Educar ou Punir? Por Içami Tiba

julho 8, 2013

Uma das origens da indisciplina familiar é a falta de os pais exigirem que os filhos façam o que já sabem que devem fazer. Quando os pais deixam a indisciplina passar, estão sendo incoerentes, pois carregam a contradição entre o proibir verbalmente e o permitir comportamentalmente. Se proíbem, e depois permitem, estão sendo inconstantes. Se nada acontece após o ato delinquente, os pais estão sendo inconsequentes. Essas situações ilustram como ferir o princípio educativo familiar da coerência, constância e consequência.

 

Quando os alunos não fazem o que têm que fazer, é preciso que se exija deles que o façam para que o não-fazer não se torne um hábito.

 

Na escola, toda ação do professor deve estar baseada na consequência educativa progressiva. É para isso, repito, que o “avental” do professor entra em cena, pois ele traz dentro de si o caráter da consequência, isto é, não se perpetua a impunidade; da coerência, pois rege os comportamentos de todos os professores; educativo, por exigir que o aluno já não faça na escola o que não poderá fazer na sociedade; e é progressiva, pois o aluno fica melhor, os colegas se beneficiam, e a educação como um todo melhora.

            Punição ou castigo não é o melhor método educativo, pois paralisa o aluno no erro, é aplicado por quem está usando mais poder que autoridade, e pouco serve de aprendizado para o punido. Conforme a pessoa, ela pode sentir-se estimulada a ser retrógrada, isto é, no lugar de se educar, busca o caminho de não ser descoberta nem pega para ser castigada.

            Em muitos lugares, privilegia-se o roubo, pois o funcionário, diretor, político, profissional liberal é simplesmente afastado. Esta é uma punição inconsequente, pois o delinquente não precisou devolver o que roubou. Cria-se, assim, a aparência de que é bom roubar, pois além de não ter mais que trabalhar, pode viver tranquilamente do produto do roubo, pois seu crime já foi expiado com seu afastamento.

            Para garantir que a educação tenha falhado é preciso avaliar também o educador, pois é muito fácil inocentar-se a si mesmo acusando outras pessoas. Muitos pais afirmam que “fizeram tudo pelos seus filhos”, e se eles “deram errado” é porque não eram “bons”.             É preciso verificar se esse tudo a que os pais se referem realmente é tudo ou é apenas tudo o que eles sabiam ou achavam que estava ao seu alcance.

            Entretanto, há muitas “doenças incuráveis” que matavam pessoas e hoje são curadas com antibióticos. O mais correto seria dizer que “para essa doença, não conhecemos ainda o tratamento”, porque logo, logo os cientistas podem descobrir a sua cura. O mesmo ocorre na educação. O tudo, portanto, é relativo.

 

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Fonte: livro “Ensinar Aprendendo – Novos paradigmas na Educação”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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