Hipnotizando Maria (por Richard Bach)

Mas há muito que fazer na aviação, fora pilotar caças e aviões comerciais. Há os voos fretados, os voos corporativos e o negócio dos voos panorâmicos; há a pulverização de plantações, os shows de acrobacias aéreas, o monitoramento de dutos e as fotografias aéreas; há o transporte de aeronaves a fazer; há os banners aéreos para puxar, os planadores para puxar, os paraquedistas para levar lá nas alturas e depois soltá-los no céu; há as corridas aéreas, os voos com equipes de televisão, os voos para reportagens sobre as condições de trânsito, os voos policiais, os testes de avião, pilotar aviões de carga e mambembar velhos biplanos por campos de feno. E o ensino, lógico; há sempre gente nova chegando com o mesmo objetivo de voar por sua conta… sempre existe a instrução de voo.

Ele fizera tudo aquilo ao longo da vida. Nos últimos anos se tornara instrutor de voo, e dos bons, segundo o provérbio de que os melhores instrutores se conhecem só pela cor do cabelo. Não que ele fosse um cara da velha guarda, saiba você, nem que não tivesse mais nada para aprender. Só tinha reunido naquelas décadas sua cota de horas de voo, que agora chegavam a doze mil. Não era um tempo nem enorme, nem pequeno. O suficiente para Jamie Forbes aprender a humildade.

Por dentro, porém, ele continuava sendo aquele garoto louco para pilotar qualquer coisa em que pudesse pôr as patinhas.

Era assim que as coisas continuariam a ser, sem interessar a ninguém, não fosse o que aconteceu em setembro passado. O que ocorreu então pode não importar para algumas pessoas; para outras, mudará sua vida da mesma forma como mudou a minha.

– Acho que ele morreu!

Era a voz de uma mulher pelo rádio.

– Alguém aí está me ouvindo? Acho que meu marido morreu!

A transmissão dela estava a 122,8 megaciclos, a frequência Unicom dos aeroportos pequenos; sua voz era alta e clara: não devia estar muito longe dali.

Ninguém respondeu.

– Alguém me ajude, ele morreu!

Ele apertou o botão do microfone.

– Pode ser, senhora – disse Jamie Forbes –, mas também pode ser que não. A senhora consegue pilotar esse avião sem ele.

– Não, nunca aprendi! Juan está caído perto da porta, ele não está se mexendo!

– É melhor nós pousarmos logo, então – disse ele, escolhendo o “nós” porque já estava pensando no que ela diria em seguida.

– Não sei pilotar um avião!

– Certo – disse ele –, então nós dois vamos pousar esse avião juntos.

Fonte: livro “Hipnotizando Maria”, de Richard Bach. Integrare Editora

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