O risco de tentar

 

Disse Theodore Roosevelt: “Prefiro arriscar coisas grandiosas para alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-me à derrota, a formar fila com os pobres de espírito que não gozam nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta na qual não conhecem derrotas nem vitórias”.

Dita por alguém com o histórico desse homem, essa frase faz sentido e ganha legitimidade. Mas ninguém precisa ser presidente, nem explorador, nem ganhar o prêmio Nobel para perceber que, da vida, é possível receber muito ou receber pouco, e contribuir mais ou contribuir menos, sempre dependendo dos riscos que se deseja aceitar. Theodore afirmava ser do tipo que prefere enfrentar o risco de perder ao risco de não ganhar.

Traduzindo para o bom português: quem não arrisca não petisca.

 

É matemático: quem não tenta não corre riscos, mas também nada consegue. Aprendemos a caminhar porque tentamos e não desanimamos com os primeiros tombos, ou seja, com as primeiras derrotas — sem eles ainda estaríamos engatinhando. Roubamos o primeiro beijo correndo o risco de levar um tapa; conseguimos o primeiro emprego arriscando-nos a levar um rotundo não; passamos no vestibular sob o risco de ser reprovados (é o que acontece à maioria). Não haveria a menor possibilidade de conseguir alguma dessas vitórias sem a predisposição a suportar o fracasso.

Esse é o risco. Mas cuidado: há tentativas e tentativas. Mestre Yoda, o forjador de guerreiros do Universo, afirmou: “Faça, ou não faça — a tentative não existe”. Foi uma lição necessária a seu pupilo Luke Skywalker, que disse, desacreditando de si mesmo, que faria uma “tentativa” de retirar a nave encalhada no pântano, o que enfureceu o mestre.

 

Ora, pessoas que dizem que vão apenas “tentar” estão dizendo, por antecipação, que não conseguirão; afinal, “era difícil, e tudo não passou de uma mera tentativa”. E aí fica tudo bem, pois o mundo desculpa a falha decorrente de uma tentativa despretensiosa. Essa é a tentativa pela tentativa, sem compromisso com o resultado. A derrota que deriva dessa tentativa inglória não tem importância, porque é acobertada pela própria pequenez.

O compromisso com a tentativa é bem diferente do assumido com o sucesso. Não obter o resultado esperado causa indignação, mas reforça a certeza de conseguir o que se quer na próxima vez, até porque agora já se conhece o caminho errado. Esse foi o espírito de Thomas Edison que, na 999ª tentativa frustrada, disse: “Descobri mais um modo de não fazer a lâmpada”. A tentativa seguinte deu certo — e o mundo nunca mais foi o mesmo.

 

Devemos correr riscos sim, pois sem eles não há conquistas. Navegar é preciso, lembra o poeta, e com isso ele traz duas mensagens: a de que precisamos navegar para conquistar mundos, e a de que deve haver precisão na aventura de navegar. O marujo navega sabendo para onde vai e conhecendo os riscos de navegar. Somente assim ele chega ao destino.

 

Fonte: livro “Caminhos da Mudança – Reflexões sobre um mundo impermanente e sobre as mudanças de dentro para fora” de Eugenio Mussak – Integrare Editora

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