Polvo (mulher) e cobra (homem) vão ao banheiro

janeiro 28, 2011

Quando adolescente, eu gostava de espiar os banheiros das mulheres. Meus pais ficavam zangados comigo e me chamavam de sem-vergonha. O que eles não sabiam é que eu já era um “pesquisador comportamental”.

Vou fazer um relato do que aprendi estando atento a tudo o que se passava nos banheiros masculinos e femininos, acrescentando algumas situações “extrabanheiro” para tornar minhas comparações mais pitorescas.

As diferenças entre cobras (homens) e polvos (mulheres) já são perceptíveis antes mesmo de eles entrarem no banheiro. A caminho, a polvo anuncia em alto e bom som o seu estado fisiológico por onde vai passando: Ah, estou tão apertada! O que sempre me intrigou era para quem ela estaria dizendo isso, já que ninguém lhe perguntara nada. Então, outra polvo, conhecida da primeira ou não, capta a mensagem e logo corresponde: Eu também! E lá vão as duas ao banheiro batendo o maior papo.

Ninguém consegue falar com um cobra que está a caminho do banheiro com passos largos e apressados, a cara fechada num ar agoniado e solene. Quem quiser lhe perguntar algo que dê uns toques em seu ombro. Então, o cobra para e ouve, já que andar, controlar a bexiga e co nversar são coisas demais para fazer ao mesmo tempo.

No banheiro, a polvo se fecha no reservado e despe quase metade do corpo para sentar-se no vaso sanitário. Não importa o tipo de serviço a ser feito – gasoso, líquido ou sólido -, ela sempre verifica suas roupas íntimas. É por causa da menstruação, um acontecimento tão importante que usa vários verbos para anunciá-lo: “veio, chegou”, “desceu” etc. Quando a menstruação chega, a polvo faz uma caretinha e diz: Xii, veio! A caretinha é porque a menstruação incomoda. Mas o incômodo seria ainda pior se era para ter “vindo” e não “veio”. Realmente, é mais do que apropriado chamar a menstruação de incômodo quando “vem” e ainda mais quando “deveria ter vindo” e “não veio”…

No caso de “ter vindo” e a polvo estar sem absorvente higiênico, ela entra logo em ação. Olha para cima e, sem ao menos saber quem está no banheiro, pergunta: Alguém tem um absorvente pra me emprestar? Sempre existe aquela polvo superorganizada e metódica, que coloca três absorventes na bolsa ao sair de casa. Nada me surpreenderá!, pensa ela. Ela empresta o absorvente sem pestanejar. Aliás, ela não empresta, ela dá. Nunca polvo alguma cobrar empréstimo: Você me devolve o absorvente que lhe emprestei ontem? 

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