Está na hora de mudar

Fazendo as contas, ao longo de minha vida já mudei de casa mais de trinta vezes, morei em quatro cidades brasileiras e em três países. Mudei de profissão quatro vezes, de estado civil três vezes. Já tive dezenas de projetos de vida, mudei centenas de vezes de opinião e milhares de vezes de ideia. De mudança eu entendo – ou acho que entendo…
Descobri, por exemplo, que as pessoas mudam por necessidade ou por desejo. Sentimos necessidade de mudar algo na vida quando as coisas não estão dando certo. O desejo está ligado a querer resultados ainda melhores, independentemente de quão bons já sejam os que estamos obtendo. Mudar, portanto, é próprio do ser humano, pois ele sempre tem necessidades e desejos. Será?

Mas somos também paradoxos ambulantes. Explico: há pelo menos duas contradições importantes quando tema é mudança. O motivo principal que nos obriga a mudar é a manutenção do status. Eu preciso mudar para continuar sendo competitivo; para manter minha cultura em dia; para ser bem informado quanto sempre fui; para atender às expectativas das pessoas com quem convivo; para não ser considerado antiquado, adjetivo que nunca me coube. Ou seja, preciso mudar para continuar sendo o mesmo. Esse é o primeiro paradoxo.

O segundo paradoxo é mais agudo: sei que preciso mudar, mas bem que eu preferiria deixar como está. Seria tão bom se tudo ficasse quieto, confortável e seguro! Esse sentimento existe porque qualquer mudança pressupõe movimento, gasto de energia, perigo; e são justamente esses os aspectos que a parte mais primitiva de nosso cérebro está programada para evitar. O lado racional entende que a mudança precisa acontecer, mas o lado emocional precisa ser convencido disso e, mesmo assim, reluta. É duro sair da zona de conforto, que é confortável principalmente porque é conhecida.

Você, como eu, já mudou de casa? É provável que sim. Então, deve se lembrar de que, mesmo que a mudança fosse para um espaço maior, com mais conforto – uma verdadeira conquista em sua vida -, no dia de mudança, quando o caminhão da transportadora encostou-se na calçada, o Macunaíma que habita em você se manifestou com seu famoso bordão: “Ai, que preguiça”. Fala sério.
Eugenio Mussak

 

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