O ato de pensar o melhor possível. (por Içami Tiba)

agosto 31, 2015

O ato de pensar “o melhor possível” deve estar voltado também para o bem do próximo, da sociedade, do planeta, de uma próxima geração, do vizinho ou de outro cidadão qualquer. Uma das maneiras de avaliar a qualidade do pensamento está na possibilidade de falar abertamente o que foi pensado seja para quem for.

Se um pensamento não pode ser expresso, não se deve pensar nele. Quanto mais o pensador se ocupa com esse pensamento negativo, mais se acostuma com ele – que acaba escapando ou sendo contado para alguém, e certamente trará desagradáveis desgastes e prejuízos. No campo das ideias, sabemos que ninguém domina o livre pensar: os pensamentos brotam sozinhos. Eles têm de passar por um seletor que barra os negativos, inconvenientes, inadequados – enfim, os pensamentos que não sejam de Alta Performance.

Há pessoas que não sabem ouvir. Quando ouvem um ponto positivo sobre alguém, em lugar de parabenizar essa pessoa, têm sempre uma menção negativa a apontar e não raro lembram‑se de alguém que fez algo melhor. Ouça este diálogo:

– Você viu fulano? Está ganhando bem, agora! – comenta um falante.

– Sim, mas ainda deve dinheiro para beltrano! (Ou: Sicrano foi promovido!) – contesta o mau ouvinte.

Ninguém gosta de conviver com gente desse tipo. Pode ser até gente boa, mas seu seletor de pensamentos é malévolo. Em vez de ouvir o positivo da mensagem, procura brechas para dizer que o bom não é tão bom assim. Há o amargo da bílis na sua fala. A intenção não explícita de alguém falar mal de outra pessoa é crer e transmitir que ela é melhor que a outra. Quanto pior ela falar dos outros, desmerecendo o bom, tanto melhor ela se sente, querendo mostrar‑se boa. Por outro lado, pensar “o melhor possível” consiste não só em pensar direito, mas também em reagir positivamente diante das informações recebidas.

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Fonte: livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Ioga e o envelhecimento (por Ruth Barros e Mario Americo)

agosto 28, 2015

Envelhecer, definitivamente, é coisa que só agrada aos mais abnegados. Mas o único jeito de não chegar lá é morrer antes. Botox, plásticas, todo arsenal da moderna estética são armas preciosas nesse combate inglório e não temos nada contra elas.

Porém, um físico bem cuidado e uma fisionomia tranquila podem fazer muito mais pela manutenção da juventude. Para conseguir isso, vamos de ioga, que trabalha corpo e alma, reduzindo estresse e ansiedade.

Esses vilões, somados a preocupações e apreensões, são grandes fontes de estrago e rugas mesmo para os que têm pouca idade, e a Ioga ajuda a desacelerar o processo de envelhecimento, pois melhora a respiração, fonte básica de energia, além de realinhar a coluna, nosso eixo central, que vai perdendo força e flexibilidade com o tempo.

É preciso lembrar também que a kundalini, energia mais primitiva, mais instintiva, representada por uma serpente enrolada, ficaria situada na base da coluna. Desperta, a serpente atravessa o caminho natural indo para a cabeça encontrar o chakra que nos une ao divino. Essa ligação harmoniza instinto e sabedoria.

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Fonte: livro “Ioga além da prática”, de Ruth Barros e Mario Americo. Integrare Editora

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Gravidez na adolescência: ter um bebê ou ter um filho? (por Malcolm Montgomery)

agosto 26, 2015

Desde 1982, quando eu atendia adolescentes carentes no ambulatório da Faculdade de Medicina do ABC, tive a consciência de que meninas adolescentes têm bebês e mulheres maduras têm filhos.

São processos completamente distintos. Nos três níveis (biológico, psicológico e social), a gravidez prematura traz muitas dificuldades de adaptação à mulher moderna. Alguém talvez argumente que nossas ancestrais pariam jovens. Mas eram tempos difíceis em que a mulher não tinha opções na vida comunitária. Seu único troféu social eram os filhos. Sem antibióticos e sem vacinas, criados com a água de poço e esgoto precário, nem todos conseguiam sobreviver.

A medicina moderna derrubou as taxas de mortalidade infantil. As cidades melhoraram o saneamento básico. As crianças já não morrem de infecções. A entrada no mercado de trabalho e a conquista da autonomia modificaram profundamente as expectativas das mulheres quanto à sua realização pessoal. Hoje muitas optam por ter filho único ou abrem mão da maternidade. A rápida urbanização do país e o acesso a métodos contraceptivos são outros fatores determinantes para a queda na fecundidade.

As novelas de TV também ajudaram a modificar o perfil da família brasileira nos últimos 40 anos, ao retratar como mais realizadas e felizes as famílias com um ou dois filhos, como mostraram pesquisadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento. E assim a taxa de filhos por brasileira caiu de 6,3 em 1960 para 2 em 2006. Essa redução tem sido observada em todas as faixas etárias, menos na adolescência. Para mudar esse quadro é fundamental informação: educação sexual nas escolas, nos meios de comunicação, na família.

Mas é preciso também melhorar o diálogo entre pais e filhos. Uma boa conversa dentro de casa diminui o índice de gravidez precoce.

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Fonte: livro “E nossos filhos cantam as mesmas canções”, de Malcolm Montgomery – Integrare Editora

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A existência como uma bolha de sabão. (por Dulce Magalhães)

agosto 24, 2015

UMA BOLHA DE SABÃO surge do sopro, é matéria altamente perecível e impermanente, é translúcida e reflete tudo o que está ao redor. Esse parece ser o retrato perfeito de uma existência. Surge do sopro fecundo da vida, vai se modificar e fenecer e, assim como reflete tudo o que está ao redor, também contém, dentro dessa bolha transparente de vida, todas as coisas que espelha.

Isso é a realidade. Não é algo que foi nem algo que será. É essa frágil bolha de sabão que representa o instante exato. E pode ser puro deslumbramento se formos capazes de compreender quão etéreo e sublime é o momento. Ou será uma triste experiência se quisermos nos apegar a determinada bolha. Não dá para armazenar nem para manter uma bolha de sabão. Só podemos apreciá‑la na medida de sua existência fugaz. Viu, viu; não viu, perdeu.

Pensemos a realidade como uma metáfora tão impalpável e sutil feito uma bolha de sabão, pois costumamos achar que a vida é a sólida, e ilusória, estrutura que criamos ao nosso redor. Pense bem, a vida não é sua casa, seu carro, seu emprego, seu status, tampouco são os filhos que você trouxe ao mundo. A vida é essa bolha de sabão que aparece e desaparece de forma misteriosa, na brevidade do instante, e tem a intensidade que nossa consciência permitir.

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Fonte: livro “O foco define a sorte”, de Dulce Magalhães – Integrare Editora

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Desatando nós nos relacionamentos amorosos. (por Alfredo Simonetti)

agosto 21, 2015

Na tentativa de desatar os nós, queremos mudar as situações da vida, e, no caminho da superação, da travessia do nó, permitimos que as situações da vida nos modifiquem.

Tem coisas que você muda, e tem coisas que mudam você. Existem problemas que admitem solução, outros porém apenas superação e esquecimento. É possível se resolver questões do tipo como dividir as tarefas domésticas, como gastar o dinheiro do casal, como educar os filhos, como ser mais carinhoso, como ter mais sexo, como ficar mais tempo juntos, o que cada um pode ou não fazer em termos de amizades fora do casamento; mas como se resolvem mágoas, sentimento de desamor, palavras já ditas, e um aborto feito há 10 anos no início do relacionamento?

O casamento em si, por exemplo, admite solução, mas os sentimentos, não. Um casal que resolve se separar encontrou como solução terminar a relação, mas os sentimos não terminam junto com a relação, eles perduram por muito tempo, vão lentamente se dissolvendo no tempo e nas conversas com a pessoa ou sobre a pessoa amada. Uma situação de infidelidade também admite solução, no caso, a promessa de não mais trair, mas os sentimentos não se extinguem por causa da promessa, precisam ser elaborados, falados e pensados muitas e muitas vezes.

Quando resolvemos alguma coisa, nós a deixamos para trás, vamos em frente, mas na superação o trajeto é em espiral: de vez em quando passamos novamente pelo ponto dolorido, só que um pouco mais distanciado. Parece que uma das maneiras que os humanos dispõem para superar certas vivências é voltar a elas, em pensamento e em falas, muitas e muitas vezes, como se estivessem tentando lixar a dor com as palavras. Deve ser por isto que algumas pessoas precisam tanto falar de problemas que já aconteceram, precisam falar, falar, até gastar .

Problemas se resolvem, e angústia se dissolve. Mas se dissolve no quê? Em muitas coisas, no álcool, no sexo, nas compras, no trabalho, na distância, no tempo, mas em especial se dissolve nas palavras. É esta a finalidade da conversa amorosa, resolver o que pode ser resolvido, e dissolver o que não admite soluções. A relação amorosa não é um problema a ser resolvido, não é uma equação para a qual você precisa encontrar a resposta certa, ela não é nem pergunta nem resposta, é só uma história a ser vivida, uma travessia a ser feita, em alguns momentos falando e, em outros, em silêncio. Dois barcos nos ajudam nessa travessia dos nós do casamento: o tempo e a palavra. Com uma boa conversa, e com um bom tempo, quase tudo se resolve, ou se dissolve.

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Fonte: livro “O nó e o Laço”, de Alfredo Simonetti. Integrare Editora

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Profissional FLUX – você é? (por Sidnei Oliveira)

agosto 19, 2015

HOUVE UM TEMPO EM que se podia definir a carreira de alguém pela quantidade de cargos ocupados em sua vida profissional. Era uma época diferente, na qual “crescer na carreira” significava simplesmente “assumir um cargo de relevância maior que o anterior”.

Assim, era possível iniciar a carreira em funções bem simples e operacionais, apenas com qualificação acadêmica básica. Nesse cenário, parte da responsabilidade pelo desenvolvimento profissional cabia à empresa, o que estabelecia uma conveniente simbiose entre ela e o profissional, permitindo décadas de relacionamento.

Agora, vivemos um novo tempo, com intensas transformações nos relacionamentos e na linguagem. Isso é o resultado dos avanços tecnológicos e da exposição à grande quantidade de informações a que todos somos submetidos.

Chegou o tempo do profissional FLUX. Esse novo profissional não se caracteriza por uma faixa de idade, expectativa de vida ou padrão de consumo. A definição de FLUX refere‑se muito mais ao comportamento desestruturado e não linear que diversas pessoas estão adotando em suas vidas, motivadas principalmente por um cenário caótico e mutante que observam ao seu redor.

São pessoas que se adaptaram melhor ao fluxo (flux, em inglês) inesgotável de informações e utilizam qualquer ferramenta para fazer uso delas. Estão sempre conectadas e buscando inovações. Além disso, adotam uma forma de interagir com as coisas, acreditando que sempre há como fazer melhor. Elas conseguem se motivar e estruturam suas expectativas e aspirações de acordo com esse ambiente caótico.

Um profissional flux não teme a demissão, porque confia em sua rede de relacionamentos e em sua capacidade de adaptação em diversos cenários profissionais. Ele acredita que sempre há emprego para quem inova e faz acontecer. É ambicioso com sua trajetória, por isso, diante de um profissional em posição mais privilegiada que a sua, normalmente aspira a essa posição, planeja um modo de chegar lá e calcula quanto tempo isso levará, em vez de ficar questionando por que não está lá.

Ter profissionais mais adaptados às constantes mudanças do mercado é um benefício extraordinário para as empresas. Além disso, observaremos que, por causa do desenvolvimento desse comportamento flux, lideranças mais inovadoras e conectadas ao mundo globalizado são formadas. Desta forma, os profissionais mais assertivos e determinados alcançam a visibilidade com maior rapidez nas empresas. Contudo, os lideres precisam estar mais bem preparados para identificar o profissional FLUX.

E você, já é um FLUX?

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Fonte: livro “Conectados, mas muito distraídos”, de Sidnei Oliveira – Integrare Editora

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Mãe Polivalente. (por Içami Tiba)

agosto 17, 2015

Todas as mães sentem muito a responsabilidade da maternidade. Umas, mesmo com pesar, necessitam colocar o trabalho como prioridade. A mãe polivalente consegue ser mulher mãe nas horas em que está com os filhos (e os educa) e working-mother quando está no trabalho, mas com uma grande diferença. Leva trabalho para casa e leva os filhos para o trabalho. É esta sua estratégia: para não ficar tanto tempo distante dos filhos, leva para casa algumas tarefas do trabalho e, durante o trabalho, dá um jeito de falar com os pequenos pelo telefone, com os maiores pela internet ou por torpedos do celular. Estas mães mais parecem irmãs mais velhas, não as antigas matronas, e não abrem mão da sua vida própria ou com o marido. São a típica mãe cheia de mãos, a mulher polvo.
Conheço uma mãe que, enquanto almoça um sanduíche, faz as unhas na manicure, fala com os filhos no telefone viva-voz e ainda folheia uma revista, protegendo o esmalte.

A mãe polivalente vive um desafio diário, como uma malabarista que precisa manter vários pratos no ar o tempo todo sem que nenhum caia no chão. Ela está cansada, mas ainda não está pronta para passar tarefas para outras pessoas. Ao mesmo tempo que quer essa colaboração, e cria toda uma estrutura para manter a rotina e o bom andamento familiar, não abre mão do controle que precisa ter de tudo – desde o conhecimento do que está em cada prateleira da despensa até a roupa que cada filho está usando durante o dia, se lanchou e quantas horas assistiu de televisão. Mesmo sabendo que esse é o preço que paga pela opção de ser uma mãe polivalente, aceita o desafio e procura viver cada dia da melhor maneira possível.

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Fonte: livro “Educação familiar: presente e futuro”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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Hipnotizando Maria (por Richard Bach)

agosto 14, 2015

Mas há muito que fazer na aviação, fora pilotar caças e aviões comerciais. Há os voos fretados, os voos corporativos e o negócio dos voos panorâmicos; há a pulverização de plantações, os shows de acrobacias aéreas, o monitoramento de dutos e as fotografias aéreas; há o transporte de aeronaves a fazer; há os banners aéreos para puxar, os planadores para puxar, os paraquedistas para levar lá nas alturas e depois soltá-los no céu; há as corridas aéreas, os voos com equipes de televisão, os voos para reportagens sobre as condições de trânsito, os voos policiais, os testes de avião, pilotar aviões de carga e mambembar velhos biplanos por campos de feno. E o ensino, lógico; há sempre gente nova chegando com o mesmo objetivo de voar por sua conta… sempre existe a instrução de voo.

Ele fizera tudo aquilo ao longo da vida. Nos últimos anos se tornara instrutor de voo, e dos bons, segundo o provérbio de que os melhores instrutores se conhecem só pela cor do cabelo. Não que ele fosse um cara da velha guarda, saiba você, nem que não tivesse mais nada para aprender. Só tinha reunido naquelas décadas sua cota de horas de voo, que agora chegavam a doze mil. Não era um tempo nem enorme, nem pequeno. O suficiente para Jamie Forbes aprender a humildade.

Por dentro, porém, ele continuava sendo aquele garoto louco para pilotar qualquer coisa em que pudesse pôr as patinhas.

Era assim que as coisas continuariam a ser, sem interessar a ninguém, não fosse o que aconteceu em setembro passado. O que ocorreu então pode não importar para algumas pessoas; para outras, mudará sua vida da mesma forma como mudou a minha.

– Acho que ele morreu!

Era a voz de uma mulher pelo rádio.

– Alguém aí está me ouvindo? Acho que meu marido morreu!

A transmissão dela estava a 122,8 megaciclos, a frequência Unicom dos aeroportos pequenos; sua voz era alta e clara: não devia estar muito longe dali.

Ninguém respondeu.

– Alguém me ajude, ele morreu!

Ele apertou o botão do microfone.

– Pode ser, senhora – disse Jamie Forbes –, mas também pode ser que não. A senhora consegue pilotar esse avião sem ele.

– Não, nunca aprendi! Juan está caído perto da porta, ele não está se mexendo!

– É melhor nós pousarmos logo, então – disse ele, escolhendo o “nós” porque já estava pensando no que ela diria em seguida.

– Não sei pilotar um avião!

– Certo – disse ele –, então nós dois vamos pousar esse avião juntos.

Fonte: livro “Hipnotizando Maria”, de Richard Bach. Integrare Editora

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A importância da EAD (por Paulo Nathanael Pereira de Souza)

agosto 12, 2015

Muito embora haja resistências por parte de professores tradicionalistas, que temem perder seus postos de docência pelo avanço dessas novidades, ou de chefes empedernidos, que, sendo incapazes de compreender a importância desses novos processos, opõem-se à sua adoção em seus locais de trabalho e mando, há de levar em conta o fato de o EAD ter chegado para ficar. Sua permanência é irreversível, e ai de quem não conseguir admitir essa irreversibilidade e não buscar, com ela, estabelecer o melhor dos convívios. Tanto na atualização dos saberes quanto na sua complementação continuada, seja na forma de cursos conceituais ou instrumentais, seja no autodidatismo da busca diária dos acréscimos daquele saber, que muda inexoravelmente do dia para a noite, a EAD será, daqui para o futuro, a grande arma que permitirá a todos participarem da guerra competitiva em que se metamorfoseará a convivência humana no século XXI.

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Fonte: livro “Educação e Desenvolvimento no Brasil” de Paulo Nathanael Pereira de Souza”, – Integrare Editora

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O reizinho da família. (por Maria Tereza Maldonado)

agosto 10, 2015

Ana Cláudia desabafa: “Não agüento mais meu filho! Agora me arrependo de tê-lo criado tão cheio de vontades. Primeiro filho, primeiro neto dos dois lados, as famílias achando tudo o que ele fazia uma gracinha. Parei de trabalhar para ficar totalmente disponível. Moral da história: o reizinho é um tirano. Faz cenas horríveis quando é contrariado. Brigo com ele, grito, mas não adianta”.

Essa é a queixa de pais que criaram os filhos na base da lei do desejo, e não da lei do consenso. O filho cresce achando-se no direito de sempre ocupar o primeiro lugar e pensando que os outros são seus súditos, que existem para satisfazer seus desejos. Não desenvolve a capacidade de perceber as necessidades dos outros e respeitá-los; não suporta a frustração e não consegue esperar. Por isso, não é capaz de construir um bom convívio, regido pela lei do consenso: dar um pouco do que cada um quer, para que todos tenham vez.

A crescente exigência do reizinho torna os familiares frustrados e enraivecidos; passam a brigar e a reclamar da criança solicitadora, insistente, insuportável. O clima do convívio fica difícil e a criança acaba se sentindo rejeitada e infeliz.

A melhor maneira de prevenir essa situação é dar à criança, desde pequena, a noção de que ela é importante, mas não é a única pessoa no mundo que tem o direito de ser atendida. Os outros têm o mesmo direito. Essa é a base da relação de troca, do dar-e-receber que permite o desenvolvimento da bondade, da gentileza e da tolerância. Dizer “Agora não”, “Já li essa história três vezes para você, agora chega” são frases que provocam frustrações necessárias, dentro da realidade de que nem tudo acontece na hora em que a gente quer ou do jeito que desejamos. Desenvolver a consideração pelos outros e por si mesmo conduz ao equilíbrio e a maiores possibilidades de satisfação. A capacidade de esperar é a base do bom planejamento; a capacidade de tolerar frustrações é a base da aprendizagem, pois é preciso persistir e suportar os erros até adquirir o conhecimento ou a habilidade de fazer o que nos propomos.

O que leva os familiares a tratar a criança como reizinho? Comumente, os sentimentos de pena e de culpa (porque a criança é adotada, ou nasceu doente, ou os pais se separaram, ou a mãe trabalha o dia inteiro etc.) criam a necessidade de compensá-la realizando a maioria dos seus desejos. Os outros motivos são: pensar que vai conquistar o amor do filho fazendo tudo o que ele quer; ter passado por privações ou ter se sentido pouco atendido, dando ao filho tudo o que gostaria de ter recebido; achar que ser bom pai ou boa mãe é atender a todos os pedidos dos filhos.

No entanto, é bom lembrar que essa conduta é prejudicial para o filho. O amor envolve não somente a atenção e o atendimento às necessidades da criança, mas também o preparo para que ela viva no mundo com os outros.

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Fonte: livro “Cá entre nós: na intimidade das famílias”, de Maria Tereza Maldonado – Integrare Editora

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