Para começo de conversa

novembro 24, 2010

A gravidez, o parto, o pós-parto, a amamentação e os primeiros meses do bebê são acontecimentos vitais que trazem muita alegria para a família, mas também apresentam suas dificuldades.

Mesmo que nem tudo sejam flores, não é necessário que seja um tempo repleto de espinhos. A cultura latina tem uma tendência a valorizar o sofrimento, principalmente o sofrimento materno.

Não é por acaso que o verso mais conhecido da língua portuguesa no Brasil é – Ser mãe é padecer no paraíso – do soneto Ser mãe, de autoria do poeta Coelho Neto (1864-1934). Pois é consenso que o padecer vem em primeiro lugar, que ama sempre e incondicionalmente, que é um anjo e, portanto, é também assexuada. O pai por sua vez, surge como continuamente forte, protetor e provedor de todas as necessidades da família.

Essa mãe e esse pai perfeitos só existem, no entanto, no imaginário popular, mas as cobranças para que os pais correspondam a esse imaginário existem na maioria de nossas relações familiares e sociais e inclusive em nós mesmos.

A verdade, contudo, é que as vivências da gravidez, parto e relação com o bebê são frequentemente fartas de sentimentos contraditórios. Nós, humanos, nem sempre temos um sentimento imutável a respeito da maioria das coisas: é comum termos um lado que quer, outro que recusa, um lado que aceita e outro que rejeita. Assim, mulheres e homens entram em conflito consigo mesmos por não terem exultado quando receberam a informação da gravidez.

 

-Sabia Mais>

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