Como sair da zona de conforto, sem sair da zona de satisfação? Por Gabriel Carneiro Costa

Um dia, convidei m cliente para jogar golfe, pois sabia do interesse dele pelo esporte. Na data marcada, nós nos encontramos e fomos para a área de treino (drive range). Com a ajuda de um professor, ele aprendeu as noções básicas e, quebrando os protocolos do golfe, fomos juntos para o campo. Não jogamos em formato oficial, mas eu queria que ele experimentasse a diferença entre jogar sob pressão e jogar de forma leve. Desligamos os celulares e fomos para a parte mais silenciosa do campo, onde escutávamos apenas o barulho dos pássaros. Naquele momento eu não quis jogar, mas deixei-o jogar sozinho, para curtir o momento. Seu desempenho acabou sendo acima do padrão inicial, o que o deixou extremamente satisfeito. Ele estava alegre como uma criança e em pleno meio de semana experimentava uma sensação de total conexão com seu corpo, sua mente e seus desejos.

            Em seguida, propus começarmos a jogar os dois, e avisei que estaríamos em uma caçapa mais difícil, na qual eu jogava muito bem. Disse a ele que só o havia levado lá porque vi que ele tinha capacidade para tal. Naquele momento disparei o diálogo interno dele, que o levava a uma zona de total desconforto e também fora da satisfação.

            Por ser uma pessoa competitiva (e eu sabia disso), ele mudou sua expressão facial e resolveu voltar a pensar na técnica que o professor havia ensinado. Conforme o previsto, seu resultado foi vergonhoso, não conseguindo fazer a bola percorrer mais do que cinco metros. E o mais incrível e motivante nesse cliente era a capacidade que ele tinha de entender o processo de aprendizado sem grandes interferências minhas. Ele mesmo percebera que eu havia gerado a mesma pressão que ele gera nos sócios e que isso atrapalhara a sua performance. Ele parou de jogar por satisfação e passou a desejar apenas ir bem. Seu mapa mental também desenhava um pequeno cartaz com os dizeres: “Ter um desempenho acima do padrão é a sua obrigação”. E ali comprovávamos juntos que, fora da zona de satisfação, as mudanças não ocorriam da forma mais assertiva.

            Conheço muitos treinadores e preparadores de times e de atletas que pressionam para um bom resultado e conseguem resultados muito positivos. Não questiono esse método, até porque o meu trabalho tem outro objetivo. O meu foco está em vencer o próprio jogo.

            Os resultados positivos obtidos por pressão existem e sempre existirão. Porém, algumas pessoas acabam pagando essa conta mais tarde. E, pior, mais alguém paga esse preço junto.

            O meu objetivo como Coach de Vida nunca foi tornar os meus clientes pessoas vitoriosas. Meu propósito sempre esteve voltado a transformar as pessoas naquilo que elas julgavam ser o mais feliz possível. Vencer ou não sempre foi uma decisão do cliente, como consequência do trabalho. Jamais foi e jamais será a causa que me move a continuar ajudando as pessoas a encontrar suas zonas de satisfação.

 

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Fonte: livro “O encantador de Pessoas – Como trabalhar a sua vida em busca da felicidade e realização pessoal”, de Gabriel Carneiro Costa – Integrare Editora

Saiba mais sobre o livro!

 

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