Por amor, não faça. (por Içami Tiba)

Os pais não devem fazer pelo filho, e sim ajudar o filho a fazer. Uma criança, mesmo prestando atenção, não consegue perceber com todos os detalhes uma ação executada por um adulto. As ações são muito mais complexas do que um leigo, uma criança, pode perceber.

 

Parece fácil à criança imitar. Permita que ela imite. Ajude no que for necessário. Mas ela tem de ser a realizadora principal. Aceite de muito bom grado o que a criança fez, dizendo que, por ser a primeira vez, está ótimo – mas pode melhorar. Se ela quiser, que tente mais vezes. Se melhorar, ressalte a melhora e dê os parabéns. Se abandonar, não dê importância. Logo ela tentará outra vez.

 

Nada impede que os pais façam algo pelo filho se este realmente é incapaz de fazer sozinho. O problema é os pais perderam essa referência e continuam fazendo, por amor ou comodismo, sem reparar que o filho já é capaz de fazer. O fazer pelo filho deve ser sempre provisório até ele começar a fazer sozinho.

 

É preciso muito amor para aguentar ver um filho sofrer do que simplesmente fazer as coisas por ele. Essa é a prática da independência. Ninguém cresce em zona de conforto. O crescimento é natural em zona de esforço, de empenho, de ações conscientes na busca de superação. É como o treinador esportivo quando diz ao seu mais querido pupilo: “No pain, no gain!” ( sem dor, não há ganho).

 

O grande ganho de ter um filho que faz é ele desenvolver a gratidão, um valor muito difícil de ser ensinado. Quem faz sabe o trabalho que envolve o fazer. Quando ele está realmente muito atarefado e de surpresa recebe pronto, ele reconhece o trabalho que teve a pessoa que fez. Gratidão é o reconhecimento de algo recebido “gratuitamente”, por bondade, por amor.

 

Quando o fazer vira rotina para os pais, o filho já espera receber tudo, e, quando os pais não fazem, o filho reclama. Em vez de gratidão, os pais passam a receber cobrança do filho. E, pior: os pais sentem‑se culpados por não fazer e em dívida com o filho, porque “tadinho do filho”, ele não sabe fazer nada. É claro que não sabe, pois nunca fez nada…

 

“Feito, melhor que perfeito” que está em letras vermelhas num cartaz favorito de Sheryl Sandberg, co‑criadora do Facebook e autora do livro Faça Acontecer, é muito útil também para a Educação Sustentável. Significa fazer, mesmo que malfeito, do que não fazer esperando fazer o perfeito. Na segunda vez, será bem melhor e assim até que chegue à perfeição.

 

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Fonte: livro “Educação familiar: presente e futuro”, de Içami Tiba – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

 

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