Quarto do adolescente: o campo de guerra da família (por Içami Tiba)

Com frequência, o quarto do adolescente acaba virando palco de terríveis brigas familiares. A bagunça do quarto é uma área espinhosa no relacionamento entre pais e filhos porque, embora reflita a liberdade individual do adolescente, pode constituir um desrespeito à liberdade relacional.

Mesmo ocupado pelo filho, o quarto pertence ao todo da casa, por isso, muitas vezes, começa uma briga por território. A mãe, por se sentir a rainha do lar, acha que tudo que diz respeito à casa é responsabilidade dela. Se não organizar todos os aposentos, inclusive o quarto do filho, é como se não tivesse cumprido bem seu dever de cuidar da casa. O filho reage, alegando que o quarto pertence a ele. Como sair desse impasse?

O quarto bagunçado pertence à casa tanto quanto o filho (mesmo com suas roupas estranhas) pertence à família. O adolescente deve ser respeitado até o momento que surja a inadequação. Se o quarto tiver de pertencer à casa de qualquer maneira, os pais negarão ao filho sua adolescência, o seu “segundo parto”. Caso a família insista em que o quarto se pareça com os demais cômodos da casa, estará anulando a individualidade de que ele tanto necessita naquele momento. Falta-lhe um lugar para crescer. Quanto mais problemático for o segundo parto, mais o quarto destoará do restante da casa.

O quarto deveria ser considerado um imóvel “tombado pelo patrimônio histórico”: a aparência externa deve ser mantida, mas o interior pode ser modificado conforme o morador; não é possível derrubar paredes, mexer na pintura externa – mas, internamente, o adolescente pode usar e abusar dele.

Tudo tem limite. A medida certa de respeito ao templo e à caverna recomenda que as fronteiras caiam por terra quando existe a suspeita de que o filho esteja usando drogas, assunto com o qual não se brinca.

Quanto mais cedo e adequada for a interferência, melhores serão os resultados. Nessas circunstâncias, um filho perde o direito à privacidade do quarto. Respeitar sua privacidade nessa situação é transformar-se em conivente com o usuário. É preciso que os pais procurem a droga, nem que para isso seja necessário virar o aposento do avesso. Tem privacidade quem merece nossa confiança.

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Fonte: livro “Disciplina : limite na medida certa. Novos paradigmas”, de Içami Tiba – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

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