Pais discordantes entre si. (por Içami Tiba)

Mal completou 2 anos, e a criança já está de uniforme e mochilinha nas costas indo para a escola. Os jardins-de-in­fância e escolas maternais, que eram chamados generica­mente de pré-escola, foram oficializados como Educação Infantil pela modificação mais recente da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, ocorrida em 1997.

 

É o reconhecimento de que as crianças estão indo cada vez mais cedo para a escola e da força que essa instituição assume na educação das novas gerações. Precisamos continuar refletindo sobre a escola: como de­ve desempenhar sua função formativa? O fundamental é que a criança seja beneficiada. Para isso, entre a escola e a famí­lia deve haver uma soma, e não o atropelamento de uma par­te pela outra.

 

O termo educação a seis mãos refere-se a uma educação homogênea e equilibrada, buscada pelo pai, pela mãe e pela escola. Por que pai e mãe, não simplesmente pais? Porque hoje as diferenças entre os dois, às vezes, são tão grandes que eles não conseguem se compor para uma educação equili­brada dentro de casa ou de suas respectivas casas.

 

Separados, então, cada um quer defender a sua posição, muitas vezes, oposta frontalmente à do outro. Os filhos absorvem na convivência tais intransigências e querem ter seus desejos satisfeitos a todo custo. Aprendem a não suportar frustrações, a não controlar suas vontades e a manipular os pais em proveito próprio. Os conflitos não resolvidos dos pais prejudicam tremendamente os filhos e acabam estourando nas esco­las, nos consultórios de psicólogos ou nos fóruns de família. Para onde a criança vá, leva a sua educação – ou a falta dela.

 

Para deixar o quadro ainda mais complexo, existem hoje várias constituições familiares distintas, numa composição que pode contar com filhos, meios-filhos, filhos postiços, pai, nova mulher do pai, mãe, novo marido da mãe, irmão, meios-irmãos, irmãos postiços. Essas combinações podem ser ainda mais delicadas quando entram avós paternos, avós maternos, tios, cunhados etc.

 

Não é incomum o pai separado recusar-se a dar pensão aos filhos do casamento anterior, embora sustente os filhos da atual companheira com generosidade. Ele se divorciou e “despaisou”.Qual é a ética do pai que paga a pensão do filho que ficou com a ex-mulher somente quando “ameaçado de ir preso” pelo juiz? O que o filho está sentindo e aprendendo? Um pai, quando paga a pensão do filho que ficou com a ex-mulher somente se “ameaçado de prisão”, pensaria no tipo de ética que está passando ao filho? Quando o aluno “desanda” na escola, esta pode ser a oportunidade que o filho dá aos seus pais de saber o que ele “apronta”. A escola não deveria se calar, mas, sim, tomar a iniciativa de convocar os pais para que corrigissem o filho antes de tornar-se um delinqüente.

 

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Fonte: livro “Ensinar aprendendo”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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