Como o ser humano aprende a confiar. (por José María Gasalla e Leila Navarro)

Surgimos em um lugar quente e aconchegante, onde nossas necessidades são atendidas automaticamente e uma presença constante nos envolve com seus movimentos e voz. Gozamos de um estado de unidade e sincronicidade com o Universo que nos supre, sem distinguir onde nós terminamos e ele começa. Não há desejo, nem frustração, nem tempo ou espaço. Simplesmente existimos.

 

Um dia, uma grande mudança acontece. Luz, frio, a sensação de estar em outro espaço, o elemento ar invadindo nossos pulmões. Por instantes, perdemos o contato com aquela presença. Mas nossa angústia termina quando ouvimos de novo sua voz e sentimos seu calor. Que alívio, ela continua conosco! Nós nos acalmamos e sabemos que vamos ficar bem.

 

Como costuma dizer o biólogo chileno Humberto Maturana, nascemos na confiança. É uma confiança instintiva, de que seremos cuidados e protegidos, de que nada nos faltará. Confiamos no colo que nos acolhe, no seio que nos alimenta, na voz que nos é tão familiar. Nossa vida de recém-nascidos é quase a continuidade da vida intra-uterina, com a diferença de que nós e nossa mãe não ocupamos mais o mesmo lugar. Ainda assim, nos sentimos parte dela. É só termos alguma necessidade e ela nos atende prontamente, nos acalma e conforta. Ah, que deliciosa sensação de plenitude! É o mundo a nossos pés, como até então sempre foi.

 

Quer a natureza, porém, que nos tornemos seres autônomos, e isso implica dar-nos conta de que somos indivíduos com necessidades, vontades e motivações próprias – e freqüentemente diferentes das de outras pessoas, quando não contrárias. Em um primeiro momento, começamos a perceber que não somos nossa mãe. Ela nos coloca sozinhos no berço, em certas ocasiões demora um pouco para vir quando chamamos, às vezes até parece não querer dar o que desejamos. Mas não somos nada tolos! Temos uma percepção aguçada e, a partir das respostas que obtemos no relacionamento emocional com ela, começamos a “entender” o mundo.

 

O sorriso, as palavras carinhosas e os afagos maternos nos fazem sentir bem, e logo associamos manifestações de afeto e receptividade com a confiança. Gradativamente, aquela confiança instintiva com que nascemos começa a se sofisticar, a responder a diferentes apelos e a ser testada com outras pessoas também. Aprendemos a confiar em quem demonstra gostar de nós ou estar aberto para nós; é um fenômeno emocional, baseado em empatia, sensações e sentimentos. E quando a pessoa não parece amistosa, tem uma cara esquisita ou um jeito estranho? Não vamos para o colo dela de jeito nenhum, e é bom não insistir, senão choramos. É o germe da desconfiança surgindo em nós.

 

Que bom seria se o mundo fosse assim tão simples: confiar nas pessoas amorosas, não confiar nas mal-encaradas… O fato é que a realidade é bem mais complicada. Aqueles em quem confiamos às vezes se mostram indiferentes ou irritados, negam o que queremos, não agem de acordo com nossa vontade. Isso nos confunde tanto! Mas, é claro, somos muito perspicazes e desenvolvemos estratégias para conseguir o que queremos, seja atenção, um afeto ou objeto material. A partir do relacionamento com as pessoas mais próximas, testamos e desenvolvemos um conjunto de comportamentos que geram os retornos desejados. E assim começamos a construir nossa personalidade e a perceber que para ter nossas necessidades atendidas e obter o que desejamos não basta confiar: é preciso também que os outros confiem em nós.

 

Conforme crescemos, entendemos cada vez melhor que a confiança não está apenas relacionada a nossos instintos e sentimentos, mas também às nossas atitudes em relação aos outros e às dos outros em relação a nós. Entendemos que confiança se conquista, se inspira e se constrói num plano de interesses em comum, objetivos compartilhados, afinidades de valores, respeito e consideração. É a confiança baseada na razão.

 

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Fonte: livro “Confiança: a chave para o sucesso pessoal e empresarial”, de José María Gasalla e Leila Navarro – Integrare Editora

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