Autonomia acompanhada de bom-senso. (por Eugenio Mussak)

junho 3, 2015

A título de definição: anomia significa ausência de normas ou leis, situação que gera anarquia e prejudica a organização; heteronomia é a obediência cega a normas criadas por outros, própria dos sistemas totalitários; e autonomia é a obediência às próprias normas ou às normas criadas por outros após serem entendidas, aceitas, apropriadas e adaptadas à situação.

Pessoas autônomas são mais produtivas e capazes, desde que, claro, sua autonomia seja acompanhada de responsabilidade. Autônomos assumem a responsabilidade, heterônomos transferem. Autônomos resolvem, heterônomos estancam. Infelizmente ainda há muitas situações de heteronomia, basta que você pense um pouco sobre os serviços prestados em hotéis, clínicas, lojas, repartições públicas. O tema é tão comum que é assunto recorrente nas universidades e nas empresas e chega a ser abordado pela literatura, pelo teatro e pelo cinema.

Lembro-me de uma cena de um filme antigo, da década de 1960, chamado Bon Voyage!, protagonizado pelo veterano comediante norte-americano Fred MacMurray. Ele interpreta um turista em visita a Paris, que resolve conhecer os subterrâneos da Cidade-Luz, acompanhando um grupo conduzido por um guia local.

Entretanto, traído por sua curiosidade, afasta-se do grupo e termina por perder-se no emaranhado de galerias que quase formam uma segunda Paris, subterrânea. Já em desespero, percebendo a noite chegar, encontra uma tampa de bueiro que ele poderia alcançar esticando bem o corpo. Coloca, então, três dedos através dos furos, na esperança de que esse pequeno e patético aceno fosse percebido por alguém. E, de fato, alguém vê os desesperados dedinhos em movimento frenético – um gendarme, um guarda trânsito parisiense, competente e orgulhoso. O policial comenta com seu colega e lhe pergunta o que eles devem fazer. O outro, então, sentencia:

– Não vamos fazer nada. Não é da nossa conta, pois cuidamos do trânsito, do que está acima das ruas, e não do que está abaixo. Allez au travaille, mon collègue!

A cena pode ser engraçada, carregada de humor sarcástico, mas também é representativa da tragédia do descompromisso, da invalidez funcional justificada pela definição estanque de papéis. Heteronomia em estado puro. Au revoir!

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Fonte: livro “Com gente é diferente: inspirações para quem precisa fazer gestão de pessoas”, de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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