A separação dos pais e a conversa com os filhos. Por Içami Tiba

Às vezes, ao receber a notícia da separação, os filhos a aceitam sem reação, isto é, “engolem o sapo”. Digerido ou não, com o tempo o sapo terá de ser eliminado. Então podem surgir reações aparentemente inesperadas, através de comportamentos que escapam ao controle, como queda no rendimento escolar, grande apatia, insônia, isolamento e até mesmo somatizações, como dores de cabeça, de estômago e de mau funcionamento intestinal. Tudo pode doer. É o corpo chorando as lágrimas que os olhos contiveram.

 

Distúrbios fisiológicos e psicológicos dos filhos podem ser lágrimas do corpo que os olhos não puderam chorar.

 

Durante a conversa, pai e mãe precisam ficar atentos para não responsabilizar os filhos nem arrancar promessas de ninguém, evitando ao máximo acusações e cobranças mútuas. Devem deixar bem claro que os filhos não têm culpa nem poder de separar ou unir o casal e que a responsabilidade de pai e mãe e relação afetiva deles com os filhos não se desfazem jamais. Contudo, como ex-cônjuges, eles terão de fazer modificações que afetarão a vida da família.

            É comum crianças pequenas pensarem que os pais resolveram se separar por causa de algo errado que elas fizeram: “Eu não vou bem na escola”; “Papai está bravo comigo, por isso vai embora”. A criança pode se culpar e se responsabilizar pela separação por ter sentido ódio do pai ou da mãe por qualquer razão e desejo de não vê-lo mais pela frente. Isso é natural, pois as crianças pequenas vêem o mundo de forma egocêntrica.

            Cada filho tem sua capacidade de compreensão e de absorção, o que o leva a uma interpretação única da realidade. Os pais precisam encontrar estratégias que tragam menos sofrimento à família, lembrando que a criança sente, pensa, age e existe de maneira muito diferente do adolescente.

            Não é possível evitar o sofrimento dos filhos com a separação. Mas há separações obrigatórias, para que eles sejam preservados – é o caso das famílias muito desestruturadas, com pai (ou mãe) dependente químico, desequilibrado, violento, que assedia sexual e moralmente os filhos. Nesse caso, a separação é solução e traz alívio para todos.

 

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Fonte: livro “Quem Ama, Educa! Formando cidadãos éticos”, de Içami Tiba – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

  

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