século XVI. Benjamin vive o tempo de uma vida, e mostra que ainda que tentemos – e até certo ponto consigamos – segurar o tempo, não teremos como vencer a morte. A anciã Daisy conhece essa verdade e lida com ela com a sabedoria de quem viveu intensamente. Por isso não teme, apenas está curiosa.

O curioso caso de Benjamin Button não foi a primeira obra sobre a evolução da vida e a angústia da morte, nem será a última. Este é um tema campeão de frequência na literatura universal, empatando, talvez, com o amor. E ambos estão comumente ligados, como em um Romeu e Julieta em distintas versões.

 

É possível que amemos tanto a vida porque temamos tanto a morte. Mas será esse nosso destino? Ver a vida como um prenúncio da morte e, por isso, sofrer? Devemos então evitar a vida para ter a ilusão de não morrer, como alguém que não quer um cãozinho porque sabe que vai sofrer quanto ele falecer? Não, o mistério da morte não é maior do que o mistério da vida, pois uma categoria pertence à outra. Perceba que viver pressupõe morrer, e morrer significa ter vivido. São indissociáveis. Estamos diante de um mistério único que, por escapar à nossa compreensão e ao nosso controle, nos angustia e infelicita.

Certo esteve Epicuro ao dizer que não temia a morte pelo simples fato de que jamais a encontraria, pois enquanto ele estivesse vivo a morte não estaria presente, e quando ela aqui estivesse ele não estaria mais. O argumento do filósofo tem uma lógica perfeita, o problema é que nós não encaramos a morte com a lógica, e sim com a emoção.

Como seres pensantes que somos, tentamos racionalizar repetindo máximas comuns (que no fim não consolam), como: “Para morrer basta estar vivo” ou “Começamos a morrer quando nascemos”. São frases epicuristas, todas encerram uma verdade, só que, quando o assunto é a morte preferiríamos a mentira, a ilusão da imortalidade, o engano de que só existe vida.

“Eu não quero ser imortal por minha obra. Quero ser imortal não morrendo”, desabafou Woody Allen, em um de seus momentos geniais. Lamento, Woody, mas não será possível. O que nos resta é viver como se não fôssemos morrer, pensando e glorificando o milagre da vida. Caso contrário, morreremos antes de morrer, como explicou Freud em seu O malestar na civilização, em que coloca a perspectiva da morte como uma das principais causas da infelicidade humana. Morrer antes de morrer significa não viver, apesar de estar vivo.

A lógica de Epicuro, a ciência de Freud, o humor de Woody Allen: estão todos certos. Errados estamos nós que sofremos pelo que não controlamos, por estarmos acostumados a pensar que somos deuses, que a razão nos fornece o controle, que a vontade é infinita. De repente descobrimos nossas limitações e nos desesperamos. Eu e você morreremos, sim, e isto está certo. O errado é morrer antes de morrer, é não encarar a vida com humor e gratidão, é perder a oportunidade de deixar este mundo melhor com a própria presença.

Expirando em seu leito, o Imperador Augusto, por exemplo, pediu um espelho para ajeitar as madeixas e disse aos que o amparavam: “Se vocês gostaram da encenação, aplaudam, para que eu possa sair de cena feliz”. Certo o romano. Morrer é sair de cena, e só nos resta aceitar que a peça terá um fim e que devemos interpretar nosso papel de viventes como virtuoses deste teatro fantástico.

 

O segredo para mitigar o sofrimento imputado pela perspectiva da morte está em se acreditar em algo, pois o que nos mortifica é a dúvida. O homem é feito de razão, emoção e crença, e esta se constrói a partir da matéria que compõe as duas primeiras. Crenças são propriedades privadas, são criadas a partir de valores e desejos, existem para tornar nossa vida melhor e só podem ser questionadas por quem as possui.

Epicuro, por exemplo, antecipou a teoria atômica dizendo que tudo é formado por minúsculas partículas em movimento, e acreditava que isso valia para nosso corpo e também para nossa alma. Dizia que o homem e sua alma nada mais são do que matéria em movimento, e que quando esse movimento fosse interrompido não restaria mais nada, seria nosso fim. Esta era sua crença e sua convicção, o que lhe deu tranquilidade até para brincar com esse destino.

Já para os budistas a morte é uma ilusão, pois nada morre de verdade, muito menos a alma, nossa verdadeira essência. O que importa é alcançar o nirvana, o paraíso. Mas, cuidado, para alcançar o verdadeiro nirvana é preciso estar iluminado e, para isso, precisamos conquistar o primeiro nirvana, o que existe enquanto ainda estamos neste mundo. Este seria um estado psicológico elevado, amoroso e sem ansiedade, o que só pode ser alcançado com desapego e meditação. Em outras palavras, para alcançar o nirvana do céu e se tornar eterno, o homem precisa construir seu próprio nirvana na Terra, a partir de sua decisão e de suas atitudes.

Aparentemente opostos, os pensamentos epicurista e budista têm algo em comum. Ambos creditam à vida como a conhecemos todo o mérito. Para o epicurismo esta é a única vida, portanto precisa ser vivida plenamente; para o budismo o nirvana final, espiritual, só será alcançado através do nirvana terrestre, psicológico. Ambas as teorias propõem que se dê valor à vida, procurando fazer o bem e transformando-a em algo que valeu a pena.

Já que não podemos fingir que a morte não existe só nos resta criar a crença mais confortável, e isso varia imensamente entre as pessoas. A morte é um mistério, mas a vida também é. Só que temos a ilusão de entender a vida porque ela pode ser percebida pelos órgãos dos sentidos. Medimos, pesamos, tocamos a vida. A morte não, ela é metafísica, misteriosa, está além de qualquer interpretação lógica. Sabemos o que é o fim da vida, mas não sabemos o que é a morte.

Como não sabemos, só nos resta acreditar. E crença é imaginação, não certeza, mas seu poder é irrefutável, pois é capaz de usar os pensamentos para acalmar os sentimentos. No fim é isso que importa, pensar e sentir para poder viver. Há apenas dois modos de abordar a morte enquanto existe vida: ignorá-la ou pensá-la. A primeira de nada adianta enquanto a segunda ao menos traz mais cartas para o jogo da vida criando novas perspectivas.

 

No fundo, o que assusta na morte são três fatores: o desconhecido, que é sempre amedrontador; a resistência a abandonar a vida, o que é próprio dos instintos; e, digamos, a passagem, que pode estar carregada de sofrimento. Como diz um amigo meu, com seu humor peculiar: “Acredito que a vida e a morte sejam, ambas, boas. O problema é a transição”.

Estamos, sim, acostumados com a ideia da morte, o que provavelmente nunca nos acostumaremos é com a presença da morte em nossa vida. A morte é algo genérico, impessoal, é um dos fatos da humanidade, aquela multidão à qual, por acaso, pertencemos. Aceitamos a ideia da morte, pois somos racionais, mas reagimos fortemente a ela em duas circunstâncias: quando é prematura ou quando é próxima.

Não gostamos de saber que gente jovem morre, não parece natural. Há um quê de injustiça nos soldados que não voltam da guerra, nos rapazes e moças que se misturam às ferragens de seus carros nas noites de final de semana, nas crianças com leucemia nos hospitais ou nas crianças com fome nos países miseráveis. Ninguém deveria morrer sem ter tido a chance de viver bastante, pensamos.

Também não gostamos da morte por perto, ceifando alguns dos nossos, levando nossos avós, convocando nossos pais. É quando a morte é má de verdade, porque nos priva de nossos entes queridos e porque se faz lembrar, se mostra com força e faz questão de deixar claro que vai voltar, é apenas uma questão de tempo.

Pelo menos a maioria de nós tem motivos para se alegrar por ter vivido. Seja qual for o mistério, a aventura de viver é muito boa. Apesar dos percalços, claro, porque nem tudo são flores, mas aprendemos a lidar com eles. Não é possível não conhecer o sofrimento, ele pertence à nossa condição de viventes. E entre eles, às vezes camuflada pelo cotidiano, está a morte, espreitando.

A fé, a psicologia, a filosofia, a literatura, o misticismo, todos são pródigos em abordar o tema da morte, mas nunca nenhum desses construtores do pensamento humano teve coragem para negar dois fatos: que todos teremos de lidar com a morte, nossa e de outros; e que nós sofreremos com isso.

Provavelmente não seria inteligente não morrer, a vida eterna seria muito cansativa. Mas, com certeza, não é inteligente morrer antes de morrer. Por isso, um texto sobre a morte é inócuo, a não ser que seja uma conclamação à vida. Viver de verdade é a única garantia de, quando chegar a hora, tenhamos mais curiosidade que medo, como aconteceu com Daisy Fuller.

 

Fonte: livro “Preciso dizer o que sinto” de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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Sobre as famosas “DRs”: são mesmo necessárias no relacionamento?

outubro 5, 2012

No campo do casamento, parece que não há muito jeito, ou o casal discute minimamente a relação, ou vai acabar discutindo intensamente na relação. Quem olha de fora e vê um casal discutindo irritada e raivosamente sobre pequenas bobagens, sobre assuntos sem importância não vê – e o casal na maioria das vezes também não vê – que o sofrimento é outro.

Geralmente há algum tema ou algum sentimento que foi evitado, ou que não foi resolvido, que não foi dito, mas que insiste em retornar por outros caminhos. Não é assim mesmo que acontece no dia a dia do casamento? Pense na última discussão que você e seu cônjuge tiveram, veja se foi mesmo em torno do verdadeiro problema, será que foi? Ou foi apenas uma maneira momentânea de descarregar a irritação? O que você acha?

É preciso esclarecer, desde já, um equivoco muito comum sobre essa questão de conversa amorosa. Enganase quem pensa que “discutir a relação” serve para resolver problemas. Não é nada disso, resolver problemas é motivo para reuniões – e olhe lá. Não se discute a relação para trocar informação ou resolver problemas (os problemas são só o pretexto). Discute-se a relação para criar um sentimento de ligação, para se sentir ouvido, sentir-se amado, pedir garantias, desfazer e às vezes fazer fantasias, e coisas assim. Discutir a relação não é uma transação cognitiva, é uma transação afetiva, uma espécie de relação sexual não corporal, não no sentido do prazer evidentemente, mas no sentido da intimidade, do envolvimento, do enlaçamento.

Certa vez um paciente me disse que agora, depois

de anos de casamento, ele estava aprendendo

a conversar com sua mulher, e explicou:

“Agora eu consigo escutar o que ela tem para

dizer sem querer ficar resolvendo tudo”. É essa

a arte da conversa amorosa.

Existem pessoas e casais que conseguem afrouxar o nó em silêncio, mas estes são alguns poucos sortudos, já que a maioria de nós tem mesmo de recorrer à palavra, esse instrumento tão frágil e tão confuso. Acontece que não é uma coisa simples este negócio de falar-no-amor, algumas pessoas não gostam, e não querem nem saber da história de discutir a relação, outras não sabem como fazer isso, enquanto outras têm muita ilusão, e outras ainda parecem que só sabem fazer isso.

Por causa dessas dificuldades, e numa tentativa de transformar “a briga” em “um diálogo” este livro apresenta algumas ideias sobre como começar uma conversa, onde pode ser melhor conversar, quando conversar e quando adiar; e também sobre o que conversar e se convém ou não evitar algum tema, e finalmente sobre como terminar um conversa, se é que existe tal coisa em um casamento.

 

Fonte: livro “O nó e o Laço – Desafios de um relacionamento amoroso”, de Alfredo Simonetti – Integrare Editora

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