Obtendo comprometimento: no trabalho, na relação. Por Eugenio Mussak

Muitos anos depois dessas histórias, agora já adulto e trabalhando como consultor de empresas, volto a deparar com o fenômeno do comprometimento, pois, assim como aquele contador e o chefe escoteiro, os gestores modernos estão interessadíssimos em formar equipes com pessoas comprometidas. Então surge a pergunta de 1 milhão de reais: afinal, será que é possível entender o fenômeno do comprometimento e providenciar para que as pessoas se comprometam com uma causa, uma missão, um trabalho ou uma relação?

Então vamos direto ao segredo do mistério. Ainda que haja variações, as pessoas costumam responder favoravelmente a alguns fatores que determinam o comprometimento. Os cinco principais são:

•A admiração. Sentimento gostoso de sentir e de provocar. Fundamental para qualquer tipo de relação, a admiração provoca o desejo de permanecer junto da pessoa admirada ou de engajar-se em uma tarefa cujo resultado se admira. Não conseguimos permanecer ao lado de alguém que não admiramos nem ser eficientes trabalhando em uma empresa cujos valores não provocam em nós nenhuma admiração.

• O respeito. Não há comprometimento sem respeito, e ele deve ser mútuo. Deriva da admiração e leva ao passo seguinte.

•A confiança. Só confiamos em quem admiramos e respeitamos. E só nos comprometemos com alguém se confiamos nele.

•A paixão. Esse sentimento surge com frequência por alguém a quem admiramos, respeitamos e em quem confiamos. Simples assim.

• A intimidade . Sim, pois queremos ficar ao lado, conviver e misturar nossa vida com a pessoa por quem estamos apaixonados. E também podemos nos apaixonar por causas, empresas e, claro, times de futebol. E com eles queremos continuar convivendo, sendo íntimos.

Pronto. Se existirem essas cinco condições básicas, o comprometimento será mera consequência. Quando um terapeuta é procurado por um casal com problemas de relacionamento, ele não questiona o comprometimento em si, mas as cinco condições acima. Se uma delas estiver deficiente, prejudicará o comprometimento que sustenta a relação.

As condições que sustentam uma relação  entre duas pessoas também garantem a boa relação das pessoas com a empresa onde trabalham, com a instituição com a qual colaboram, com o grupo de amigos de final de semana, com a igreja que freqüentam, com o time pelo qual torcem, e assim por diante.

Uma análise cuidadosa dessa questão  nos remete a uma situação circular: uma relação só vale a pena se as partes estiverem verdadeiramente comprometidas com ela; e as pessoas só se comprometem com uma relação se ela valer a pena.

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Fonte: livro “Caminhos da Mudança”, de Eugenio Mussak – Integrare Ed.

 

Saiba mais sobre o livro!

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