Presente da mamãe (por Içami Tiba)

Dezembro é tempo de balanço e encerramento por mais um ano de trabalho, de estudo, de vida. Não há como se furtar dele. Não estando mais na idade de ganhar presentes dos pais, fiz um levantamento dos que recebi nesta minha vida tão bem vivida. Lembrei-me com muito carinho de um verdadeiro presente da minha mãe, que ganhei quando lhe fiz uma pergunta antes mesmo de começar a frequentar a escola.

Não me lembro de ter ganhado muitos presentes na minha infância, nem na adolescência. Não sentia falta deles, pois não era costume dos meus pais darem presentes aos filhos. Fazendo uma retrospectiva da minha vida, levantando os memoráveis presentes que ganhei até hoje, há um que quero passar a você por estar bem atualizado, mesmo que já o tenha passado para muitos pais, e não perco as oportunidades de usá-lo para ajudá-los e educar seus filhos. Comecei a usá-lo assim que o recebi da minha mãe.

Hoje é muito comum os pais fazerem pelos filhos o que estes são capazes de fazer. Esta é uma das formas de se criar um filho folgado. Embaixo de um folgado tem sempre um sufocado. A mãe pede ao filho que faça algo. Como nunca fez, ele não faz tão bem quanto a mãe faria. Num instante ela afasta o filho com um “Deixa que eu faço, você não sabe fazer nada mesmo!” e dá uma justifica para o filho não fazer mais praticamente nada. Quem justifica não faz. A mãe torna-se cada vez mais sufocada e o filho, folgado.

Com 7 anos de idade, vi um médico pela primeira vez. Algum tempo depois eu falei para minha mãe: “Quero ser médico!”. Ela, que havia acordado de madrugada para deixar toda a casa pronta para os sete filhos, e ainda trabalhava o dia todo no mercadinho da família, poderia ter-me respondido: “Acho difícil, pois somos imigrantes, lutamos para sobreviver, não há escola aqui, é melhor brincar com seu caminhãozinho, não me aborreça que estou muito ocupada, etc.”, mas olhou no fundo dos meus olhos e falou: “Então, você tem que estudar muito!”. Assim ela me abriu o horizonte que eu poderia conquistar, bastaria estudar bastante. Os estudos dependiam da minha dedicação… De fato estudei muito e culminei me formando na Faculdade de Medicina da USP.

Estejam meus pais onde estiverem, eu imagino que eles saibam no que o seu terceiro filho se tornou e me emociono de vê-los sorrindo para mim e minha família, satisfeitos e orgulhosos, por terem me dado um presente tão lindo e sustentável…

Sem ser obrigatoriamente materiais, há presentes que são agradáveis e úteis pela vida toda… e assim, a minha mãe abriu o meu horizonte: eu poderia conquistar qualquer coisa, bastaria estudar bastante, e os estudos dependiam da minha dedicação…

Natal_2014

 

Fonte: coluna do mês de Dezembro, da Revista Viva SA, por Içami Tiba

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