O estresse bloqueia a mente. O abandono nos estressa!

Em situações de alto estresse, o cérebro não rende. A cabeça não consegue aprender matemática quando o coração sente que em casa as relações são de subtração continuada (filhos de pais omissos).

Fica complicado aprender física quando se vive em constante atrito (filhos de pais autoritários), assim como é muito mais árduo aprender história quando se sente que as únicas passagens impor- tantes da vida são aquelas nas quais nos divertimos (filhos de pais permissivos). Este é o aluno que pensa: “Para que estudar se em casa se fala que isso não serve para nada e meu pai se deu bem sem saber nada disso?”.

A neurociência mostra que uma forte carga de estresse gera uma liberação acentuada de adrenalina, substância que em boa quantidade contribui para a liberação de mais acetilcolina, uma espécie de lubrificante das sinapses. Assim, a adrenalina indiretamente ajuda-nos a ter mais e melhores conexões cerebrais e por isso é importante estar motivado e com energia para estudar ou praticar um esporte.

Em quantidades exageradas, porém, a adrenalina inibe a aceticolina, substância que “liga” as sinapses, as conexões cerebrais. Vem daí o ditado popular que nos manda relaxar antes de tomar uma decisão.

Quando estamos estressados, seja física ou emocionalmente, o cérebro reage apenas com sua porção instintiva. E faz sentido. Se estivéssemos nas savanas africanas e avistássemos uma grande cobra, ou um predador maior que nós, não seria interessante que o cérebro gastasse tempo e energia para entender se aquele ser que nos ameaça é um anfíbio, um réptil ou um mamífero, mas sim que ele nos prepa- rasse para correr ou lutar.

Vem daí a expressão “dar um branco” diante de situações altamente estressantes,pois nesses momentos ocorre uma migração do sangue das partes periféricas do corpo (membros e pele) para as áreas vitais (cora- ção, pulmão, rins), de forma a nos proteger de escoriações e nos fornecer uma sobrecarga de energia de luta ou fuga. Conviver com o abandono continuado é uma das mais intensas formas de estresse que se pode conhecer.

Fonte: livro “Meu filho chegou à adolescência – Como construir um projeto de vida Juntos” de Leo Fraiman – Integrare Editora

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