Castigos ou consequências. (por Maria Tereza Maldonado)

Gisela está preocupada, sem saber o que fazer com Rodrigo, seu filho de 10 anos: “Ele não aceita castigos. Ontem, não fez os deveres de casa; eu disse que vai ficar uma semana sem televisão. Sei que é inútil, porque, assim que saio para o trabalho, ele faz o que quer e a empregada não tem a menor autoridade com ele. Se já me desafia desse jeito, o que vai fazer comigo quando for adolescente? Em casa, estamos só nós dois, o pai casou de novo e quase não aparece, e ele já está quase do meu tamanho…”.

 

Essa é uma queixa freqüente na maioria das famílias, mesmo quando há pai e mãe dentro de casa. Porém, em algumas famílias uniparentais, o acúmulo de funções (a mãe provedora e educadora, sem participação do pai) pode dificultar o exercício da autoridade. No entanto, é bom lembrar que autoridade não é sinônimo de autoritarismo nem precisa de força física para ser exercida. O filho pode ficar mais alto e mais forte e, ainda assim, respeitar a autoridade dos pais. É uma questão de hierarquia.

 

As mensagens que comunicamos vão por três canais: a palavra, a postura corporal e as ações. Quando esses três elementos estão integrados, enviamos mensagens fortes; quando não há coerência entre os canais, é a palavra que mais facilmente fica desacreditada. A mãe sabe que o castigo é inútil porque não será cumprido; o filho sabe que não precisa levar a sério as palavras da mãe porque, como acontece em outros cenários da vida nacional, “tudo acaba em pizza”.

 

Na educação para a responsabilidade, as consequências são muito mais eficazes do que os castigos. Essa não é uma simples substituição de palavras, é uma mudança de conceito.

Castigo é punição, frequentemente dado na hora da raiva, sob a forma de ameaças ou de modo exagerado (“Vai ficar sem brincar na casa dos amigos até o fim do ano!”). Passada a raiva, os pais esquecem ou “atenuam a sentença”, com pena do filho, que suplica e promete não fazer de novo o que o levou à “condenação”.

 

Dar um castigo e não cumpri-lo é o caminho mais curto para a impunidade dentro de casa e estimula crianças e jovens a manipular os pais. Dar consequências é uma medida essencial na educação para a responsabilidade: primeiro os deveres, depois os prazeres (“quando terminar o trabalho da escola pode ver televisão”); estragou, tem de consertar (“sei que você não derramou o suco de propósito, mas precisa limpar a mesa”); usou, tem de colocar no lugar (“pegue a calça que você jogou no chão e ponha no cesto de roupa suja”). A consequência tem uma ligação lógica e imediata com o que foi feito de maneira errada ou deixou de ser feito, com o propósito de corrigir o erro ou a omissão. Precisa ser enunciada com firmeza e persistência para que possa ser atendida. Cumprir a consequência determinada é condição para desfrutar os privilégios desejados.

 

Isso também funciona para os adultos: imaginem como nosso país funcionaria melhor se, quando as leis não fossem respeitadas, as consequências cabíveis fossem aplicadas, as multas, cobradas, e se existisse uma real intolerância com a cultura da impunidade que vigora em todos os setores da sociedade!

 

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Fonte: livro “Cá entre nós”, de Maria Tereza Maldonado. Integrare Editora

 

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