Por uma vida bem vivida!

Faz muito, muito tempo que li a entrevista de Marcello Mastroianni que tanto me marcou. O belo ator italiano, já em idade avançada, dizia que ao olhar o próprio rosto marcado de rugas apreciava a expressão que estava como que congelada na face. Os vincos lhe faziam constatar que tivera uma vida em que o sorriso foi mais frequente que a angústia e que a preocupação era um pálido rascunho na face marcada pelos traços do riso.

            Jamais me esqueci disso. De lá para cá, observo atentamente a história que meu rosto escreve à medida que o tempo passa e procuro ler em meus contemporâneos os traços que podem dizer tanto sobre eles. A força e a fragilidade, a leveza e a dureza, a rigidez e a flexibilidade, o bom e o mau caráter – tudo isso fica impresso na pele, na bochecha, no cenho. E, claro, no olhar, janela devassável da nossa alma.

            Entretanto, as cirurgias plásticas, o Botox, os preenchimentos não vieram justamente para apagar todos esses vestígios de vida vivida? Não servem exatamente para confeccionar a máscara com que mostramos aos outros uma imagem ideal, opaca de todas as experiências, muda em seu relato de vivências, dores, decepções e frustrações?

            Depende. É preciso só um pouquinho de imaginação para decifrar esses rostos plastificados, de pele esticada além da conta e expressão enrijecida. O que eles nos dizem de seus donos? Refletem autoestima em harmonia com a vida ou uma busca angustiada pela juventude perdida? O que os olhos buscam no espelho? Uma imagem que conserte os desacertos da vida, que lhes devolva a impressão de que tiveram uma história que poderia ter sido e não foi?

            Nosso rosto não esconde coisa alguma. Ele fala de nós o tempo todo, não importa a qualidade da pele ou do médico. E é por isso mesmo que todo aconselhamento de beleza não pode prescindir da receita fundamental: nada é mais belo do que uma vida bem vivida; nada faz tão bem ao rosto e aos olhos do que digerir bem as coisas boas e ruins que nos acontecem, sabendo prolongar o prazo de duração das primeiras e reduzir o efeito das segundas.

            Por isso, se você procura apenas as últimas novidades para tartar da pele e da saúde no livro, saiba que a Dra. Carla Goés vai dizer que não bastam os tubos de cremes de alta tecnologia, os alimentos saudáveis e as atividades físicas. Que os tratamentos, na verdade, são coadjuvantes importantes na busca da alegria, do relaxamento e da longevidade; que uns não andam sem os outros e que beleza está ao alcance de todos, sim. Mas não são tudo.

            A era das celebridades nos faz perder tempo com muita bobagem, mas um ensinamento do nosso tempo é proveitoso. As belas que tanto admiramos nem por isso são felizes. Lembram de Nicole Kidman, magérrima, lindíssima, talentosíssima, lamentando ser abandonada por Tom Cruise? Que homem, meu Deus, largaria a fabulosa Nicole?

            No entanto, quem não conhece pessoas acima do peso, de olhos pequenos, nariz grande e cabelos opacos que exalam alegria de viver e em torno de quem gravitam pessoas de todas as idades, que permitem que sua própria história seja trançada com a de outros em convivência divertida e solidária, abertas para as novidades e as surpresas de cada dia?

            Tudo isso aprendi com o livro. Podemos sair dos consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos com prescrições exatas e complexas, sofrer alguma dor, ter disciplina no tratamento e, ainda assim, o bom resultado vai depender de leveza e da disposição favorável do espírito.

            A boa notícia é que a experiência num consultório médico pode ser uma dessas experiências agradáveis da vida. É bom saber que adiar os efeitos do tempo está ao alcance da mão, que os princípios ativos de tantos produtos estão cada vez mais acessíveis em formulas manipuladas na farmácia do bairro e não são mais privilégio das atrizes de cinema e de televisão.

            Para mim, a lição de Marcello Mastroianni sobre seu próprio rosto intacto é complementar à autoindulgência sem culpa que os métodos de tratamento de beleza nos permitem. Ambas são faces da mesma moeda com que pagamos o tributo à vida que nos foi dada para viver. Mesmo porque, até onde se sabe, o tempo não para e não volta. E é bom que seja assim. É bom e bonito.

 

Mônica Waldvogel

 

Imagem

 

Fonte: livro “Beleza Sustentável – Como pensar, agir e permanecer Jovem”, de Dra. Carla Góes. Integrare Ed.

 

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

Saiba mais sobre o livro!

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