Soltar ou prender? O desenvolvimento da autonomia dos filhos. (por Maria Tereza Maldonado)

Adriana se irrita quando sua filha de 15 anos se revolta porque tem de dizer para onde vai, com quem e a que horas volta. Não satisfeita com isso, telefona para as outras mães para confirmar a veracidade do que foi dito e fica horrorizada ao constatar que algumas amigas de sua filha são completamente soltas: os pais não tomam conhecimento dos programas nem procuram saber a que horas elas chegam das festas.

 

Por outro lado, Renata, 16 anos, diz que sente falta da vigilância dos pais, que, em suas próprias palavras, são muito “descolados”. A liberdade que tem para colocar piercings, fazer tatuagens, sair das festas quando já está amanhecendo e beber à vontade sem que os pais se preocupem tem, para ela, um gosto amargo de abandono e desamor.

 

Soltar ou prender? Essa medida é difícil já na infância. Quando a criança está pronta para usar o elevador sem estar acompanhada, sair para comprar coisas na banca de jornal ou dormir na casa dos amigos? Vários fatores influenciam essas decisões: o ambiente em que vivemos, a rede de relacionamentos e o nível de segurança pública são alguns deles.

 

“Confiança não se ganha, é preciso conquistá-la.” Para muitos pais, a confiança se quebra quando descobrem mentiras, coisas feitas às escondidas, acordos não cumpridos. Alguns mal conseguem se lembrar da própria adolescência, quando também transgrediam e ocultavam experiências que os pais não aprovariam. Outros acham que a adolescência é época de “fazer besteiras” e que a gente acaba aprendendo com a vida e com a maturidade.

 

Há desafios importantes para a família com adolescentes, no sentido de minimizar os riscos e aumentar os fatores de proteção para promover o crescimento saudável. Um deles é aumentar a flexibilidade dos limites para permitir o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade sem que isso represente soltar as rédeas.

 

Monitorar, orientar, proteger: isso significa que é importante, sim, saber onde estão, quem são os amigos, como se divertem, como está o rendimento na escola. Muitas vezes, o cuidado dos pais é entendido pelos adolescentes como controle, intromissão em sua privacidade. Diversos pais também se confundem com essa diferença entre cuidado e controle e espionam agendas, correspondência, telefonemas. Quebram, desse modo, a confiança dos filhos, desrespeitando sua privacidade e estimulando o fechamento da comunicação.

 

Um dos objetivos da educação dos filhos é acompanhá-los no caminho que vai da dependência do bebê para a interdependência dos adultos. O desenvolvimento da autonomia precisa estar entrelaçado com a capacidade de cuidar bem de si

 

Um dos principais ingredientes do dilema entre prender e soltar é a insegurança dos pais que não confiam plenamente na capacidade do adolescente para se proteger dos perigos e, sobretudo, resistir às pressões do grupo de amigos.

 

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Fonte: livro “Cá entre nós: na intimidade das famílias”, de Maria Tereza Maldonado. Integrare Editora

 

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