Não sente nos seus problemas

Que os problemas estão globalizados, todo mundo sabe. Que aparecem em todas as dimensões possíveis – pessoas, processos, concorrência, tecnologia, captação de recursos – também não é novidade. Então, quando cheguei à presidência e os problemas começaram a exigir solução, eu precisei fazer a pergunta certa: “Qual é a minha percepção sobre a origem dos problemas?” Então me reconectei àquela frase sábia que aprendi com o budismo: “O caminho mais rápido para receber é entregar”.

Aplicando essa convicção ao tema, percebi que uma boa maneira de resolver os meus problemas é pensar nos de outras pessoas. Tenho praticado isso no meu cotidiano. Quando estou diante de uma situação complexa, dedico uma hora do meu dia para tentar ajudar alguém.

Logicamente, não se pode esperar que a solução para o seu problema caia do céu como um milagre. Mas tenho observado um avanço na maneira de lidar com as dificuldades. Esse incremento de performance, por assim dizer, veio de alguns insights!

Um deles é que, ao canalizar nossa energia na solução do problema alheio, a dimensão do nosso parece diminuir. Saímos do centro das atenções onde nos colocamos como se fôssemos o único coitadinho a enfrentar desafios. Outro insight importante é que, ao dedicar um tempo a ajudar o outro na resolução de seus problemas, nós nos desconectamos emocionalmente, ainda que por breve período, de nossas dificuldades e abrimos espaços para que soluções mais criativas brotem mais tarde.

Durante uma aula, o professor Jagdish Parikh, autor do best-seller Managing Your Self, demonstrou de forma simples e tangível como a desconexão emocional facilita a correta visão e solução de um problema.

Parikh colocou uma cadeira vazia no centro da sala e chamou um aluno para sentar-se nela. Logo a seguir perguntou o que ele visualizava da cadeira em que estava sentado. Contorcendo-se todo, e com um torcicolo iminente, o aluno informou que via os braços, parte do assento e das pernas daquela cadeira. Então Parikh comparou a cadeira a um complexo problema, levando a classe a perceber que a forma mais abrangente de enxergar a cadeira-problema é se afastar dela. Só assim podemos avistar todas as dimensões e conexões, adquirindo uma visão mais abrangente do problema e possivelmente mais insights de soluções.

Um último aprendizado: a desconexão emocional momentânea pode aprimorar a amplitude das soluções, mas não podemos nos enganar achando que o afastamento definitivo traga a solução. Ao contrário, aumenta as chances de os problemas crescerem. É preciso conversar interna e externamente sobre os problemas. Internamente significa integrar o problema ao seu cotidiano em vez de se amedrontar e fugir dele. Externamente é falar com outras pessoas, como eu e um grande amigo temos o costume de fazer. Isso também facilita a solução. Mas deixe a intuição ligada, por favor! Não existe nada mais desagradável do que o reclamão, aquele que só se queixa e não se interessa por nada à sua volta.

Tratar um problema como parte da viagem e não uma barreira intransponível diminui o desgaste que ele pode trazer à sua vida.

 

Tanto podemos acreditar que a generosidade proativa e a dedicação ao outro trazem benefícios e energias positivas quanto perceber que a desconexão emocional acelera pragmaticamente a resolução de um problema. Essas vertentes separadas ou combinadas oferecem uma nova perspectiva na hora de lidar com uma mensagem, um alerta, quaisquer manifestações que o mundo nos traz e às quais teimamos em dar o nome de “problema”.

 

4_Será que é possível_Sergio Chaia_Integrare Ed

Fonte: livro “Será que é possível? Aprendizados, histórias e resultados na busca da harmonia entre vida profissional, pessoal e espiritual”, de Sergio Chaia – Integrare Editora

Para mais informações sobre o tema, consulte o livro ou entre contato conosco.

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