Os vários significados da comida

Pais que entendem qualquer choro como necessidade de mamar sempre oferecem comida. Se o choro for causado por outro incômodo qualquer, a comida pode proporcionar certo alívio, mas não é o “remédio” certo. No entanto, comer é um forte instinto de sobrevivência, e a boca é a primeira zona de prazer estimulada em nosso organismo; por isso, dificilmente comer deixará de ser prazeroso, ainda que inadequado.

Se traçarmos uma linha direta sem interferência, a criança cujos pais têm esse tipo de conduta pode tornar-se um adulto que, diante de qualquer contratempo, vai procurar comida em vez de tentar resolver seu problema. É claro que essa relação não é tão simples assim. Inúmeras outras variáveis também precisam ser consideradas. Mas a raiz da obesidade pode estar aí.

Conforme cresce, a criança aprende progressivamente a digerir alimentos mais pesados e a diversificar os sabores, passando por uma grande evolução desde o colostro, o primeiro leite da mãe, até a feijoada com torresmo. No entanto, existe sempre uma maneira de infantilizar a criança. Basta desconsiderar o fato de que seu aparelho digestivo está amadurecendo e continuar a lhe dar papinhas. E ela acostuma-se a receber comida de fácil digestão. Equivale, numa correlação direta, ao adulto que não sabe mastigar os problemas e precisa “papinhá-los”. Se não for fácil, o problema é cuspido para fora. A pessoa não chega a superá-los porque nem os enfrentou. O problema é muito mais ligado ao “como-somos” dos pais, que origina dificuldades para os filhos, como se fosse uma herança – que as crianças são obrigadas a engolir – absorvida pela convivência.

A indisciplina está presente no desrespeito ao desenvolvimento biológico por parte dos pais: motivados pelo amor, pelo desejo de satisfazer todas as necessidades dos filhos, alguns pais não modificam seus comportamentos nem suas ofertas à medida que a criança cresce.

Fonte: trecho do livro “Disciplina – Limite na medida certa”, de Içami Tiba – Integrare Editora

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