Acompanhe o bate-papo com Eugenio Mussak

dezembro 15, 2010

Você acha que podemos equilibrar a razão e a emoção?

Sim, e essa é a principal qualidade das personalidades estruturadas.                                                                                                    Não é possível dispensar a emoção, assim como não é prudente desconsiderar a razão. A visão filosófica é que temos, em nossos espíritos, habitando dois deuses complementares: Apolo e Dionísio. Só o apoio de um ao outro, o respeito mútuo e o incentivo ao desenvolvimento entre ambos é que vai nos permitir construir uma vida plena. Infelizmente a sociedade moderna aprecia muito mais a razão do que a emoção, e isto estimula as pessoas a esconder seu lado emocional, em vez de desenvolver seu racional procurando o equilíbrio entre ambos. É necessário um esforço de autoconhecimento, uma imersão para o interior da alma para perceber que estamos voando mais com uma asa do que com a outra, por isso não paramos de fazer círculos e não vamos para frente. Espero que o meu novo livro, Preciso dizer o que sinto, que me deu um imenso prazer em produzir, ajude as pessoas a lidar melhor com seu emocional. Nem que isso seja uma decisão extremamente racional.

 Sim! Este mês você está lançando o seu novo livro! Como surgiu a ideia de escrevê-lo?

Eu tenho escrito muito sobre sentimentos em artigos publicados com frequência. Além disso, em meus trabalhos como professor e como consultor de algumas empresas, pude perceber a importância que as pessoas dão àquilo que sentem, apesar de, na imensa maioria das vezes, limitarem-se a dizer o que pensam. Ainda que haja uma imensa conexão entre pensamentos e sentimentos, sabemos que eles são feitos de diferentes matérias. Muitas vezes sonegamos nossas emoções com medo de parecermos ridículos, fracos ou sentimentais. Limitamo-nos a organizar nossa fala a partir de elementos da lógica, da razão pela razão. Entretanto, quando temos oportunidade ou coragem de expor nossos sentimentos, criamos uma relação elevada, sincera, muito mais produtiva com nosso interlocutor.

 E qual você considera a principal mensagem da obra?

A mensagem principal é que não é errado expor seus sentimentos, da mesma maneira como é correto explicar seus pensamentos lógicos. É justamente essa combinação que nos torna mais humanos, mais aptos à vida em sociedade, que tem suas regras, limites, controles, mas que precisa do bálsamo do sentimento, da emoção pura. Somos seres emocionais nos comunicando racionalmente. Isso não está errado, desde que a razão seja uma aliada dos sentimentos genuínos e não seu algoz. O livro trata dessa questão, em três dimensões: na relação consigo mesmo, com as outras pessoas e com os fatos da vida. Até a morte é colocada no contexto, pois com ela temos uma imensa relação de sentimento, que pode ser o medo ou a esperança. Dizer o que se sente ajuda a pessoa a se conhecer melhor, definindo seus limites e seus alcances.

 Entrevista feita por Heloizi Parra, Jornalista 

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