Gravidez na adolescência: ter um bebê ou ter um filho? (por Malcolm Montgomery)

Desde 1982, quando eu atendia adolescentes carentes no ambulatório da Faculdade de Medicina do ABC, tive a consciência de que meninas adolescentes têm bebês e mulheres maduras têm filhos.

São processos completamente distintos. Nos três níveis (biológico, psicológico e social), a gravidez prematura traz muitas dificuldades de adaptação à mulher moderna. Alguém talvez argumente que nossas ancestrais pariam jovens. Mas eram tempos difíceis em que a mulher não tinha opções na vida comunitária. Seu único troféu social eram os filhos. Sem antibióticos e sem vacinas, criados com a água de poço e esgoto precário, nem todos conseguiam sobreviver.

A medicina moderna derrubou as taxas de mortalidade infantil. As cidades melhoraram o saneamento básico. As crianças já não morrem de infecções. A entrada no mercado de trabalho e a conquista da autonomia modificaram profundamente as expectativas das mulheres quanto à sua realização pessoal. Hoje muitas optam por ter filho único ou abrem mão da maternidade. A rápida urbanização do país e o acesso a métodos contraceptivos são outros fatores determinantes para a queda na fecundidade.

As novelas de TV também ajudaram a modificar o perfil da família brasileira nos últimos 40 anos, ao retratar como mais realizadas e felizes as famílias com um ou dois filhos, como mostraram pesquisadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento. E assim a taxa de filhos por brasileira caiu de 6,3 em 1960 para 2 em 2006. Essa redução tem sido observada em todas as faixas etárias, menos na adolescência. Para mudar esse quadro é fundamental informação: educação sexual nas escolas, nos meios de comunicação, na família.

Mas é preciso também melhorar o diálogo entre pais e filhos. Uma boa conversa dentro de casa diminui o índice de gravidez precoce.

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Fonte: livro “E nossos filhos cantam as mesmas canções”, de Malcolm Montgomery – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

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