Desatando nós nos relacionamentos amorosos. (por Alfredo Simonetti)

Na tentativa de desatar os nós, queremos mudar as situações da vida, e, no caminho da superação, da travessia do nó, permitimos que as situações da vida nos modifiquem.

Tem coisas que você muda, e tem coisas que mudam você. Existem problemas que admitem solução, outros porém apenas superação e esquecimento. É possível se resolver questões do tipo como dividir as tarefas domésticas, como gastar o dinheiro do casal, como educar os filhos, como ser mais carinhoso, como ter mais sexo, como ficar mais tempo juntos, o que cada um pode ou não fazer em termos de amizades fora do casamento; mas como se resolvem mágoas, sentimento de desamor, palavras já ditas, e um aborto feito há 10 anos no início do relacionamento?

O casamento em si, por exemplo, admite solução, mas os sentimentos, não. Um casal que resolve se separar encontrou como solução terminar a relação, mas os sentimos não terminam junto com a relação, eles perduram por muito tempo, vão lentamente se dissolvendo no tempo e nas conversas com a pessoa ou sobre a pessoa amada. Uma situação de infidelidade também admite solução, no caso, a promessa de não mais trair, mas os sentimentos não se extinguem por causa da promessa, precisam ser elaborados, falados e pensados muitas e muitas vezes.

Quando resolvemos alguma coisa, nós a deixamos para trás, vamos em frente, mas na superação o trajeto é em espiral: de vez em quando passamos novamente pelo ponto dolorido, só que um pouco mais distanciado. Parece que uma das maneiras que os humanos dispõem para superar certas vivências é voltar a elas, em pensamento e em falas, muitas e muitas vezes, como se estivessem tentando lixar a dor com as palavras. Deve ser por isto que algumas pessoas precisam tanto falar de problemas que já aconteceram, precisam falar, falar, até gastar .

Problemas se resolvem, e angústia se dissolve. Mas se dissolve no quê? Em muitas coisas, no álcool, no sexo, nas compras, no trabalho, na distância, no tempo, mas em especial se dissolve nas palavras. É esta a finalidade da conversa amorosa, resolver o que pode ser resolvido, e dissolver o que não admite soluções. A relação amorosa não é um problema a ser resolvido, não é uma equação para a qual você precisa encontrar a resposta certa, ela não é nem pergunta nem resposta, é só uma história a ser vivida, uma travessia a ser feita, em alguns momentos falando e, em outros, em silêncio. Dois barcos nos ajudam nessa travessia dos nós do casamento: o tempo e a palavra. Com uma boa conversa, e com um bom tempo, quase tudo se resolve, ou se dissolve.

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Fonte: livro “O nó e o Laço”, de Alfredo Simonetti. Integrare Editora

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