Bate-papo com Içami Tiba

dezembro 22, 2010

Psiquiatra especialista na relação entre pais e filhos acredita que é preciso reestabelecer a hierarquia e saber impor limites na base do diálogo

Os filhos de hoje dominam a linguagem digital com a mesma facilidade com  que aprendem uma segunda língua. Vão mais cedo para a escola, passam mais tempo em frente ao computador e, para eles, o tempo real também precisa funcionar para além do virtual: eu quero agora, eu tenho agora. A hierarquia, que há cinco ou seis décadas parecia tão clara, se perdeu. Estabelecer limites virou o maior desafio das famílias modernas. Como encontrar a fórmula ideal da educação? Rigidez afetividade = pai ideal? Na vida real, a matemática é mais complicada do que isso. Em entrevista à Revista, o psiquiatra Içami Tiba explica o que mudou e o que ainda precisa mudar na relação entre pai e filho.

O filho de ontem hoje é pai. Como ele cria o seu filho, hoje?

Existem duas diferenças primordiais: a tecnológica e a comportamental. Em relação à primeira, os filhos hoje aprendem o alfabeto digital como aprendem uma nova língua. É natural. Agora, é importante salientar é que foram os pais que desenvolveram toda essa tecnologia, que hoje eles presenteiam os filhos. Dão o computador, dão o videogame, o notebook… Em relação à mudança de comportamento, antigamente o comportamento padrão era que o pai de hoje tinha que obedecer ao seu pai e ponto final. Havia uma hierarquia. Hoje, isso não existe. O filho faz o que quer, tem vontade própria, não o que o pai quer. E aí os pais ainda deram a internet. Na frente do computador, ele pode tudo, é dono do mundo. Não existem regras ali.

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